<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631</id><updated>2012-02-09T11:39:24.825-02:00</updated><category term='Rivera'/><category term='Geórgia'/><category term='Santana do Livramento'/><category term='Irã'/><category term='Tibete'/><category term='G-20'/><category term='Tiananmen'/><category term='Paz'/><category term='Organizações Internacionais'/><category term='Santa Sé'/><category term='Hong Kong'/><category term='China'/><category term='Congo'/><category term='Macau'/><category term='Africa do Sul'/><category term='Brasil'/><category term='Diplomacia'/><category term='Juscelino Kubitschek'/><category 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term='Colômbia'/><category term='EUA'/><category term='Jânio Quadros'/><category term='França'/><category term='Sidney'/><title type='text'>Blog da Anna Carletti</title><subtitle type='html'>NOSSO MUNDO ONLINE artigos de opinião</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>131</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-1328655812903235377</id><published>2012-02-09T11:38:00.000-02:00</published><updated>2012-02-09T11:39:24.830-02:00</updated><title type='text'>De férias</title><content type='html'>O blog retorna em março 2012&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-1328655812903235377?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/1328655812903235377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=1328655812903235377' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1328655812903235377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1328655812903235377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2012/02/de-ferias.html' title='De férias'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7493465622200689693</id><published>2011-11-24T14:32:00.002-02:00</published><updated>2011-11-24T14:34:33.637-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='União Européia'/><title type='text'>Mario Monti e o novo governo da República Italiana</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Dhz70UbVt_0/Ts5yExb5trI/AAAAAAAAAC0/YyStEFBEWaE/s1600/monti-napolitano171111-large.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Dhz70UbVt_0/Ts5yExb5trI/AAAAAAAAAC0/YyStEFBEWaE/s400/monti-napolitano171111-large.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678601606476183218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, dia 16 de novembro, o presidente da República Italiana, Giorgio Napolitano, nomeou o novo primeiro-ministro: Mario Monti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Berlusconi foi obrigado - frente a uma crise econômica cada dia mais grave - a sair de cena após ter ocupado o cargo de primeiro-ministro por bem quatro governos (1994-1995/2001-2005/2005-2006 e 2008-2011). Sua estreia na cena política, em 1994, foi construída graças a uma poderosa campanha publicitária que o apresentou como o grande salvador da Itália. A ausência de habilidades políticas fez com que ele governasse (ou desgovernasse) a Itália, enfrentando repetidas crises de credibilidade política nacional e internacional, na base da influência de seus cinco canais televisivos e da propriedade de um dos mais poderosos times de futebol italiano: o Milan. Contudo, Berlusconi representa apenas um dos tantos fatores internos e externos que contribuíram à assustadora crise econômica e política que atormenta o Bel Paese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a nomeação de Mario Monti, a era berlusconiana parece ter acabado, para a satisfação de ao menos metade dos italianos que vivem na Itália e no exterior. &lt;br /&gt;O governo de Mario Monti é, ao contrário daquilo que a GloboNews veiculou - demonstrando mais uma vez sua leviandade e falta de compromisso frente ao seu público - o quinto governo técnico nomeado e não eleito na história da República Italiana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse novo governo apresenta, porém, algumas peculiaridades em relação aos outros governos técnicos. Uma dessas é que na equipe nomeada pelo primeiro-ministro, não aparece nenhum nome político. A composição do novo governo é prevalentemente constituída de acadêmicos, professores universitários assim como o novo primeiro-ministro, docente de economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recolhi alguns dados biográficos visando conhecer melhor o novo cenário da política italiana.&lt;br /&gt;Mario Monti nasceu na cidade de Varese, próxima a Milão, no dia 19 de março de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. Em 1965, ele obteve a graduação em Economia na prestigiosa Universidade Bocconi, de Milão, especializando-se na Universidade de Yale, nos Estados Unidos.  Em 1969, começou sua carreira acadêmica como professor da Universidade de Trento, depois foi para Turim e Milão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1995, começou a exercer a função de Comissário Europeu, responsável pelo mercado interno, serviços financeiros e integração financeira até 1999 e em seguida, se ocupando da questão da concorrência. Autor de numerosas publicações, Mario Monti é um defensor da corrente neoliberalista, o que lhe custa várias críticas no mundo político. É um nome forte na União Europeia o que lhe garante pleno apoio por parte da instituição europeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O receio de alguns grupos é, justamente, o de que a nomeação de Mario Monti seja resultado de uma manobra dos principais interlocutores da União Europeia (leia-se França e Alemanha) que querem tirar proveito da instalação dos novos governos italiano e grego, o que resultaria num possível agravamento da situação desses dois países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os novos ministros por ele nomeados são expoentes conservadores, ligados a instituições bancárias como o novo ministro do Desenvolvimento Econômico, representante do Instituto bancário SanPaolo. O novo Ministro da Cooperação Internacional, Andrea Riccardi, professor de história Contemporânea da Universidade “La Sapienza”, de Roma, é o fundador da Comunidade Sant´Egidio, movimento internacional que ajudou na resolução da guerra civil em Moçambique. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O voto de confiança dado pelo Senado e pela Câmara italiana demonstra a inicial aprovação de um governo que, mesmo se de tendência neoliberal, é constituído, ao menos, por pessoas competentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7493465622200689693?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7493465622200689693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7493465622200689693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7493465622200689693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7493465622200689693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/11/mario-monti-e-o-novo-governo-da.html' title='Mario Monti e o novo governo da República Italiana'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Dhz70UbVt_0/Ts5yExb5trI/AAAAAAAAAC0/YyStEFBEWaE/s72-c/monti-napolitano171111-large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-1901857944504442767</id><published>2011-10-20T10:48:00.002-02:00</published><updated>2011-10-20T10:56:04.183-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>O governo de Pequim abre as portas ao homem mais rico da China</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-GumT8-RdBLI/TqAaWz74mzI/AAAAAAAAACo/LbaOYV3MVK8/s1600/rico%2Bchina"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-GumT8-RdBLI/TqAaWz74mzI/AAAAAAAAACo/LbaOYV3MVK8/s400/rico%2Bchina" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665557310432910130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O ano de 1978 marcou a abertura da China ao mercado capitalista mundial. Deng Xiaoping, o líder que desenhou a transformação do gigante asiático, trocou os dogmas da ideologia comunista por um pensamento pragmático que mirava ao enriquecimento nacional. Contudo, muitos anos se passaram antes que o Partido Comunista da China decidisse abrir suas portas aos capitalistas, que contribuíram para o crescimento do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor dessa reforma foi Jiang Zemin, que sucedeu a Deng Xiaoping, inaugurando a terceira geração dos líderes comunistas chineses. As suas convicções ideológicas foram resumidas em uma única expressão: Teoria das Três Representações, cuja aplicação marcou uma virada importante na história do Partido Comunista da China.&lt;br /&gt;Jiang Zemin fez referência a esta teoria pela primeira vez no ano 2000, durante uma viagem ao sul da China, de 21 a 25 de fevereiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A novidade deste pensamento era que o Partido Comunista da China declarava-se pronto para abrir as suas portas, acolhendo entre os seus membros não somente as tradicionais representações dos camponeses e das massas trabalhadoras, mas, também, as novas classes sociais que estavam emergindo no âmbito da modernização econômica chinesa. Estas novas classes sociais eram os empresários, os intelectuais - que com Deng Xiaoping foram reabilitados e considerados parte integrante da sociedade chinesa – além dos técnicos e cientistas que nas últimas décadas se tornaram os protagonistas do novo cenário chinês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente desta forma, segundo Jiang Zemin, a China poderia continuar se desenvolvendo e crescendo de forma correta e segura, e o partido teria uma base de apoio bem mais ampla e fortalecida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em base a esta teoria, o partido deveria representar “as exigências de desenvolvimento das forças produtivas mais avançadas, as orientações de cultura mais avançadas e os interesses fundamentais da grande maioria da população”.&lt;br /&gt;Segundo alguns analistas, as expressões usadas nesta teoria eram reveladoras de uma orientação política bem específica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A referência à “cultura mais avançada” sublinhava a política de abertura ao exterior, no intuito de apropriar-se da tecnologia e dos conhecimentos mais avançados dos parceiros internacionais. Quanto às “forças produtivas mais avançadas” o uso desta expressão justificaria as reformas econômicas que levaram à reforma das empresas estatais, com o fechamento das que apresentavam déficit, favorecendo, com isso, as empresas do setor privado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a aplicação desta teoria, o Partido Comunista da China, que estava enfrentando uma grande crise de credibilidade junto aos próprios membros do partido e ao povo, buscava uma nova identidade e novos apoios, que lhe permitissem adquirir mais força e capacidade para continuar liderando a sociedade chinesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrada dos capitalistas no Partido Comunista permitiu que o governo chinês passasse, sem grandes abalos, pelas grandes mudanças econômicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teoria de Jiang Zemin foi condenada por muitos conservadores de extrema esquerda que a consideraram como um ulterior elemento de poluição à cristalina ortodoxia marxista que, segundo tal ponto de vista, já havia sido colocada em crise pelo pensamento de Deng.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma década depois, a teoria lançada por Jiang Zemin continua sendo aplicada pelas autoridades de Pequim. Liang Wengen, o homem mais rico da China, vai ingressar no seio da Comissão Central, um dos órgãos máximos do poder executivo do Partido Comunista da China. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ingresso ocorrerá por ocasião da passagem de poder entre o atual secretário do Partido e presidente da República Popular da China, Hu Jintao, e o próximo secretário, Xi Jinping. Liang Wengen, dono da empresa Sany Group, que produz maquinários para empresas de construção civil, não será o único magnata a fazer parte do Partido Comunista. Cerca de um terço dos magnatas chineses já são membros do Partido Comunista, o que confirma a aproximação já firme entre os capitalistas e o poder político na China.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um artigo publicado recentemente no site Mondo Cinese (www.mondocinese.it) revelou que o número de pessoas que possuem ao menos 01 bilhão de yuan e que, ao mesmo tempo, exercem cargos políticos, seria de 173, o que corresponde a 12% dos super-ricos chineses. Dessa porcentagem, sete participaram como delegados no último Congresso Nacional do Partido e 83 são integrantes da Assembleia Nacional do Povo, da qual faz parte o segundo homem mais rico da China, Zhing Qinghou, dono da empresa de bebidas Wahaha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-1901857944504442767?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/1901857944504442767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=1901857944504442767' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1901857944504442767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1901857944504442767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/10/o-governo-de-pequim-abre-as-portas-ao.html' title='O governo de Pequim abre as portas ao homem mais rico da China'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-GumT8-RdBLI/TqAaWz74mzI/AAAAAAAAACo/LbaOYV3MVK8/s72-c/rico%2Bchina' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4815232339804540996</id><published>2011-09-24T14:16:00.000-03:00</published><updated>2011-09-24T17:18:49.051-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Líbia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><title type='text'>Breve história das relações entre Líbia e Itália</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-wKMZ-qh676Q/TmqeiVhiRrI/AAAAAAAAACg/SHQLiUWgR6g/s1600/Libia.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 349px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-wKMZ-qh676Q/TmqeiVhiRrI/AAAAAAAAACg/SHQLiUWgR6g/s400/Libia.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650502995220252338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;As revoltas políticas ocorridas na Líbia envolveram diretamente suas relações com a vizinha Itália, o que me lembrou de uma cena ocorrida na minha infância quando, ao conversar com uma colega de natação, esta me disse que ela não tinha nascido na Itália, mas em Trípoli. De volta para casa, consultei o Atlas para procurar onde estava essa cidade. Trípoli, capital da Líbia, país no norte da África. Na minha cabeça de menina, porém, ficou uma dúvida, pois não entendia como a minha colega, que era loira, pele muito clara, assim como sua mãe e seu irmão, pudesse ser africana. Anos mais tarde, estudando história - uma das minhas matérias preferidas - essa dúvida foi resolvida quando soube que a Líbia tinha sido colônia italiana por mais de três décadas, de 1911 a 1943 e que, mesmo após o fim do colonialismo italiano, a Itália continuou sendo um dos maiores parceiros comerciais do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O longo período colonial marcou certamente a formação atual da Líbia. O ano de 2011 foi lembrado como o do centenário do desembarque das tropas italianas na costa da que na época chamava-se ainda de Tripolitania, uma das três províncias que, unificadas pelo governo italiano, em 1934, recebeu o atual nome de Líbia. As outras duas províncias eram Cirenaica, no leste do país. e Fezzan, no sul. Um artigo publicado recentemente no jornal espanhol El País lembrou as etapas mais importantes da colonização italiana no território líbio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando da chegada dos italianos, o território pertencia ainda aos Otomanos, mas a região encontrava-se em situação de abandono por parte do governo central. O professor Nicola Labanca, especializado em História Colonial Italiana, sublinhou o impacto negativo da colonização italiana na Líbia. Antes da chegada dos italianos, mesmo esquecida pelo governo otomano, a Tripolitania - segundo o professor - tentava iniciar sua modernização, avançando na qualidade da instrução, desenvolvendo um início de imprensa e trabalhando para uma futura integração com a vizinha província da Cirenaica. Os colonizadores aplicaram o princípio estratégico do divide et impera interrompendo bruscamente tal processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança ocorrida no governo da Itália com a chegada ao poder de Mussolini só agravou a situação da pequena colônia italiana, onde, de 1930 a 1933, foram abertos 16 campos de concentração para combater a resistência do povo líbio à ditadura italiana. Outra grave ingerência lembrada pelo professor Lobanca é que o governo italiano decidiu não difundir a instrução. Ao contrário das outras potências ocidentais que incentivaram a formação de uma classe dirigente local, a Itália decidiu não instituir universidade alguma na capital do país. A causa de tal diferença de atitude encontra-se, na opinião dos historiadores italianos, na ideologia racista que caracterizava o governo fascista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Federico Cresti, outro professor entrevistado pelo repórter espanhol de El Pais, tal postura de repressão cultural e de enfraquecimento da vida institucional do país, atuada pelo governo fascista, continuou com a monarquia constitucional do rei Idris I (1951-1969) e, sobretudo, pelo regime do coronel Khaddafi que assumiu o poder por meio de um golpe de estado em setembro de 1969.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Segunda Guerra Mundial marcou o fim do domínio italiano na Líbia. Em 1951, foi proclamada sua independência. Contudo, o governo italiano continuou mantendo relações privilegiadas com sua ex-colônia, com a qual, em 1956, assinou um tratado bilateral.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 1969, o golpe de estado do coronel Muammar Khaddafi provocou mudanças nestas relações. Khaddafi recusou-se a reconhecer a validade do tratado de 1956. Além disso, no ano seguinte, assinou um decreto ordenando o confisco de todos os bens dos italianos residentes em território líbio. No mês seguinte, os italianos foram expulsos.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Após tal reafirmação de nacionalismo, porém, as ligações econômicas entre Líbia e Itália retomaram seu rumo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já em 1978, o primeiro ministro Giulio Andreotti viajava para Trípoli para se encontrar com o coronel Khaddafi e inaugurar oficialmente a amizade entre os dois povos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vinte anos depois, em 1998, foi assinado outro acordo bilateral entre Líbia e Itália. Como premissa dos futuros acordos comerciais, o tratado previa que a Itália renunciasse a reivindicar o respeito do tratado de 1956, pré-Khaddafi. Tal renúncia foi interpretada como um gesto de boa vontade por parte da Itália, em vista dos futuros ganhos econômicos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Durante o governo de Silvio Berlusconi, os gestos de boa vontade em relação ao governo líbio se multiplicaram, não obstante as provocações de Khaddafi. Com efeito, em ocasião de sua primeira visita à Itália, o presidente Khaddafi desceu do avião em alto uniforme, decorado não só de muitas medalhas, mas também da foto de um herói da resistência líbia, o coronel Omar Al-Mukhtar, que expulsou os italianos da província da Cirenaica durante a época da colonização.  O herói foi capturado e justiçado pelos italianos em 1931.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A nova amizade Berlusconi-Kaddhafi foi selada em 2008, quando a Itália assinou com a Líbia um Tratado de Amizade, Associação e Cooperação. O premier Berlusconi pediu perdão a Khaddafi pela ocupação colonial e prometeu indenizar a Líbia com 5 milhões de dólares a serem investidos em novas infraestruturas ao longo de 20 anos. A Itália tornou-se o primeiro parceiro comercial da Líbia, que lhe fornece 20% do petróleo por ela importado além de ser o terceiro fornecedor de gás. Tal acordo parecia ter colocado um fim às divergências entre os dois. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 2010, por ocasião de uma reunião da Liga Árabe, o beijo-mão do premier Berlusconi ao coronel Khaddafi foi por muitos criticado, pois sinalizava a excessiva submissão italiana à sua ex-colônia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tal dependência econômica, no âmbito dos recursos energéticos, pode talvez explicar a indecisão de Berlusconi demonstrada até a véspera da ação punitiva das potências da Otan contra o governo líbio. O peso da aliança com os Estados Unidos e a ajuda econômica vital por parte da União Europeia para com um país, a Itália, em agonia, o convenceram a repudiar Khaddafi, que de líder e amigo transformou-se em poucas horas em “ditador”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4815232339804540996?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4815232339804540996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4815232339804540996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4815232339804540996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4815232339804540996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/09/breve-historia-das-relacoes-entre-libia.html' title='Breve história das relações entre Líbia e Itália'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-wKMZ-qh676Q/TmqeiVhiRrI/AAAAAAAAACg/SHQLiUWgR6g/s72-c/Libia.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-2948590785811562342</id><published>2011-08-26T15:19:00.002-03:00</published><updated>2011-08-26T15:22:16.070-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Liechtenstein'/><title type='text'>Principado de Liechtenstein</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-xQ9KTitu8Ng/TlfkTQ1bukI/AAAAAAAAACY/Yy2sNKNAsPM/s1600/liechtenstein01.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 256px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-xQ9KTitu8Ng/TlfkTQ1bukI/AAAAAAAAACY/Yy2sNKNAsPM/s400/liechtenstein01.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645231677519936066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nessa semana, queremos continuar a nossa volta ao mundo em busca do conhecimento de minúsculos estados, cuja história e origens são por muitos de nós desconhecidas. Falaremos do Principado do Liechtenstein, o quarto maior estado da Europa, com uma superfície de 160 quilômetros quadrados (os três menores da Europa são: o estado da Cidade do Vaticano, 0,44 quilômetro quadrado; o Principado de Mônaco, 1,95 quilômetro quadrado; e a República de San Marino, 61,2 quilômetros quadrados). Localizado entre a Suíça e a Áustria, ele não possui saídas ao mar, não tendo portos. Nem aeroportos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liechtenstein era uma das mais antigas famílias nobres da Áustria. O Principado é uma monarquia constitucional hereditária que governa o país juntamente com um parlamento, cujos membros são eleitos diretamente pelos cidadãos do Liechtenstein. Em 2006, festejou 200 anos de sua soberania, mas sua fundação como Principado é de 1719. Já membro da Confederação do Reno em 1806, integrou, logo depois, a Confederação Germânica até sua dissolução em 1866.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permaneceu ligado ao Império Austríaco até o fim da 1ª Guerra Mundial quando se aproximou da sua outra vizinha, a Suíça, com a qual, em 1923, assinou um dos mais importantes acordos de cooperação, a União Aduaneira. O período entre os dois conflitos mundiais foi marcado por uma grave inundação e por uma crise financeira provocada pela falência de um banco nacional, o que reduziu a zero as finanças nacionais. Graças a uma legislação que garantia o segredo de clientes e contas bancárias, o Principado tornou-se destinação privilegiada de inúmeras empresas, o que permitiu ao país desenvolver uma florescente economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1990, o Liechtenstein passou a ser membro pleno da ONU e, em 1995, ao contrário da Suíça, integrou o Espaço Econômico Europeu (EEE), participando da construção da União Europeia, mas sem perder o direito à sua soberania, o que lhe garante manter soberania fiscal e segredo bancário. Além do EEE, o Principado participa da Confederação sobre Segurança e Cooperação na Europa (CSCE) e de outras organizações internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de suas pequenas dimensões, o Principado de Liechtenstein mantêm suas representações diplomáticas em vários países, como Alemanha, Áustria, Suíça, Estados Unidos, e Estado da Cidade do Vaticano, além de ter missões diplomáticas permanentes em diversas Organizações Intergovernamentais. Se você pensa em viajar para lá a turismo, prepare-se. É um dos lugares mais caros da Europa.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-2948590785811562342?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/2948590785811562342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=2948590785811562342' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2948590785811562342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2948590785811562342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/08/principado-de-liechtenstein.html' title='Principado de Liechtenstein'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-xQ9KTitu8Ng/TlfkTQ1bukI/AAAAAAAAACY/Yy2sNKNAsPM/s72-c/liechtenstein01.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-336630760245185519</id><published>2011-08-12T12:55:00.001-03:00</published><updated>2011-08-12T16:00:12.797-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diplomacia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><title type='text'>Il contributo della diplomazia pontificia</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-YhBUodOGECQ/TkV4MM2QN0I/AAAAAAAAACQ/fdcpsYKrZ1k/s1600/logo_it.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 83px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-YhBUodOGECQ/TkV4MM2QN0I/AAAAAAAAACQ/fdcpsYKrZ1k/s400/logo_it.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5640046259353958210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.social-one.org/it/convegni/seminario-2011/160-il-contributo-della-diplomazia-pontificia.html"&gt;Articolo (in italiano) sulla diplomazia pontificia presentato a Castelgandolfo (Roma) al Seminario Internazionale di Social-One di gennaio 2011.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-336630760245185519?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/336630760245185519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=336630760245185519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/336630760245185519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/336630760245185519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/08/il-contributo-della-diplomazia.html' title='Il contributo della diplomazia pontificia'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-YhBUodOGECQ/TkV4MM2QN0I/AAAAAAAAACQ/fdcpsYKrZ1k/s72-c/logo_it.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-2921001536616838751</id><published>2011-08-12T09:40:00.001-03:00</published><updated>2011-08-12T09:43:22.500-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fronteira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espanha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Andorra'/><title type='text'>O principado de Andorra</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zZ6Yai6AwEE/TkUfwSell-I/AAAAAAAAACI/IOTEDhS04V4/s1600/Andorra-map-03.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 322px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-zZ6Yai6AwEE/TkUfwSell-I/AAAAAAAAACI/IOTEDhS04V4/s400/Andorra-map-03.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5639949022805727202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A fundação do Principado de Andorra, pequeno território de 468 quilômetros quadrados localizado entre a França e a Espanha, próximo aos Montes Pireneus, deve ser procurada na época da dinastia Carolíngia, em 805 d.C. Criado por Carlos Magno como estado-tampão, serviu para a defesa do território francês contra o avanço dos Mouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século 9, o senhor de Urgel recebeu a senhoria de Andorra. Em seguida, seus descendentes doaram o território ao bispo de Urgel que se tornou, de fato, o administrador de Andorra. Para se defender das invasões dos vários senhores feudais, o bispo de Urgel apelou às milícias da família Caboet, a qual se declarou vassala do Bispo.&lt;br /&gt;O poder episcopal sobre Andorra continuou durante a Idade media. O bispo Ponzio de Villamet, em 1231, organizou em Andorra a primeira administração política e judiciária. Logo depois, em 1278, foi assinado um acordo entre o bispo e o os descendentes da família de Caboet, os Condes de Foix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal acordo visava resolver a disputa do território de Andorra entre França e Espanha, reconhecendo definitivamente que a administração da senhoria de Andorra caberia às duas partes, os condes de Foix e o bispo de Urgel. O acordo foi confirmado pelo então papa Martino 5º e pelo rei espanhol, Pedro de Aragão. Tal situação permaneceu intacta ao longo dos séculos. A única diferença é que a soberania dos condes de Foix passou ao governo francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo de Andorra ainda hoje é um co-principado, com dois chefes de estado, o bispo de Urgel e o presidente da república Francesa. Os co-príncipes convocam as eleições gerais, credenciam as representações diplomáticas, autorizam e promulgam as leis. Contudo, o poder é exercido, de fato, por um conselho geral que reúne os representantes das sete municipalidades que constituem o território de Andorra.&lt;br /&gt;O conselho geral exerce o poder legislativo e aprova o orçamento estatal. Os conselheiros são eleitos por todos os cidadãos de Andorra a cada quatro anos. A primeira Constituição escrita do principado de Andorra foi aprovada apenas em 1993. Andorra tornou-se, dessa forma, um estado independente de direito, democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra peculiaridade de Andorra é que as sete municipalidades (Andorra La Vella, Canillo, Encamp, Ordino, Escaldes-Engordany, La Massana, Sant Julia de Lòria), são chamadas também de paróquias e desempenham uma função tanto eclesiástica quanto civil. Apesar de ter como um dos seus chefes de estado o presidente da França, a língua oficial é o catalão. O principado de Andorra não é um estado confessional, mas a religião católica é a principal do país. Sua economia funda-se no comércio e no turismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-2921001536616838751?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/2921001536616838751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=2921001536616838751' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2921001536616838751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2921001536616838751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/08/o-principado-de-andorra.html' title='O principado de Andorra'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-zZ6Yai6AwEE/TkUfwSell-I/AAAAAAAAACI/IOTEDhS04V4/s72-c/Andorra-map-03.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4630695229188377218</id><published>2011-07-05T09:06:00.002-03:00</published><updated>2011-07-05T09:09:17.577-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fronteira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='San Marino'/><title type='text'>San Marino, a menor e mais antiga das repúblicas da Europa.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-TTiV1Ln0E0g/ThL-5THziZI/AAAAAAAAACA/g4lC8ETwpfs/s1600/SanMarinoMap.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-TTiV1Ln0E0g/ThL-5THziZI/AAAAAAAAACA/g4lC8ETwpfs/s400/SanMarinoMap.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625839144878180754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, em aula sobre História das Relações Internacionais, enquanto se falava do processo de unificação da Itália, um dos estudantes perguntou-me por que a República de San Marino não foi anexada ao resto da Itália. Admiti que desconhecia essa parte da história. A saudável curiosidade dos meus estudantes obrigou-me a pesquisar um pouco sobre esse Estado em miniatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo, para quem não conhece a República de San Marino, ela está localizada na Itália central, mais em direção ao norte do país entre as regiões Emilia-Romagna e Marche, ambas banhadas pelo mar Adriático.  San Marino tem uma superfície de cerca de 60 quilômetros e uma população de 30 mil habitantes. A capital tem o mesmo nome e foi erguida ao redor do Monte Titano, alto 739 metros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à data de sua fundação, devemos voltar muito atrás no tempo e procurar suas origens no ano 301 d.C., quando um cortador de pedras, chamado Marino, escapou das perseguições contra os cristãos e fundou uma comunidade cristã no Monte Titano.  A lenda conta que foi uma rica senhora a doar o território do Monte Titano para ajudar na fundação desta comunidade religiosa, pois Marino teria ajudado a salvar a vida de seu filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de morrer, o fundador dessa comunidade religiosa, que foi denominado o Santo, teria pronunciado a seguinte frase: “Relinquo vos líberos abutroque homine” (Vos deixo livres de um e do outro homem), aludindo à autonomia do território das duas autoridades que existiam na época, o Imperador e o Papa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esta frase nunca tenha sido pronunciada, mas certamente sua transmissão serviu como seguro fundamento para manter tal autonomia frente às circunstâncias históricas que ameaçariam sua independência. Em 1291, em plena Idade Média, o papa Nicola IV, cujos territórios eram limítrofes a San Marino, reconheceu a existência desse território como Estado autônomo. Ao longo de sua história, San Marino foi ameaçada e correu o risco de perder sua autonomia. Contudo, através de tratados e alianças conseguiu se manter independente, tornando-se, na época napoleônica, um modelo para as novas repúblicas, principalmente a francesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sendo uma república, San Marino era governada por um pequeno número de famílias que detinha a maioria das riquezas. Mesmo assim, ela não pertencia às monarquias consideradas reacionárias. De fato, no período que antecedeu a unificação italiana, a República de San Marino ajudou os movimentos revolucionários e concedeu asilo político a Giuseppe Garibaldi que, com suas tropas, fugia de Roma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente, foi por essa razão que a República de San Marino não foi anexada ao território italiano nem em 1861, quando foi proclamada a unidade da Itália, nem em 1870, quando foi anexada a cidade de Roma, completando a unificação.  Era um território já independente, livre da dominação de qualquer potência e assim foi respeitada pelo governo italiano. Contudo, ela participou e continua participando das vicissitudes políticas da Itália moderna e contemporânea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moeda usada é o euro, a língua oficial é o italiano. Entre a Itália e a República de San Marino é possível transitar livremente, não existem formalidades de fronteira. Trata-se de uma fronteira aberta, uma das poucas no mundo, como ocorre entre Santana do Livramento e Rivera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4630695229188377218?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4630695229188377218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4630695229188377218' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4630695229188377218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4630695229188377218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/07/san-marino-menor-e-mais-antiga-das.html' title='San Marino, a menor e mais antiga das repúblicas da Europa.'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-TTiV1Ln0E0g/ThL-5THziZI/AAAAAAAAACA/g4lC8ETwpfs/s72-c/SanMarinoMap.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7670063373680850264</id><published>2011-07-01T07:11:00.000-03:00</published><updated>2011-07-01T10:02:22.750-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><title type='text'>Acordo Brasil - Santa Sé (partes I e II)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-r7BadQQqP8s/TfE36jxpjbI/AAAAAAAAAB4/wYODebtnnKs/s1600/lula%2Be%2Bpapa.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 286px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-r7BadQQqP8s/TfE36jxpjbI/AAAAAAAAAB4/wYODebtnnKs/s400/lula%2Be%2Bpapa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616331689483144626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo atrás, ministrei na Universidade Federal de Santa Maria uma palestra sobre a Diplomacia da Santa Sé para acadêmicos de Relações Internacionais. Ao terminar a palestra, entre as várias perguntas que me fizeram, um estudante levantou o questionamento sobre a utilidade do Acordo que, em 2008, o Brasil assinara com a Santa Sé. Respondi que ainda não tinha lido o Acordo integralmente e prometi que, após ter aprofundado o argumento, iria responder à pergunta. Semana passada, adquiri um livro - publicado recentemente pelo Núncio Apostólico de Brasília, Dom Lorenzo Baldisseri - sobre o argumento. O título do livro é: Diplomacia Pontifícia: Acordo Brasil - Santa Sé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dom Lorenzo Baldisseri, Núncio Apostólico em Brasília (ou seja, Embaixador da Santa Sé junto ao Brasil) desde 2002, foi quem conseguiu realizar um sonho que a Igreja Católica, há décadas, tentava realizar. Em poucas palavras, o Acordo apenas ratificou o que já existia no Brasil, regulamentando a atuação da Igreja Católica em território nacional. Até então, de fato, não existia um acordo específico referente à Igreja Católica, mas apenas a todas as instituições religiosas no país.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Antes, porém, de falar do acordo Brasil - Santa Sé é importante conhecer algumas das etapas mais importantes da história das relações entre Brasil e Santa Sé que teve seu início oficial com o estreitamento das relações diplomáticas em 23 de janeiro de 1826, um ano depois que a Santa Sé reconhecera a independência do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1824, a Constituição brasileira formalizou o Padroado que reconhecia a religião católica como religião do Império (Art. 5. A Religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a Religião do Império. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu culto doméstico, ou particular em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior do Templo). Naturalmente, essa concessão por parte do Império, permitia ao governo imperial interferir na nomeação dos prelados católicos no Brasil, aliás, cabia ao Imperador nomear e sustentar os membros da Igreja Católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, todos os documentos emitidos pela Santa Sé, só entrariam em vigor após a aprovação do imperador. Isso gerou não poucos atritos entre as partes. Contudo, o período mais crítico das relações entre o Brasil e a Santa Sé, durante o século XIX, relacionou-se com a assim chamada “questão religiosa”. Em 1864, o papa Pio IX emitiu a Bula Syllabus, com a qual proibia a participação de todos os católicos em sociedades maçônicas, sob pena de excomunhão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dom Pedro II, o então imperador, rebelou-se a tal proibição, com um decreto com o qual não reconhecia tal imposição por parte da Santa Sé.  Os únicos bispos que se alinharam à decisão da Santa Sé foram os de Olinda e Belém, os quais ordenaram aos sacerdotes de suas dioceses de deixar imediatamente a maçonaria.  Dom Pedro II, num primeiro momento, deu a ordem de prender os bispos insurgentes. Isso, porém, gerou uma rebelião por parte do clero católico que o obrigou a anular sua decisão e que marcou um impasse nas relações entre o império e a Igreja Católica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a proclamação da República, em 1889, que colocou fim ao sistema do Padroado, se estabeleceu a divisão entre Estado e Igreja. Um Decreto de 1890 consagrava a liberdade de culto e reconhecia personalidade jurídica a todas as igrejas e confissões. Desde então a igreja católica vinha ensaiando um novo acordo com o Brasil, que tratasse de forma específica de suas relações com o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a década de 50, a igreja católica tentou formalizar um acordo específico com o Brasil. Em 1989, foi assinado, por exemplo, um Acordo entre a Santa Sé e o Brasil que regulamentava de forma específica a assistência religiosa às Forças Armadas. Contudo, isso não exauria as exigências da igreja em relação às numerosas atividades desenvolvidas no território brasileiro. Em 2003, começaram a ser avaliadas as possibilidades de finalmente se estabelecer um acordo específico. Em 2006, foram iniciadas as tratativas oficiais para se criar um estatuto jurídico próprio da igreja católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assinatura do acordo ocorreu em novembro de 2008. Tal acordo foi em seguida ratificado pelo congresso, em outubro de 2009. Mas qual seu significado? Por que a igreja queria tanto um acordo desse tipo, levando em conta as relações pacíficas entre as partes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O núncio do Brasil, Lorenzo Baldisseri, explicou nestes termos o porquê de tal acordo: “Consolida e sistematiza várias normas que foram sendo incorporadas ao direito brasileiro a esse respeito e as eleva ao status de normas de direito internacional. Concretiza e tutela o princípio da liberdade religiosa no Brasil. Trata-se de um marco importante para a segurança e o desenvolvimento das relações da igreja católica e de outras religiões também com os poderes públicos do Brasil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os pontos principais do acordo, está: o ensino da religião nas escolas públicas, que continua facultativo; o direito de dar assistência espiritual estável aos fiéis nas instituições de saúde, penitenciárias; a paridade escolar às escolas católicas; a colaboração com as instituições públicas nos campos cultural e artístico; a extensão à igreja dos amplos benefícios legais reconhecidos no Brasil a entidades filantrópicas, não apenas de caráter fiscal; os efeitos civis do matrimônio religioso e sua anulação; etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto Carvalho, que ocupava o cargo de chefe do gabinete da presidência, acompanhou passo a passo o desenvolvimento do acordo. E afirmou: “O andamento rápido das tratativas demonstrou a boa disposição do governo, assim como demonstrou também que não existiam, por parte do governo, objeções radicais a respeito da substância da proposta apresentada pela Santa Sé. Por um motivo muito simples: o ponto substancial, fundamental dessa proposta, é o reconhecimento jurídico da igreja, o estatuto jurídico civil da igreja e de todas as suas instituições. E isso não constitui um problema, na medida em que está previsto pela nossa legislação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto Carvalho lembrou ainda que acordos desse tipo “são rotineiros para a Santa Sé, independentemente da confissão religiosa majoritária nesses países ou de seus governos. A Venezuela e a Argentina, por exemplo, já têm acordos com a Santa Sé, assinados em 1964 e 1966, respectivamente. E não são os únicos na América Latina. A Colômbia, o Peru, o Equador, a República Dominicana e o Haiti também já assinaram concordatas semelhantes. Nada de novo, portanto, no caso do Brasil”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7670063373680850264?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7670063373680850264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7670063373680850264' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7670063373680850264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7670063373680850264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/06/acordo-brasil-santa-se-parte-i.html' title='Acordo Brasil - Santa Sé (partes I e II)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-r7BadQQqP8s/TfE36jxpjbI/AAAAAAAAAB4/wYODebtnnKs/s72-c/lula%2Be%2Bpapa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-6631542787017167051</id><published>2011-05-24T17:09:00.003-03:00</published><updated>2011-05-24T17:22:09.886-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>A ascensão pacífica da China</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-X0ronYCKWS0/TdwRxferw7I/AAAAAAAAABs/cifTSOQSExM/s1600/PEKIN_-_Capital_da_China_.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 265px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-X0ronYCKWS0/TdwRxferw7I/AAAAAAAAABs/cifTSOQSExM/s400/PEKIN_-_Capital_da_China_.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5610378777758254002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desde 1978, ano que marcou o fim do isolamento chinês e a inauguração da política de portas abertas de Deng Xiaoping, passaram-se já três décadas. Nesses trinta anos, a China evoluiu interna e internacionalmente, deixando de ser país periférico para ingressar no grupo dos países emergentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo já ultrapassado seus limites regionais, o gigante asiático mostra vontade de participar de forma mais afirmativa também da governança compartilhada do mundo. Contudo, pairam no ar diversos questionamentos sobre o tipo de influência que a China deseja alcançar num futuro próximo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso da “ameaça chinesa” surgido nos anos de 1990, a crise financeira asiática de 1997 e a difusão da SARS em 2002 forçaram, de certa forma, as autoridades chinesas a se manifestar acerca de seu papel no âmbito internacional. Buscando as origens do conceito de “ascensão Pacífica”, descobri que essa teoria começou a tomar forma justamente na última década do séc. XX quando o gigante asiático buscava melhorar sua imagem internacional e conquistar novamente a confiança de seus vizinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo conceito de “ascensão Pacífica” debruçou-se assim no novo século com a intenção de inaugurar uma nova estratégia da China em relação ao mundo externo. Ele foi anunciado oficialmente durante o Boao Forum no final de 2003. Lembramos que o Boao Forum é uma ONG cuja sede encontra-se na ilha de Hainan (no sul da China) e que nasceu com o objetivo de dar mais voz aos atores asiáticos para além das instituições políticas e econômicas já existentes como a APEC (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No discurso de lançamento da nova teoria, Zheng Bijian, o então presidente do China Forum Reform, indicava que sua atuação visava melhorar a participação da China no processo de globalização econômica, sublinhando o fato de que não era de interesse do país uma expansão ao externo. Ascensão, portanto, não era sinônimo de expansão colonialista como significou para outros países no passado, mas enquadrava-se num conceito mais amplo de “segurança coletiva” em vista de uma sempre maior estabilização política da região asiática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, com o passar do tempo, as autoridades chinesas, percebendo que a palavra “ascensão” suscitava perplexidades e até sentimentos de ameaças nos países vizinhos, decidiram substituir oficialmente a palavra “ascensão” por desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Livro Branco de 2005, intitulado “Desenvolvimento Pacífico da China”, o governo chinês sinalizou que a paz é o único caminho possível para o desenvolvimento chinês, evidenciando a cooperação mútua e a boa vizinhança internacional como termos estratégicos para seu crescimento internacional. A escolha da palavra desenvolvimento, mais neutra que a palavra ascensão, faz parte da estratégia chinesa de evitar atritos inúteis com os seus interlocutores internacionais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-6631542787017167051?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/6631542787017167051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=6631542787017167051' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6631542787017167051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6631542787017167051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/05/ascensao-pacifica-da-china.html' title='A ascensão pacífica da China'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-X0ronYCKWS0/TdwRxferw7I/AAAAAAAAABs/cifTSOQSExM/s72-c/PEKIN_-_Capital_da_China_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-3871262071920334582</id><published>2011-05-18T19:49:00.003-03:00</published><updated>2011-05-18T19:57:09.604-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='João Paulo II'/><title type='text'>João Paulo II, o papa vindo do Leste</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-7YdFQu5q7rE/TdRNzbIGbuI/AAAAAAAAABk/F8bIX5v0Sno/s1600/jpaulo%2BII.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 225px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-7YdFQu5q7rE/TdRNzbIGbuI/AAAAAAAAABk/F8bIX5v0Sno/s400/jpaulo%2BII.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608192981833510626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No dia 01 de maio, o papa Bento XVI proclamou bem-aventurado seu predecessor, o papa João Paulo II, falecido em 2005, apenas seis anos atrás. No dia dos seus funerais, muitas pessoas reunidas na praça, especialmente jovens, gritavam “Santo súbito (Santo já)” pedindo sua canonização o quanto antes. O reconhecimento por parte do povo da santidade de uma pessoa é um dos requisitos para abrir o processo de canonização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Paulo II conquistou o coração de muitos durante seu pontificado, até os italianos se deixaram fascinar por esse papa vindo do leste europeu. Digo até os italianos, pois sua eleição foi um verdadeiro choque para o país. Lembro-me ainda aquele famoso dia 06 de outubro de 1978. Estava com minha mãe caminhando numa avenida próxima à Praça São Pedro, quando a cidade pareceu enlouquecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ao meu redor começaram a gritar: “Elegeram o papa, é estrangeiro, o papa é estrangeiro”. Minha mãe e eu começamos a correr em direção à Praça, chegando a tempo para ver o papa estrangeiro se debruçar pela primeira vez da janela papal e pronunciar suas primeiras palavras num italiano incerto: “Non so se posso bene spiegarmi nella vostra... nostra lingua italiana. Se mi sbaglio, mi corrigerete (Não sei se posso me explicar bem na vossa... nossa língua italiana. Se errar, vocês irão me corrigir)”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O forte aplauso que seguiu dizia que o papa estrangeiro acabara de ganhar a simpatia do povo romano que daquele momento em diante o acompanhou ao longo de todo seu pontificado, mesmo tendo dificuldade em pronunciar seu nome, Karol Wojtyla, o primeiro estrangeiro a governar o Vaticano após 455 anos de monopólio dos italianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em 18 de maio de 1920, em Wadowice, a 50 km da capital Cracóvia, Karol Wojtyla era filho de um costureiro, que militou no exército austríaco e depois no polonês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 09 anos, Karol perdeu a mãe e, logo depois, o irmão. Aos 21 anos perdeu o pai. A guerra interrompeu os seus estudos universitários, obrigando-o a trabalhar como operário. Em 1942, seguindo a sua vocação ao sacerdócio, entrou no seminário e começou os estudos de Teologia. Terminados os estudos partiu para Roma, onde obteve o Doutorado em Teologia. Em seu retorno, trabalhou como docente no Seminário de Cracóvia e na Universidade Católica de Lublin. Em 1958, foi nomeado pelo Papa Pio XII bispo de Ombi e auxiliar de Cracóvia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, em 1962, morreu o arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyla foi nomeado no seu lugar. Nesta veste foi chamado a participar dos trabalhos do Concílio Vaticano II. Ali se distinguiu pelas suas contribuições sobre o tema da liberdade religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1967, foi nomeado Cardeal pelo Papa Paulo VI. Dois anos depois, ele fez falar de si quando, opondo-se à proibição do governo comunista de construir novas igrejas, colocou a primeira pedra na a construção da Igreja de Nova Huta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A surpresa dos católicos do mundo inteiro com a eleição de Karol Wojtyla foi grande. Todavia, a escolha de um papa que vinha do Leste Europeu não parecia feita por acaso, se analisarmos a conjuntura geopolítica da época. Aos olhos dos países ocidentais, o perigo maior provinha justamente do Leste, da hegemonia soviética. Karol Wojtyla havia nascido em um país que, mesmo sendo dirigido por um governo ateu, contava com a maior concentração de católicos entre a sua população. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, quase 90% de sua população eram católicos. A esperança de quem o tinha elegido era que o novo papa combatesse o comunismo soviético favorecendo os países ocidentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, em parte, o que aconteceu em seguida lhes deu razão. Com efeito, João Paulo II não poupou esforços no combate ao comunismo, apoiando abertamente o movimento Solidarnosc na Polônia e aproximando-se do governo dos Estados Unidos, por meio do diálogo com o polonês Zbigniew Brzezinski, Assessor de Segurança do governo Carter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1981, durante uma audiência na Praça de São Pedro, enquanto saudava os peregrinos do mundo inteiro, João Paulo II sofreu um atentado por parte de um terrorista turco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hipótese de responsabilidade soviética era a mais evidente, visto o engajamento do papa contras os regimes ditatoriais de esquerda. Todavia, as verdadeiras causas do atentado nunca foram esclarecidas totalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da queda do Muro de Berlim, em 1989, e do socialismo real nos países do Leste Europeu João Paulo II mudou o alvo de suas críticas, dirigindo a sua atenção e os seus protestos ao Ocidente e combatendo o capitalismo selvagem, que estava destruindo os valores e as raízes cristãs da Europa e dos países ocidentais. Poucos anos depois que o comunismo desmoronou no Leste, em uma das suas tantas viagens à Polônia, ele chamou a atenção dos seus compatriotas, mostrando-se decepcionado pela atitude do seu próprio país em relação à liberdade que poderiam ter conquistado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo ele, de fato, os poloneses haviam passado de um sistema totalitário a outro, o sistema capitalista ocidental, deixando-se escravizar pelos laços do consumismo, do hedonismo e do individualismo, típicos do ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as suas inúmeras viagens no mundo todo ele quis conhecer pessoalmente a vida das Igrejas locais e os seus problemas, manifestando abertamente o seu dissenso, quando considerava necessário. Lembramos, neste caso, das visitas na América Central, onde chamou a atenção dos padres que haviam se envolvido com o marxismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Paulo II recebeu 38 visitas oficiais, 738 audiências ou encontros com Chefe de Estados, 246 audiências ou encontros com Primeiros Ministros, nas quais ele não deixou de manifestar suas convicções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu pontificado deu impulso ao diálogo com as grandes religiões, sobretudo com o mundo hebraico. Foi, porém, intransigente em relação a questões de bioética. O atentado sofrido deixou graves sequelas na sua saúde, mas isto não o impediu de continuar governando a Igreja Católica. Ao invés de enfraquecê-lo, as doenças, que ele não fazia questão de esconder, atraíram a simpatia e a admiração de católicos e não católicos, especialmente dos jovens, que se deixaram seduzir pela sua vivacidade, expressa não somente em palavras, mas com gestos “quase” teatrais, herança da sua paixão pelo teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visibilidade foi uma característica inegável do seu pontificado, que ele realizou usando todos os meios de comunicação, tornando, desta forma, a Igreja Católica protagonista do cenário mundial. Fato este comprovado nos dias da celebração de sua morte, pela participação dos líderes mundiais quase que ao completo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-3871262071920334582?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/3871262071920334582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=3871262071920334582' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3871262071920334582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3871262071920334582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/05/joao-paulo-ii-o-papa-vindo-do-leste.html' title='João Paulo II, o papa vindo do Leste'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-7YdFQu5q7rE/TdRNzbIGbuI/AAAAAAAAABk/F8bIX5v0Sno/s72-c/jpaulo%2BII.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-8906183184087036126</id><published>2011-04-14T16:28:00.004-03:00</published><updated>2011-04-14T16:40:19.794-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='BRICS'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>Dilma Rousseff participa da terceira cúpula dos BRICS na China</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Nx5Il-IDxTg/TadMKw45wII/AAAAAAAAABU/_8sxzUFsoo4/s1600/dilma_china.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Nx5Il-IDxTg/TadMKw45wII/AAAAAAAAABU/_8sxzUFsoo4/s400/dilma_china.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5595524809837101186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dia 13 de abril de 2011, quarta-feira, a presidente Dilma viajou de Pequim à cidade de Sanya, na ilha de Hainan, sul da China, onde no dia seguinte se realizou a reunião do grupo dos BRICS. A presidente Dilma transcorreu dois dias na capital chinesa junto com mais de trezentos empresários brasileiros, assinando acordos de cooperação em âmbito econômico e tecnológico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visita da presidente Dilma visava também permitir um salto de qualidade nas relações sino-brasileiras que tiveram seu início oficial em 1974. Foram discutidos temas como diversificação nas exportações brasileiras para a China incluindo produtos de maior valor agregado, maior cooperação no âmbito da agricultura, da energia. A China planeja realizar investimentos no Brasil por um valor de 1 bilhão de dólares. Ao lado das relações bilaterais, China e Brasil manifestaram o desejo de uma maior cooperação também nas relações multilaterais no âmbito de grupos de trabalho como o G-20 e o grupo dos BRICS. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo dos BRICS reúne atualmente os cinco maiores países emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que passou a integrar o grupo no ano passado. A entrada da África do Sul foi oficializada nessa cúpula de 2011, onde a sigla inicial do grupo passou de BRIC para BRICS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sigla BRIC foi cunhada pelo economista americano Jim O’Neil, em 2001. Em apenas dez anos aquela que parecia ser apenas uma sigla, tornou-se um grupo de grande influência no cenário mundial. Em 2010, o grupo dos BRIC contribuiu por mais de 60% do crescimento econômico global. O comércio entre os membros do grupo cresceu a uma média anual de 28% entre os anos de 2001 a 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cúpula de Sanya foi, portanto, a primeira para África do Sul, cuja presença garantiu maior representatividade em nível mundial.&lt;br /&gt;Coincidentemente, este ano todos os cinco países dos BRICS fazem parte do Conselho de Segurança da ONU, mesmo se apenas a Rússia e a China possuem direito de veto. Isso levou os países a ocuparem-se não apenas de temas voltados ao comércio ou crise financeira, mas, também, das crises políticas do mundo atual, com especial atenção ao norte da África e Oriente Médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente chinês, durante seu discurso de abertura da cúpula, sublinhou a tendência atual à construção de um mundo multipolar caracterizado pela globalização econômica. A partir dessa constatação, ele lançou uma pergunta: “Como fazer para que o século 21 seja um século tranquilo e pacífico no qual a humanidade possa usufruir de uma prosperidade comum?”. Ele fez questão de lembrar, em vários trechos do discurso, que a paz e a estabilidade são pré-requisitos e bases indispensáveis para o desenvolvimento. O presidente Hu Jintao acrescentou que “os países estão agora mais interconectados e interdependentes do que nunca. O futuro e o destino de um país estão sempre mais ligados aos outros. Trabalhar juntos é servir aos interesses comuns de todos os países”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compartilhando a ideia do presidente chinês, Dilma Roussef, no seu discurso, afirmou que “a agenda dos BRICS não se define por oposição a nenhum outro grupo. Queremos agregar. Somos a favor de um mundo multipolar, sem hegemonias nem zonas de influência”. O próximo compromisso da presidente Dilma é participar do Fórum de Boao para a Ásia, uma organização não governamental criada em 1998, com sede na China, que é considerada o correspondente asiático de Davos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-8906183184087036126?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/8906183184087036126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=8906183184087036126' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8906183184087036126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8906183184087036126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/04/dilma-rousseff-participa-da-terceira.html' title='Dilma Rousseff participa da terceira cúpula dos BRICS na China'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Nx5Il-IDxTg/TadMKw45wII/AAAAAAAAABU/_8sxzUFsoo4/s72-c/dilma_china.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4408864143078619771</id><published>2011-04-07T10:08:00.002-03:00</published><updated>2011-04-07T10:13:21.811-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sérgio Vieira de Mello'/><title type='text'>Homenagem italiana ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Sz58fzayx7s/TZ24a7KyHGI/AAAAAAAAABM/d8NJr1nwY98/s1600/sergio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 385px; height: 185px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Sz58fzayx7s/TZ24a7KyHGI/AAAAAAAAABM/d8NJr1nwY98/s400/sergio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592829084963052642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No dia 15 de março, realizou-se, na cidade italiana de Bolonha, uma cerimônia oficial de dedicação de uma praça da cidade ao diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, nascido no Rio de Janeiro em 1948 e falecido em Bagdá (Iraque), em 2003, liderando uma missão da ONU no país devastado pela guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participou da cerimônia, além das autoridades municipais, também o Embaixador Lamberto Zannier, Representante Especial do Secretário Geral da ONU e Chefe da Missão das Nações Unidas no Kosovo (UNMIK). Um gesto benévolo, por parte do governo italiano em relação ao Brasil, país com o qual a Itália está tendo algumas dificuldades em relação ao conhecido caso Battisti. No caso da homenagem ao diplomata brasileiro, contudo, não há divergência alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Vieira de Mello é reconhecido mundialmente como promotor da paz e defensor das populações mais atingidas pelas guerras. A decisão de homenagear o diplomata foi motivada pela admiração que sempre suscitou este alto funcionário da ONU, dotado de grande cultura, inteligência, generosidade e empenho em favor da paz, da justiça, dos direitos humanos e dos povos. Segundo o representante do município de Bolonha, sede de uma das mais antigas universidades do mundo, “Sérgio Vieira de Mello é um homem que deixou um marco profundo na história das Nações Unidas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filho de diplomata, Sérgio começou a trabalhar na ONU enquanto estudava filosofia na Universidade de Paris, onde o pai tinha se refugiado durante a ditadura militar. Começou a trabalhar junto ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR) na cidade de Genebra, na Suíça. Dali em diante, os países que ele escolhia para exercer suas funções foram os mais caracterizados por conflitos ou pobreza, Bangladesh, Sudão, Chipre, Moçambique, Líbano, Camboja, Bósnia, Congo, Kosovo, Timor Leste, e Iraque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos estes países passaram por guerras civis devastadores, onde a inexistência de um governo institucional impedia a garantia de segurança às suas populações. Nessas situações, Sérgio Vieira de Mello incansavelmente procurava promover o diálogo entre todos os atores do conflito, dos ditadores aos rebeldes. No período anterior à sua morte, seu nome estava sendo cogitado para o cargo de Secretário Geral da ONU. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a primeira vez que isso acontecia com um brasileiro. Após sua morte, parentes e amigos criaram a Fundação Sérgio Vieira de Mello (www.sergiovdmfoundation.org) para que o legado deixado por esse brasileiro não se perdesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Sérgio estivesse ainda vivo, tenho certeza que ele estaria agora na Líbia, empenhado em salvaguardar o direito à vida das populações capturadas mais uma vez pelos horrores da guerra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4408864143078619771?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4408864143078619771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4408864143078619771' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4408864143078619771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4408864143078619771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/04/homenagem-italiana-ao-brasileiro-sergio.html' title='Homenagem italiana ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Sz58fzayx7s/TZ24a7KyHGI/AAAAAAAAABM/d8NJr1nwY98/s72-c/sergio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-3329217523239677743</id><published>2011-03-18T14:20:00.001-03:00</published><updated>2011-03-18T14:23:16.089-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Roma'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><title type='text'>A unificação italiana e o fim dos estados pontifícios</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-B6lDSr_u35I/TYOU7vtYIjI/AAAAAAAAABE/-jx_OY1zzEU/s1600/mapa-do-vaticano-2.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 313px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-B6lDSr_u35I/TYOU7vtYIjI/AAAAAAAAABE/-jx_OY1zzEU/s400/mapa-do-vaticano-2.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585471717009531442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ontem a Itália festejou os 150 anos de sua unificação. Contudo, em 1861, o país não estava completo. Faltavam-lhe ainda dois territórios: a região do Vêneto, que ainda pertencia ao Império Austríaco e que foi anexada à Itália em 1866, e os Estados Pontifícios, governados, na época, pelo papa Pio 9, que ocupavam o território que corresponde à atual região do Lazio. A proclamação do Reino de Itália, em 1861, foi percebida pela Santa Sé como um sinal de alarme, pois o poder temporal da igreja tinha os dias contados. Já no início de 1861, o primeiro ministro italiano Camilo Benso, Conte de Cavour, que liderou o governo italiano de 1852 a 1861, enviara seus representantes a Roma para tentar, por meio de tratativas secretas, convencer o papa a renunciar ao poder temporal, prometendo em troca liberdade plena para a igreja. A ideia de que a renúncia ao poder temporal pudesse beneficiar a Santa Sé encontrava o apoio não apenas dos católicos italianos, como também de alguns setores do clero.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A recusa do papa&lt;br /&gt;Quanto ao papa, ele recusou-se de entregar livremente os territórios que pertenceram há séculos à igreja católica. Provavelmente, mesmo sabendo que o fim era próximo, Pio 9 não queria ser lembrado como o papa que se entregara ao poder civil. A história da igreja era repleta de ingerências do estado nos assuntos eclesiásticos e o papa sabia que se possuísse um território isso poderia garantir a plena independência. A situação dos Estados Pontifícios era crítica. Após os ataques das tropas de Garibaldi, permanecia nas mãos do pontífice apenas a cidade de Roma e a parte mais antiga do patrimônio de São Pedro. Em 1870, quando eclodiu a guerra franco-prussiana, a França retirou definitivamente seu apoio ao papa. As tropas francesas foram chamadas de volta. A estrada estava livre. Diante da expedição piemontesa liderada pelo General Cadorna, o papa se rendeu em 20 de setembro de 1870. No ano seguinte, em 1871, o rei Vitório Emanuel estabeleceu sua residência oficial no palácio do Quirinale, que até então hospedava o papa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão Romana&lt;br /&gt;Com a extinção dos Estados Pontifícios, o rei declarou inviolável a pessoa do papa - considerado súdito italiano -, e concedia-lhe os palácios do Vaticano, o do Latrão e de Castel Gandolfo, acrescentando uma renda anual de 3,225 milhões de Liras. Além disso, permitia ao papa de exercer o direito de legação ativa e passiva, ou seja, reconhecia à Santa Sé a legitimidade de manutenção de sua rede diplomática. Considerando tais leis como um ato unilateral, Pio 9 as rejeitou, recusou a indenização oferecida e proibiu os católicos de participar das eleições políticas (non expedit). Pio 9 declarou-se prisioneiro no Vaticano. Faleceu alguns meses após a morte do rei Vitório Emanuel, no dia 7 de fevereiro de 1878. Começava, assim, a chamada “Questão Romana”, que só seria resolvida em 11 de fevereiro de 1929, com a assinatura dos Acordos de Latrão entre o papa Pio 9 e o ditador fascista Mussolini, quando a igreja católica recebeu os territórios que lhe permitiram tornar-se um estado, mesmo se pequeno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-3329217523239677743?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/3329217523239677743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=3329217523239677743' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3329217523239677743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3329217523239677743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/03/unificacao-italiana-e-o-fim-dos-estados.html' title='A unificação italiana e o fim dos estados pontifícios'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-B6lDSr_u35I/TYOU7vtYIjI/AAAAAAAAABE/-jx_OY1zzEU/s72-c/mapa-do-vaticano-2.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4187481462529524242</id><published>2011-02-22T18:00:00.004-03:00</published><updated>2011-02-22T18:13:10.680-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><title type='text'>Entre sombras e luzes a Itália festeja 150 anos de unidade nacional</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-y4Ss3yxRUww/TWQk-9nPLxI/AAAAAAAAAA8/N45M0-yM4PY/s1600/Musei-Risorgimento_italiano.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 376px; height: 294px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-y4Ss3yxRUww/TWQk-9nPLxI/AAAAAAAAAA8/N45M0-yM4PY/s400/Musei-Risorgimento_italiano.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576622902701141778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fazia três anos que não viajava para a Itália, a saudade era grande, não apenas da família e dos amigos, mas também da minha pátria. É verdade que nesses 14 anos de Brasil adotei outra pátria bem maior e muito mais jovem que meu país de origem, mas de vez em quando é bom voltar às próprias origens, pisar nos lugares da infância, lembrar para fazer um balanço da própria vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Férias servem também para isso. Pena que a Itália que encontrei não esteja vivendo uma das suas melhores fases, aliás, acho que, há mais de dez anos, todo ano ela desce um degrau rumo ao fundo do poço, ao menos no que diz respeito ao lado político e econômico. Com efeito, existem duas Itálias, a Itália do turismo, dos lugares encantadores, do sol, do mar, das artes, da música que, por sorte, nunca haverá de sofrer, pois seu fascínio continua incorrupto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra Itália, aquela dos políticos, parece não ter solução. Há 14 anos temos um primeiro-ministro vai e vem, Silvio Berlusconi, que infelizmente é conhecido no mundo inteiro não pelo sucesso de sua estratégia política, mas pelas gafes diplomáticas, pelas televisões que possui e por meio das quais chega forçadamente nas casas de todos os italianos, pelas suas mansões e ainda pelo seu harém de mulheres que ultimamente está lhe custando muito caro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente acusado de concussão e prostituição de menores, Berlusconi, mais uma vez, ao invés de se ocupar dos graves problemas do país, coloca todas as suas energias para encontrar estratégias de defesa. Enquanto no Mediterrâneo e mais especificadamente no Egito, a sociedade civil ocupava a maior praça do Cairo para reivindicar a saída do Mubarak, nas praças italianas e de muitas capitais no exterior, milhares de mulheres de todos os partidos (menos o de Berlusconi, que parece ter hipnotizado seus leais seguidores), desciam nas praças para defender a dignidade das mulheres, tratadas pelo primeiro ministro italiano como objetos de prazer e meros enfeites nas famosas festinhas da sua mansão em Arcore. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirma um ditado famoso que a esperança é a última a morrer. Mesmo diante desse triste panorama italiano, consegui perceber alguns elementos de esperança: milhares de mulheres que se organizaram contra esse vergonhoso estilo de vida que Berlusconi apresenta todo dia ao seu eleitorado, a ruptura do seu tradicional aliado, Gianfranco Fini que, no dia da fundação do enésimo novo partido italiano, apresentou um novo projeto político de oposição a Berlusconi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, é preciso lembrar que a sociedade italiana, mesmo atravessando um dos períodos mais difíceis de sua história, desde o final da Segunda Guerra Mundial, continua sendo o país acolhedor e solidário que sempre foi. De fato, nas últimas semanas, registrou-se um fluxo emergencial de imigrados clandestinos vindos da Tunísia, primeiro país do Magreb a caçar seu presidente. Com a ausência de um governo nacional, milhares de tunisinos pagam uma fortuna para comprar a passagem rumo à Itália, passagem obrigatória para outros países da Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atitude da Itália foi a de logo encontrar soluções para acolher esses refugiados, montando centros improvisados de recepção, apelando à tradicional solidariedade italiana que parece mais forte que o pessimismo e as polêmicas desse período. Ainda há esperança para uma Itália que, no dia 17 de março 2011, festejará 150 anos de sua unificação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4187481462529524242?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4187481462529524242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4187481462529524242' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4187481462529524242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4187481462529524242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2011/02/entre-sombras-e-luzes-italia-festeja.html' title='Entre sombras e luzes a Itália festeja 150 anos de unidade nacional'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-y4Ss3yxRUww/TWQk-9nPLxI/AAAAAAAAAA8/N45M0-yM4PY/s72-c/Musei-Risorgimento_italiano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4737420995209147328</id><published>2010-12-30T18:45:00.000-02:00</published><updated>2011-01-03T11:01:20.307-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Férias'/><title type='text'>Feliz 2011!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_fzJlDF5NZRk/TRzq_Vk3XYI/AAAAAAAAAAw/ff0pK-yUwTk/s1600/tempo-ampulheta.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 357px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_fzJlDF5NZRk/TRzq_Vk3XYI/AAAAAAAAAAw/ff0pK-yUwTk/s400/tempo-ampulheta.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5556574414112775554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Feliz 2011!&lt;br /&gt;O blog vai ficar sem atualização em janeiro.&lt;br /&gt;Boas férias e obrigado pela sua companhia.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Anna&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4737420995209147328?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4737420995209147328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4737420995209147328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4737420995209147328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4737420995209147328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/12/feliz-2011.html' title='Feliz 2011!'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_fzJlDF5NZRk/TRzq_Vk3XYI/AAAAAAAAAAw/ff0pK-yUwTk/s72-c/tempo-ampulheta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7598406341206688973</id><published>2010-12-10T14:00:00.001-02:00</published><updated>2010-12-10T14:02:26.085-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coreia do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coreia do Norte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Japão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='EUA'/><title type='text'>Coreia do Norte - ameaças internas e externas</title><content type='html'>Nos últimos meses, assistimos a desavenças entre as duas Coreias, a do Norte, onde vige o regime comunista do ditador Kim Jong-il, e a do Sul, tradicional aliada dos Estados Unidos desde o fim da Guerra de 1950. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois países continuam - teoricamente - em estado de guerra desde então, mesmo se foram registradas numerosas tentativas, ao longo dessas décadas, de aproximação, inclusive com envio de alimentos por parte da Coreia do Sul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos meses, porém, a guerra fria entre elas imperante até hoje correu o risco de se transformar em guerra quente. O pretexto foi o incidente ocorrido em 26 de março, quando um navio de guerra sul-coreano que navegava próximo da fronteira marítima entre as duas Coreias foi afundado em uma explosão que o atingiu. Dos marinheiros que estavam a bordo, 58 conseguiram escapar, mas 46 morreram. Após ter examinado o torpedo que teria atingido o navio, os investigadores concluíram que a responsabilidade era da Coreia do Norte, a qual, por sua vez, negou o seu envolvimento no ocorrido. Para agravar a situação, no mês passado, a Coreia do Norte atacou a ilha de Yeonpyeong, provocando a morte de quatro fuzileiros sul-coreanos. O país, um dos últimos baluartes do comunismo, defende-se afirmando que a Coreia do Sul organiza desde muito tempo exercitações militares junto com o vizinho nipônico, no Mar do Japão, consideradas como atividades que ameaçam o regime de Kim Jong-il. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns analistas asiáticos afirmam que Pyongyang (capital da Coreia do Norte) há muito já preparava essa crise. Segundo eles, Kim Jong-il, preocupado pelo insucesso de suas políticas econômicas que provocaram uma queda desastrosa da economia, usou essa crise para culpar Washington e Seul e indicá-los ao povo faminto como os verdadeiros inimigos. Tal estratégia poderia fazer-lhe ganhar tempo e permitir que a sucessão de poder já preparada para seu filho Kim Jong-un aconteça sem grandes desestabilizações políticas internas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nível internacional, porém, a Coreia do Norte, que já era o alvo das denúncias internacionais em matéria de armas nucleares, foi condenada imediatamente pelos Estados Unidos e Japão, que apoiaram o governo de Seul, pedindo à ONU severas sanções contra o governo norte-coreano. Já a China, tradicional aliado da Coreia do Norte, evitou condená-la, defendendo o caminho do diálogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente chinês Hu Juntao, em conversa com o presidente americano Barack Obama, teria defendido uma ação internacional mais calma e racional para evitar a deterioração de uma já frágil situação de segurança em torno da península coreana. Ele afirmou: “Diálogo é o único canal correto para resolver a questão nuclear e outras questões relevantes que envolvem a península coreana”. Assim, incentivou os países envolvidos nas tratativas (China, Rússia, Estados Unidos, Japão, a República da Coreia – ROK e a República Democrática Popular da Coreia - DPRK) a retomarem as negociações visando à manutenção da paz e da estabilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7598406341206688973?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7598406341206688973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7598406341206688973' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7598406341206688973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7598406341206688973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/12/coreia-do-norte-ameacas-internas-e.html' title='Coreia do Norte - ameaças internas e externas'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-2522515841178912445</id><published>2010-11-26T12:30:00.000-02:00</published><updated>2010-11-26T12:31:24.138-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rússia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Japão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>China, Japão e Rússia: possíveis choques (parte 2)</title><content type='html'>Na primeira parte desse artigo foi lembrado o incidente diplomático ocorrido no início de setembro entre China e Japão sobre as ilhas do arquipélago Senkaku, em japonês, e Diaoyu, em chinês, localizadas no noroeste de Taiwan e próximas a Okinawa (sul do Japão). Tal incidente reabriu a ferida, aparentemente já cicatrizada, da disputa das ilhas do sul do pacífico entre os dois países. O mesmo ocorre entre Japão e Rússia a propósito das ilhas Curilas meridionais, localizadas na parte setentrional do Japão, próximas à ilha de Hokkaido. Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai, conhecidas também com o nome de “quatro ilhas do norte”, foram colonizadas pelos japoneses desde a primeira metade do século 19. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disputa pelas ilhas do norte &lt;br /&gt;Em 1855, ano em que Japão e Rússia estreitaram pela primeira vez suas relações diplomáticas, foi assinado um tratado de comércio, navegação e delimitação, conhecido como Tratado de Shimoda. Tal tratado visava delimitar as fronteiras territoriais entre os dois países. Com a derrota do Japão, no fim da 2ª Guerra Mundial, as forças soviéticas invadiram o arquipélago, que foi anexado à URSS, e deportaram todos os moradores japoneses. Contudo, o Japão, continuou a considerar estes locais como parte do seu território, denunciando a ilegalidade da ocupação soviética e obtendo, nessa questão, o apoio incondicional dos Estados Unidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentativas de paz &lt;br /&gt;De 1945 até hoje, numerosas tentativas de resolução pacífica dessa disputa territorial ocorreram. A primeira foi durante o período de distensão da Guerra Fria, quando Japão e URSS retomaram o diálogo tentando negociar uma paz separada, entre junho de 1955 e outubro de 1956. A segunda, mais recente, foi em 1993, no governo Ieltsin. Os dois governos assinaram a Declaração de Tokyo, que estabeleceu bases de negociação que deveriam permitir a resolução pacífica da questão territorial assim que as relações diplomáticas fossem retomadas. No governo de Vladimir Putin, houve mais uma tentativa de se chegar a um compromisso, propondo a cessão de algumas ilhas do arquipélago ao Japão. E finalmente, seu sucessor, o atual presidente russo Medvedev, sempre declarou-se a favor de uma política de acomodação, até esta visita inesperada na ilha de Kunashiri, que marcou a mudança repentina da política externa russa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante sua visita, Medvedev anunciou que o governo russo iria empenhar-se para melhorar a vida de seus habitantes com a construção de novas casas e envio de mais mercadorias, manifestando com esse discurso a intenção de não querer renunciar a estas ilhas, ricas em peixes, jazidas de petróleo, gás, ouro e prata. A tentativa de recuperar a soberania das ilhas ao norte do Pacífico por parte da Rússia, e ao sul do Pacífico por parte da China é considerada por alguns analistas internacionais como parte de uma estratégia comum dos dois governos em relação ao vizinho japonês. China e Rússia estariam tentando eliminar, ou ao menos mitigar, a influência do Japão na área do Pacífico e, por consequência, controlar a presença norte-americana nessa área do mundo, tradicional aliado do Japão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-2522515841178912445?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/2522515841178912445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=2522515841178912445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2522515841178912445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2522515841178912445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/11/china-japao-e-russia-possiveis-choques_26.html' title='China, Japão e Rússia: possíveis choques (parte 2)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-10957184371447094</id><published>2010-11-16T10:35:00.001-02:00</published><updated>2010-11-16T10:36:36.435-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rússia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Japão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>China, Japão e Rússia, possíveis choques diplomáticos (parte 1)</title><content type='html'>No dia 7 de setembro, ocorreu uma colisão entre um barco pesqueiro chinês e uma embarcação da guarda costeira japonesa nos mares do arquipélago Senkaku, em japonês, e Diaoyu, em chinês. As consequências do que parecia ser um normal incidente foram maiores do que as esperadas, resultando em uma grave crise diplomática entre os dois países. O Japão prendeu o capitão do pesqueiro chinês alegando que o pesqueiro chinês teria intencionalmente atacado a embarcação japonesa e ainda em território japonês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa última declaração contém o núcleo do problema. O arquipélago em questão, formado por oito pequenas ilhas desabitadas, está localizado no noroeste de Taiwan e próximo a Okinawa. O Japão controlou essas ilhas de 1895 até sua rendição após a 2ª Guerra Mundial, quando passaram à administração americana que as devolveu ao Japão em 1972. Taiwan e a República Popular da China reivindicam desde 1971 a posse dessas ilhas por eles descobertas e administradas do século 16 até 1895. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ilhas são importantes do ponto de vista econômico, pois se trata de área rica em recursos naturais. Geograficamente elas ocupam uma posição estratégica de controle do Sul do Pacífico. China e Japão reivindicam a posse das ilhas, mesmo se é o Japão que exerce o controle de fato sobre o arquipélago. Esse acontecimento provocou a reação popular dos dois países, cada um reivindicando a posse das ilhas. Também Taiwan participou das reivindicações sobre o conjunto de ilhas ricas em peixes e jazidas de petróleo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos observar, porém, que esse aparente acidente rompeu com uma tradição de acomodamento pacífico entre Japão e China em relação à navegação de barcos chineses nas águas próximas ao arquipélago. Segundo o estudioso japonês Tanaka, houve um acordo nos anos 60 entre China e Japão sobre pesca nas águas limítrofes e em 1978, Deng Xiaoping decidiu adiar a resolução do impasse sobre as ilhas Senkaku-Diaoyu. Daquele momento em diante, o Japão permitiu que os barcos chineses transitassem nas proximidades do arquipélago. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último período, porém, algo mudou na política externa do atual governo japonês. Sua aliança com os EUA parece empurrar o Japão a criar pretextos para se chocar com a vizinha China. Pretexto que serviria para os Estados Unidos justificarem a presença na área como defensor dos direitos de seu aliado. A situação não melhorou com a última visita do presidente russo, Dimitry Medvedev, à ilha Kunashir, parte das ilhas Curili Meridionais, disputadas entre Rússia e Japão. Também essas ilhas são ricas em peixes, jazidas de petróleo, gás, ouro e prata. Estão localizadas próximo ao Japão, na parte setentrional, próximas à ilha de Hokkaido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-10957184371447094?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/10957184371447094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=10957184371447094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/10957184371447094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/10957184371447094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/11/china-japao-e-russia-possiveis-choques.html' title='China, Japão e Rússia, possíveis choques diplomáticos (parte 1)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-2933075993176049473</id><published>2010-11-02T10:08:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T10:09:16.826-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ONU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cuba'/><title type='text'>ONU luta pelo fim do bloqueio econômico</title><content type='html'>Na última terça-feira, a assembleia geral da ONU reiterou mais uma vez o pedido de fim do embargo americano contra Cuba. Foi o pedido nº 19. No ano passado, só três estados votaram contra: Estados Unidos, Israel e Palau. Dois abstiveram-se (as Ilhas Marshall e Micronésia). Os democratas americanos, tradicionalmente a favor do fim do bloqueio, no governo de Barack Obama parecem ter mudado de ideia. Nesses dois anos de governo democrata, não ocorreu nenhuma alteração em relação à política externa americana em Cuba. Ao contrário, foi reforçada a natureza extraterritorial do bloqueio econômico que começou oficialmente 48 anos atrás. Decretado pelo presidente John F. Kennedy, no dia 3 de fevereiro de 1962, o embargo foi a oficialização de sanções punitivas que tiveram início logo após a Revolução Cubana de 1959. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo dos norte-americanos era derrotar um regime que seria um mau exemplo para o continente latino-americano, região de tradicional influência dos Estados Unidos. Cuba foi proibida de exportar produtos para o mercado estadunidense, além de não poder receber turistas de lá. Não pode ter acesso a créditos nem utilizar o dólar no comércio com o exterior. A agravar essa situação, foi aprovada, durante o governo Bush, em 1992, a Lei Torricelli. Essa lei proibiu Cuba de importar produtos de empresas norte-americanas também sediadas fora dos Estados Unidos, impondo mais restrições à navegação a partir e para a ilha cubana. Mesmo quando, em 2004, o Congresso dos EUA, sob pressão dos agricultores norte-americanos, votou a favor de uma lei que autorizasse Cuba a comprar produtos americanos, esta veio acompanhada de graves restrições. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os prejuízos econômicos sofridos por Cuba foram calculados em mais de 82 bilhões de dólares, sem contar o sofrimento moral da população cubana. Diante dessa situação, uma pergunta não quer calar. O “perigo vermelho” desapareceu com a queda do muro de Berlim. A America Latina não é mais submetida à influência direta dos Estados Unidos. Cuba não representa mais a pequena ovelha negra da America Latina, dos anos da Guerra Fria. Então, por que os Estados Unidos ignoram a vontade da maioria dos membros da assembleia geral da ONU, que, por bem 19 vezes demonstrou quase unanimidade em relação ao fim do bloqueio econômico? Há quem diga, e não são poucos, que a resposta esteja em um grupo de pressão, cubano, localizado em Miami, no estado da Flórida, que luta há décadas contra o governo de Fidel Castro, querendo vingança contra tudo o que perderam durante a revolução de 1959, e que sustentou a política anti-cubana de Bush.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-2933075993176049473?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/2933075993176049473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=2933075993176049473' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2933075993176049473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2933075993176049473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/11/onu-luta-pelo-fim-do-bloqueio-economico.html' title='ONU luta pelo fim do bloqueio econômico'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-6718272896330343974</id><published>2010-10-15T13:47:00.000-03:00</published><updated>2010-10-15T15:21:03.876-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Focolare'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida Eterna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chiara Luce'/><title type='text'>O segredo da felicidade de Chiara Luce</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fzJlDF5NZRk/TKTASyoKKSI/AAAAAAAAAAk/rsBzk7BwBi8/s1600/Badano+Chiara+foto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 273px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_fzJlDF5NZRk/TKTASyoKKSI/AAAAAAAAAAk/rsBzk7BwBi8/s400/Badano+Chiara+foto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522750472123459874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Escrito em co-autoria com Fábio Régio Bento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado passado, dia 25 de setembro, mais de 20.000 pessoas, sobretudo jovens, vindos de todas as partes do mundo, se encontraram em Roma para festejar o reconhecimento da santidade de vida de uma jovem italiana, Chiara Luce (Clara Luz) Badano, falecida aos 18 anos por um tumor nos ossos. Uma vida, a de Chiara Luce, aparentemente simples, sem nada de extraordinário, comum aos jovens de sua idade: a escola, o esporte, as reuniões de final da tarde com os amigos na praça da pequena cidade onde ela vivia. Contudo, quando a grave doença é diagnosticada, algo de surpreendente acontece. Chiara Luce, após momentos de inevitável decepção, raiva diante da notícia que interrompe bruscamente seus projetos, seus sonhos e que a distanciaria sempre mais de uma vida ordinária, é capaz de reagir, de aceitar a doença e de transformá-la no segredo de uma felicidade profunda e douradora que espalhou ao seu redor até o final de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi o segredo que tornou a experiência de Chiara Luce mundialmente conhecida? Aos nove anos de idade, junto com seus pais, Chiara Luce participou de um encontro mundial de famílias, o Family Fest, organizado pelo Movimento dos Focolares. Ali, ela aprendeu que o evangelho pode ser vivido, e que havia um Pai que a amava imensamente. Com outras meninas e meninos de sua idade, ela se lança em viver dessa maneira, fazendo do amor seu novo estilo de vida. Por exemplo, no dia do seu aniversário, tendo recebido uma boa quantia em dinheiro, decide doar tudo em prol de projetos de desenvolvimento na África. Com seus colegas de escola, nunca falava de Deus, pois ela queria transmiti-lo por meio de suas ações, do seu amor atento e delicado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amava praticar esporte, principalmente o tênis. E foi justamente jogando tênis que a doença se manifestou. Uma dor aguda lhe fez cair a raquete da mão. Era o início de uma longa e dolorosa doença que lhe tirou o uso das pernas e a obrigou a longos períodos no hospital. Após dois anos de tentativas, a medicina não tinha mais o que fazer, e Chiara Luce voltou para casa. O pai de Chiara, no dia da beatificação de sua filha revelou que foram dois anos especiais, a realidade era de dor, mas o amor de Deus os mantinha como que em um nível mais elevado onde o amor que eles experimentavam era mais forte. Chiara Luce, no início de sua doença, num diálogo silencioso de 25 minutos com aquele Pai do qual se sentia amada imensamente, conseguiu dizer seu sim e acreditou que a doença se tornaria um instrumento de santificação, um caminho especial por meio do qual poderia doar a todos a realidade de felicidade e Luz que experimentava dentro dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os médicos ficaram impressionados pela sua coragem, pelo amor dado a quem ia visitá-la. Jovens e adultos saiam daquele quarto revigorados pela certeza da presença de Deus amor que eles viam nos olhos luminosos de Chiara Luce. Ela recusou a morfina, não obstante as fortes dores na coluna. O motivo por ela alegado é que lhe tirava a lucidez, e ela queria ficar lúcida para oferecer perfeitamente as dores que sentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sua melhor amiga, preparou o seu funeral, escolhendo as músicas, as flores, a roupa de noiva que ela vestiria naquele dia, que queria fosse tão belo quanto uma festa de núpcias. Mesmo sofrendo, continuava a menina alegre de sempre, brincava com seus pais, com os amigos, gravava mensagens para se fazer presente nos encontros do movimento, já que não podia mais participar fisicamente. No seu quarto, assim como no seu coração, cabia o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último dia, quando percebeu que o momento de sua partida estava se aproximando, pediu para a mãe que deixasse entrar as pessoas que tinham vindo saudá-la. “Vou tirar o oxigênio para que não se assustem”. Saudou cada um, deixando especialmente para os jovens de sua idade a tarefa de levar para frente o Ideal de sua vida. Por fim, despediu-se de sua mãe. Acariciando-lhe os cabelos, disse: “Mãe, seja feliz, porque eu o sou”. A experiência de Chiara Luce chegou aos 04 cantos do mundo e, também, no mundo virtual, por meio do Twitter, Facebook, Youtube.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-6718272896330343974?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/6718272896330343974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=6718272896330343974' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6718272896330343974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6718272896330343974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/09/o-segredo-da-felicidade-de-chiara-luce.html' title='O segredo da felicidade de Chiara Luce'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fzJlDF5NZRk/TKTASyoKKSI/AAAAAAAAAAk/rsBzk7BwBi8/s72-c/Badano+Chiara+foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7939385791186724823</id><published>2010-09-18T09:40:00.000-03:00</published><updated>2010-09-18T09:41:31.721-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Austrália'/><title type='text'>Austrália: a maior ilha do mundo</title><content type='html'>Há pouco mais de um mês, o resultado das eleições na Austrália deu o que falar. O Partido Trabalhista, no governo, perdeu votos e, pela primeira vez desde 1940, o parlamento ficou sem maioria. A primeira mulher na Austrália a ocupar o cargo de premiê, Julia Gillard, teve que negociar o apoio de deputados independentes para salvaguardar a estabilidade política da maior ilha do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após ler essa notícia, um amigo pediu-me para escrever algo sobre a Austrália, país que aparece pouco nas primeiras páginas dos jornais, ao contrário de outros, e do qual talvez não se saiba muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Comunidade da Austrália (Commonwealth da Austrália) foi fundada em 1901 e é atualmente composta por seis estados: Nova Gales do Sul, Queensland, Austrália da Sul, a ilha da Tasmânia, Victória, Austrália Ocidental, mais dois territórios que funcionam praticamente como os outros Estados da Confederação: Território do Norte e Território da Capital da Austrália (ACT). Nesse último, encontra-se a capital da Austrália: Canberra. A Austrália é uma monarquia cujo chefe de estado é a rainha do Reino Unido, que atua por meio de um governador geral por ela nomeado após ter consultado o governo australiano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de a Austrália ser descoberta pelos europeus, os aborígenes, primeiros habitantes da Austrália, já haviam estabelecido contato com os povos asiáticos. Em 1606, o navegador espanhol Torres atravessou o estreito que separa a Austrália da Papua Nova Guiné, e que recebeu por isso seu nome. Em seguida, os holandeses descobriram a ilha de Tasmânia, no sul da Austrália. O primeiro explorador inglês chegou à costa noroeste da Austrália em 1698. Após essas primeiras viagens de exploração, a Grã-Bretanha escolheu a Austrália para torná-la sua colônia penal. De fato, após a Independência dos Estados Unidos, em 1776, a Inglaterra precisava encontrar outro lugar para enviar seus deportados. O lugar escolhido foi a costa sul oriental do Novo Gales do Sul, onde iria constituir-se uma colônia penal economicamente independente, sustentada pelo trabalho dos detentos. &lt;br /&gt;No dia 26 de janeiro de 1788, 11 navios ingleses chegaram à Austrália transportando 1,5 mil deportados e civis. Logo, o número de civis que chegava à Austrália superou o número de deportados. A indústria da lã e a corrida ao ouro estimularam a chegada de novos colonizadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Segunda Guerra Mundial, por motivos de segurança nacional, a Austrália aproximou-se dos Estados Unidos, tornado-se uma das bases estratégicas do exército americano liderado pelo General MacArthur. Após a Segunda Guerra, o país viveu um período de boom econômico, recebendo emigrantes de mais de 140 nações. Hoje, a Austrália detém o terceiro lugar na classificação IDH, após a Noruega e Irlanda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7939385791186724823?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7939385791186724823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7939385791186724823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7939385791186724823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7939385791186724823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/09/australia-maior-ilha-do-mundo.html' title='Austrália: a maior ilha do mundo'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-8716649524880874662</id><published>2010-09-03T11:04:00.001-03:00</published><updated>2010-09-03T11:07:20.331-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='EUA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Iraque'/><title type='text'>A virada de página do governo americano</title><content type='html'>Na última terça-feira, pela segunda vez após a sua eleição, o presidente Barack Obama falou aos americanos diretamente do Escritório Oval da Casa Branca, anunciando o fim das operações militares no Iraque. Em seu discurso, que durou cerca de 20 minutos, Obama escolheu deter-se longamente na explicação do significado da retirada das tropas americanas, e das graves consequências de uma guerra decidida apenas por uma parte do povo americano. Obama lembrou que, desde o início, declarou-se contrário à guerra, guerra que custou a vida de 4.420 soldados americanos, 32 mil feridos e 100 mil vítimas civis iraquianas. Contudo, enquanto deixava bem claro a sua atitude, fez questão de afirmar que ninguém colocava em dúvida o patriotismo demonstrado por Bush durante o seu governo, tentando dessa forma evitar a agravação de divisões internas que o enfraqueceriam nesse período de proximidade às eleições americanas de mid-term (metade do mandado), que ocorrerão em novembro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anunciando o fim da missão americana no Iraque, Barack Obama fez questão de evitar tons triunfalistas que mal se adaptariam à situação instável do Iraque, tons que eram característicos de seu predecessor, George W. Bush. Obama não proclamou vitória nem afirmou que os Estados Unidos cumpriram sua missão. Não deixou, porém, de enfatizar o valor dos sacrifícios de homens e mulheres que exerceram as suas funções no Iraque durante estes sete anos de guerra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reiterou o apoio dos EUA ao Iraque por meio de outros meios não militares, como a ação diplomática e o treinamento das forças locais por parte dos cerca de 50 mil soldados americanos que permanecerão no Iraque até o fim de 2011. Após ter discorrido sobre a guerra no Iraque, o presidente Barack Obama dedicou o resto de seu tempo em afirmar que sua principal responsabilidade, agora, é com a restauração da economia americana. Manifestando os motivos de sua firme oposição à guerra no Iraque, ele afirmou: “Infelizmente, na última década, não fizemos o que era necessário para fortalecer os alicerces da nossa própria prosperidade. Gastamos um trilhão de dólares em guerra, muitas vezes financiados por empréstimos do exterior”, e concluiu seu discurso afirmando: “Nossa tarefa mais urgente é restaurar a nossa economia, e colocar os milhões de americanos que perderam os seus empregos de volta ao trabalho. Para reforçar a nossa classe média, temos de dar a todos os nossos filhos a educação que eles merecem, e a todos os nossos trabalhadores as habilidades que eles precisam para competir numa economia global. Precisamos alavancar as indústrias que criam postos de trabalho e acabar com nossa dependência do petróleo estrangeiro”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-8716649524880874662?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/8716649524880874662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=8716649524880874662' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8716649524880874662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8716649524880874662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/09/virada-de-pagina-do-governo-americano.html' title='A virada de página do governo americano'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-1528657730077240818</id><published>2010-08-20T14:50:00.001-03:00</published><updated>2010-08-20T14:54:13.854-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><title type='text'>Breves notas sobre a diplomacia pontifícia (parte final)</title><content type='html'>Conta-se que uma vez, um embaixador da América do Sul junto à Santa Sé, disse ao cardeal Domenico Tardini, na época secretário de estado do papa João 23º: “Estou orgulhoso de servir a primeira diplomacia do mundo”. Recebeu como resposta: “Se nós somos a primeira, tenho realmente dó da segunda”. Essa frase é muitas vezes lembrada para sublinhar o realismo dos integrantes da diplomacia pontifícia, que sabem que a diplomacia da Santa Sé é bem diferente, quanto aos fins e funções, das diplomacias dos estados com os quais ela mantém relações diplomáticas. Jean-Louis Tauran, secretário de estado nos anos 90, durante o pontificado de João Paulo 2º, esclarecia que “um núncio que quisesse desempenhar o papel de diplomata seria logo menosprezado pelos seus confrades. O que se exige antes de tudo de um núncio é que seja padre”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma diplomacia “sui generis” &lt;br /&gt;A diplomacia pontifícia é sem dúvida uma diplomacia “sui generis”, atípica, justamente porque a Santa Sé é um sujeito internacional diferente dos outros atores internacionais. Essa sua posição privilegiada no âmbito internacional é justificada pelo fato de ela ser a suprema autoridade da igreja católica. É significativa a afirmação de Dag Hammarskjold, secretário-geral da ONU, entre 1953 a 1961, que uma vez falando do papa dizia: “Quando peço uma audiência no Vaticano não vou ver o rei da cidade do Vaticano, mas o chefe da igreja católica”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envia e recebe &lt;br /&gt;A igreja católica é a única instituição religiosa no mundo que possui o direito de ter relações diplomáticas com outros estados, ela envia seus diplomatas, chamados “núncios apostólicos”, e recebe, por sua vez, embaixadores, do mundo todo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na história &lt;br /&gt;Do ponto de vista histórico, compreende-se a diplomacia da Santa Sé como resultado da evolução histórica do papado, ocorrida ao lado das grandes transformações históricas dos séculos passados: do crescimento e queda do império romano e do império do oriente, até o surgimento dos primeiros estados absolutistas que marcou a queda da influência do poder papal sobre os regimes monárquicos. Mesmo após a unificação da Itália, em 1870, que resultou na perda do poder temporal por parte dos papas, a Santa Sé manteve suas relações diplomáticas com numerosas nações europeias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-1528657730077240818?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/1528657730077240818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=1528657730077240818' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1528657730077240818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1528657730077240818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/08/breves-notas-sobre-diplomacia_20.html' title='Breves notas sobre a diplomacia pontifícia (parte final)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4251912287500630669</id><published>2010-08-08T23:08:00.002-03:00</published><updated>2010-08-20T14:52:04.223-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><title type='text'>Breves notas sobre a diplomacia pontifícia (1)</title><content type='html'>No dia 13 de novembro de 2009, o papa Bento 16 recebeu, pela primeira vez em Roma, a visita do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o estado brasileiro e a Santa Sé assinaram uma convenção esperada e desejada há anos pelo atual núncio apostólico no Brasil, Lorenzo Baldisseri, e pela conferência episcopal brasileira. Por meio deste acordo, a igreja católica no Brasil adquiriu personalidade jurídica, o que lhe permitirá, de agora em diante, melhor desenvolver sua missão apostólica e pastoral no país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, até então, mesmo podendo desempenhar seu papel em plena liberdade de expressão, a igreja católica no Brasil tinha sua ação amparada apenas em um decreto de 1890, que conferira personalidade jurídica a todas as igrejas existentes naquela época, sem, no entanto, se referir especificadamente à igreja católica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acordo contempla, no seu conteúdo, todos os âmbitos de ação desta instituição, regulamentando sua relação com a sociedade e com o próprio estado brasileiro. O convênio internacional assinado entre o Brasil e a Santa Sé configura-se, portanto, como um ato diplomático a todos os efeitos, devido ao reconhecimento internacional da Santa Sé como sujeito soberano de direito internacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A igreja católica, por meio da Santa Sé, sua autoridade suprema, é a única organização religiosa a poder contar com uma vasta rede de relações diplomáticas. Sua atuação internacional tornou-se evidente já no período entre as duas guerras mundiais, reforçando sua posição internacional a partir dos anos 60, quando se realizou o Concílio Vaticano 2. Apesar disso, pouco se conhece de sua dinâmica internacional e muitas vezes esse desconhecimento alimenta as fantasias de quem imagina ainda o Vaticano como centro de misteriosos e perigosos complôs internacionais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diplomacia pontifícia é a mais antiga diplomacia. Segundo Lebec, “foi ela que inspirou o essencial do direito público internacional moderno, no congresso de Viena”. Por isso, às vezes ela ganha o título de primeira diplomacia do mundo. Conta-se que uma vez, um embaixador da América do Sul junto à Santa Sé, disse ao cardeal Domenico Tardini, na época secretário de estado do papa João 23: “Estou orgulhoso de servir a primeira diplomacia do mundo”. Recebeu como resposta: “Se nós somos a primeira, tenho realmente dó da segunda”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4251912287500630669?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4251912287500630669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4251912287500630669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4251912287500630669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4251912287500630669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/08/breves-notas-sobre-diplomacia.html' title='Breves notas sobre a diplomacia pontifícia (1)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-3096127983122678721</id><published>2010-08-01T17:39:00.001-03:00</published><updated>2010-08-01T17:39:56.390-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Burca'/><title type='text'>A França aprova lei contra a burca (fim)</title><content type='html'>A pós lembrar esses fatos significativos, o professor Samir atribui essa difusão repentina do uso da burca na Europa à corrente “salafita” que prega o retorno à tradição do primeiro século do Islã. Segundo ele, muitos grupos de ativistas islâmicos pertencentes a essa corrente atraem mulheres europeias muitas vezes por meio de casamentos. Por exemplo, durante uma conferência sobre Islã, na Alemanha, entre os tantos muçulmanos turcos presentes na sala, o professor lembra que foi atacado apenas por três mulheres alemãs convertidas ao Islã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na França, segundo ele, o véu integral é vestido apenas por mulheres que nunca o vestiram antes. Por isso, ele afirma, o uso da burca deve ser procurado não nas tradições religiosas, mas dentro de um espírito ideológico que deseja o retorno à tradição cultural da arábia antiga, em oposição ao Ocidente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi apenas a França que proibiu o uso da burca. A burca também foi proibida na Bélgica, em Barcelona, na Itália. A União Europeia a considera como uma rejeição contra a integração na cultura europeia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja este o núcleo do problema e o objetivo da lei, cujo intuito não é atacar uma cultura de tradição diferente, quanto, ao contrário, pôr limites a tendências extremistas que, ao invés de favorecerem a integração entre povos diferentes, visam minar tal união. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, todos os líderes dos países árabes, reunidos na capital do Reino da Arábia Saudita, rejeitaram todo tipo de extremismo como pode se ler na Declaração de Riyadh, resultado daquela reunião. É o contrário daquilo a que se propõe o grupo salafita que, como o professor Samir alertou, prega a rejeição da modernidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-3096127983122678721?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/3096127983122678721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=3096127983122678721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3096127983122678721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3096127983122678721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/08/franca-aprova-lei-contra-burca-fim.html' title='A França aprova lei contra a burca (fim)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-2236812188652728094</id><published>2010-07-21T09:42:00.000-03:00</published><updated>2010-07-21T09:43:17.167-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Burca'/><title type='text'>A França aprova lei contra a burca (1)</title><content type='html'>Semana passada, após meses de debates, o parlamento francês aprovou uma lei que proíbe o uso de esconder o rosto em lugares públicos. Consequentemente, o uso da burca tornou-se ilegal em território francês. A lei foi aprovada com 355 votos a favor e apenas um contra. Ela prevê seis meses de adaptação, durante os quais não serão aplicadas multas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lei proíbe que o rosto seja coberto de maneira integral, definindo as exceções a tal lei como em caso de doenças, enfaixamentos, fantasia de Carnaval, etc. Após esse primeiro período de reflexão e assimilação, a multa para quem transgredir a lei, vestindo a burca, será de 150 euros. Porém, multas mais pesadas serão aplicadas para quem obrigar alguém a vestir a burca. A multa prevista nesse caso é de 30 mil euros ou um ano de prisão (o dobro se a pessoa obrigada for menor de idade). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li nesses dias, no site de Asianews, um interessante artigo sobre essa lei, escrito por Samir Khalil Samir, natural do Egito, professor de estudos islâmicos e história da cultura árabe na Universidade de Beirute. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentando a decisão do governo francês de proibir a burca, ele evidenciava como o uso extensivo da burca seja um fenômeno bastante recente, pois, segundo a polícia francesa, alguns anos atrás, apenas uma centena de mulheres usava a burca. Atualmente, na França, são ao menos duas mil as mulheres que a usam. Da mesma forma, no Egito, em 2001, apenas algumas centenas de mulheres usavam a burca, e hoje 16% da população do país usam essa vestimenta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando encontrar as razões dessas mudanças, o professor Samir, antes de tudo, sublinhou que no Corão ou na tradição islâmica (Sunna) nunca se fala de burca, portanto, ele conclui: “não estamos falando de um costume islâmico”. A burca é diferente do chador ou do niqab. Contudo, é um hábito que se encontra apenas em alguns países de tradição islâmica. Mas, segundo o professor Samir, ela continua sendo uma exceção e não a regra. Com efeito, em outros países muçulmanos, a burca é proibida, por não fazer parte de suas tradições, como acontece na Tunísia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Turquia, ela é proibida para respeitar a laicidade do Estado. No Egito, em novembro de 2009, o reitor da universidade islâmica Al-Azhar, Mohammad Sayyed Tantawi, a maior autoridade religiosa no Egito, proibiu o uso da burca entre as estudantes, pois dizia que esse uso não tinha nenhuma ligação com o Islam. Em fevereiro de 2010, o primeiro ministro egípcio, Ahmad Nazif, definiu a burca como “uma negação da mulher”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua na próxima semana...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-2236812188652728094?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/2236812188652728094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=2236812188652728094' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2236812188652728094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2236812188652728094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/07/franca-aprova-lei-contra-burca-1.html' title='A França aprova lei contra a burca (1)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-1258881813062270484</id><published>2010-07-14T08:53:00.000-03:00</published><updated>2010-07-14T09:50:08.045-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='G-20'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='G-8'/><title type='text'>Cooperação Sul-Sul</title><content type='html'>Na semana passada, realizou-se a reunião anual do G-7 mais a Rússia, e do G20, grupo este que reúne países desenvolvidos e emergentes, na busca de novos caminhos que ajudem todos os países a sair da crise econômica que abalou recentemente as economias mundiais. Entres os integrantes desse grupo, nos últimos anos, destacou-se a ação internacional de países como Brasil, Índia, África do Sul e China, que estão liderando um novo tipo de relacionamento internacional, a assim chamada Cooperação Sul-Sul. Na verdade, esse tipo de cooperação, que reúne os países em desenvolvimento localizados no hemisfério sul, afunda suas raízes no período da primeira década de 1960, quando se formou o Grupo dos 77. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo foi implantado em 1964, dentro da estrutura da Unctad (Conferência para o Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas), em Genebra, com o objetivo de fornecer meios aos países do sul de articular e promover os interesses econômicos coletivos. Outro objetivo era melhorar a capacidade de negociação dos países periféricos dentro do sistema internacional, promovendo, ao mesmo tempo, a cooperação para o desenvolvimento entre os países pertencentes ao hemisfério sul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1978, sempre no seio das Nações Unidas, uma nova iniciativa veio reforçar a cooperação entre os países do sul do mundo. Tratava-se do Plano de Ação de Buenos Aires, resultado da conferência realizada na capital argentina, em 1978, e que reuniu 138 países. O Plano de Ação apresentava 38 recomendações para a implantação de um programa de Cooperação Técnica entre os Países em Desenvolvimento (TCDC). A este fim, foi criada uma Unidade Especial de Cooperação Sul-Sul, dentro do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. Contudo, as décadas se passaram e tal programa não alcançava os fins para os quais tinha sido criado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modelo de cooperação até então atuado se baseava na assistência oferecida aos países do sul pelos países do norte usando metodologias criadas nos países desenvolvidos. O passo decisivo para uma re-emergência de uma Cooperação Sul-Sul mais eficaz ocorreu apenas no início do atual século, sobretudo graças a países emergentes cujo modelo de desenvolvimento deu certo e que suscitaram esperança no resto dos países do hemisfério sul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre eles, o Brasil, a China, a Índia e a África do Sul, que aceitaram desempenhar um papel de liderança no sistema de Cooperação Sul-Sul. Tais países, reconhecidos como líderes regionais, estão tentando ensaiar um novo modelo de cooperação e diplomacia, dessa vez, estruturado a partir dos países do hemisfério sul, evitando com isso reproduzir erros já cometidos pelos países do hemisfério norte. A aplicação desse novo projeto pode ser observada a partir de duas iniciativas valiosas de cooperação: o Fórum IBSA, formado em 2003 por Brasil, Índia e África do Sul e o grupo do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cooperação empreendida por tais grupos não se limita a iniciativas comerciais e de desenvolvimento industrial, mas atinge áreas fundamentais como educação, saúde e proteção social. A presença desses novos atores no cenário internacional e sua intenção de criar modelos alternativos de cooperação gerou uma nova esperança para povos que até então ficaram a mercê dos tradicionais centros de poder, sendo considerados apenas como a periferia do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-1258881813062270484?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/1258881813062270484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=1258881813062270484' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1258881813062270484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1258881813062270484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/07/cooperacao-sul-sul.html' title='Cooperação Sul-Sul'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-6562406535943409403</id><published>2010-06-30T12:57:00.000-03:00</published><updated>2010-06-30T12:58:41.334-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Africa'/><title type='text'>A África e sua integração regional (parte final)</title><content type='html'>A década de 1980 foi marcada por violentos conflitos e a Conferência para a Coordenação do Desenvolvimento da África Austral (SADCC) não possuía força e instrumentos adequados para barrar a ação da África do Sul. A situação mudou somente com o estabelecimento da democracia na África do Sul, nos anos 90. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o ingresso do país no bloco regional, este se transformou de SADCC em SADC - Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral. O novo grupo regional foi ratificado em 1992, por um tratado assinado pelos chefes de estado e de governo. Atualmente, fazem parte da SADC 14 países. Além dos nove países membros da extinta SADCC, ingressaram, além da África do Sul, também as ilhas Maurício, Namíbia, República Democrática do Congo e as ilhas Seicheles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os objetivos da SADC, estão: alcançar desenvolvimento e crescimento econômico; aliviar a pobreza; aumentar o padrão e a qualidade de vida dos países da África Austral, dando apoio aos socialmente desamparados, por meio da integração regional; desenvolver valores, sistemas e instituições políticas comuns; promover e defender a paz e segurança; promover o desenvolvimento sustentado a partir da autoconfiança coletiva e da interdependência dos estados membros; alcançar a complementaridade entre estratégias e programas nacionais e regionais; promover e maximizar o emprego produtivo e a utilização dos recursos da região; alcançar o uso sustentável dos recursos naturais e a efetiva proteção do meio ambiente; fortalecer e consolidar as antigas unidades históricas, sociais e culturais e os elos entre os povos da região. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das fragilidades desse bloco consiste na diversidade de seus países membros em termos socioeconômicos e políticos. A instabilidade de seus governos, todos declarados por seus governantes como democráticos, dificulta a integração econômica. Alguns dos seus países membros estão envolvidos há anos em guerras civis, o que demonstra quanto distante ainda esteja uma paz estável nessa porção do continente. Mesmo nessa instabilidade política, a presença da SADC desempenha um papel importante para colaborar na solução desses conflitos. Outra dificuldade é a falta de compromisso dos países membros em relação a quanto foi decidido para melhorar a integração regional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma tendência por parte dos membros da SADC a priorizar o projeto nacional ao projeto de integração. A cooperação não está acontecendo como se esperava, devido, também, às economias desses países que sofrem com moedas instáveis. O quadro não é dos melhores. Contudo, frente à tendência mundial sempre mais premente rumo à integração, espera-se que os estados mais desenvolvidos do bloco, como a África do Sul e o Zimbábue, que hoje prezam mais pelo seu desenvolvimento nacional, decidam voltar a olhar para seus vizinhos, tomando a decisão de crescer junto com o resto da África.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-6562406535943409403?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/6562406535943409403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=6562406535943409403' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6562406535943409403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6562406535943409403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/06/africa-e-sua-integracao-regional-parte.html' title='A África e sua integração regional (parte final)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-2942552473029277877</id><published>2010-06-23T09:09:00.002-03:00</published><updated>2010-06-24T20:54:08.172-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Africa'/><title type='text'>A África e sua integração regional (1)</title><content type='html'>Nesses dias de Copa, a atenção do mundo e os holofotes da mídia estão voltados para o continente africano. Os jogos de futebol têm como pano de fundo esta terra sofrida, e muitas são as reportagens televisivas que procuram nos aproximar do povo africano, mostrando-nos um pouco de seu modo de viver, suas tradições, suas cidades, sua busca por um futuro melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento e o crescimento econômico que a África está tentando alcançar passam também pela integração de suas diversas regiões, os assim chamados “blocos econômicos” que se fortaleceram no mesmo período em que o fenômeno da globalização alastrava-se no mundo inteiro. Na África, há diversos blocos econômicos que geralmente reúnem países geograficamente próximos, ou que foram submetidos, nas décadas passadas, ao domínio de uma mesma potência ocidental. Como a Copa do Mundo ocorre este ano na África do Sul, vamos falar hoje do bloco econômico que reúne os países da África austral, entre os quais está a própria África do Sul. Trata-se da SADC (Southern African Development Community), a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral. As origens da SADC devem ser procuradas em um projeto anterior, chamado Conferência para a Coordenação do Desenvolvimento da África Austral (SADCC), fundada em 1980 por nove estados africanos: Angola, Botsuana, Lesoto, Malaui, Moçambique, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue. Esses novos países uniram-se com o principal objetivo de obter maior autonomia frente à África do Sul, tentando cortar a dependência econômica do país vizinho, detentor da economia mais forte do continente. Com efeito, na época, na África do Sul, sob o governo da minoria branca, reinava uma dura política de segregação racial, o apartheid. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frente ao fato de os estados vizinhos terem ganhado sua independência sob o governo de presidentes africanos, a África do Sul foi tomando ciência do seu crescente isolamento regional. Como reação a tal situação, tentou semear a desestabilização ao longo de suas fronteiras e se tornou o principal promotor de conflitos nos países vizinhos, especialmente Moçambique, Angola e Zimbábue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-2942552473029277877?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/2942552473029277877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=2942552473029277877' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2942552473029277877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2942552473029277877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/06/africa-e-sua-integracao-regional-1.html' title='A África e sua integração regional (1)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-8358062364920097143</id><published>2010-06-21T13:48:00.001-03:00</published><updated>2010-06-21T13:49:22.761-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ONU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><title type='text'>A Santa Sé e a ONU (parte final)</title><content type='html'>A Santa Sé respondeu prontamente à provocação, por meio do secretário para as relações com os estados, o arcebispo francês Dominique Mamberti, que explicou qual a razão da participação da Santa Sé na ONU e evidenciou os valores que a Santa Sé procura levar nas discussões da assembleia geral: “Certamente, não é um convite aceitável! Ele nasce talvez de uma compreensão não exata da posição da Santa Sé na comunidade internacional. (...) Por trás do convite a reduzir-se a ONG, além da incompreensão do status jurídico da Santa Sé, há provavelmente também uma visão redutiva de sua missão, que não é setorial ou ligada a interesses particulares, mas universal e compreensiva de todas as dimensões do homem e da humanidade. É por isso que a ação da Santa Sé no âmbito da comunidade internacional é muitas vezes um ‘sinal de contradição’, porque ela não cessa de levar sua voz em defesa da dignidade de cada pessoa e da sacralidade de cada vida humana, sobretudo aquela mais fraca”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo podendo ser considerado um estado a todos os efeitos - e a criação do estado da Cidade do Vaticano lhe permitiria isso - a Santa Sé possui peculiaridades que dificultariam sua participação na ONU como membro pleno e que descaracterizariam a sua contribuição e seus objetivos no seio das Nações Unidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002, o Cardeal Tauran, em uma conferência sobre a presença da Santa Sé nas Organizações Internacionais, evidenciou justamente o papel da Santa Sé como promotora de um clima de maior confiança entre os parceiros internacionais e perorando a afirmação de uma nova filosofia, as relações internacionais baseadas numa gradual diminuição das despesas militares; no desarmamento efetivo; no respeito das culturas e das tradições religiosas; na solidariedade com os países pobres, ajudando-os a serem eles mesmos os artífices do próprio desenvolvimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-8358062364920097143?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/8358062364920097143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=8358062364920097143' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8358062364920097143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8358062364920097143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/06/santa-se-e-onu-parte-final.html' title='A Santa Sé e a ONU (parte final)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-8694729094484922698</id><published>2010-06-09T09:43:00.000-03:00</published><updated>2010-06-09T09:45:21.967-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ONU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><title type='text'>A Santa Sé e a ONU (parte 2)</title><content type='html'>Tal campanha originou-se após a participação da Santa Sé na conferência internacional do Cairo, em 1994, sobre a população e após a sucessiva Conferência de Pequim sobre a mulher. Nas duas conferências, a Santa Sé recusou de aderir às políticas favoráveis ao aborto e que eram defendidas pela maioria dos países. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002, quando a Suíça, que mantinha ao lado da Santa Sé o status de observador permanente, tornou-se membro pleno da assembleia geral, a Santa Sé, por meio de seu secretário de estado, o então cardeal Angelo Sodano prospectou a possibilidade de modificar a posição da Santa Sé junto à ONU de observador permanente a membro pleno. Tal possibilidade, porém, foi excluída em 2004, quando, por meio de uma resolução aprovada pela assembleia geral, o status de observador permanente da Santa Sé foi finalmente definido e aprovado pelos seus membros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Resolução A/58/L.64 acerca da participação da Santa Sé aos trabalhos da ONU foi aprovada por unanimidade pelos membros da assembleia geral em 1º de julho de 2004. Apesar da campanha de 1995, que visava expulsar a Santa Sé da ONU ou, ao menos, reduzir sua participação na ONU a status de Organização Não Governamental, tal resolução reconheceu, de fato, a validade da participação da Santa Sé nos trabalhos da ONU, incrementando as possibilidades de intervenção da Santa Sé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No texto, justifica-se tal resolução em ordem a diferentes fatores, tais como: a participação da Santa Sé como observador permanente, desde 1964; a participação da Santa Sé em diversos organismos internacionais; o reconhecimento do status jurídico internacional de diversas convenções internacionais; a contribuição financeira da Santa Sé às despesas gerais de administração das Nações Unidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, um artigo dedicado à diplomacia pontifícia, da revista inglesa The Economist retomou as criticas da campanha “See Change” a respeito da participação da Santa Sé. Na conclusão do artigo, o autor aconselhava a Santa Sé “a renunciar ao seu especial status diplomático e a se definir para aquilo que era, a maior organização não governamental do mundo, assim como Médicos Sem Fronteiras e outras ONGs”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-8694729094484922698?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/8694729094484922698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=8694729094484922698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8694729094484922698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8694729094484922698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/06/santa-se-e-onu-parte-2.html' title='A Santa Sé e a ONU (parte 2)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-545089432994539844</id><published>2010-06-02T08:57:00.001-03:00</published><updated>2010-06-02T08:59:07.484-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ONU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><title type='text'>A Santa Sé e a ONU (parte 1)</title><content type='html'>Em 1957, a Santa Sé ingressou na Organização das Nações Unidas com o status de observadora. Isso foi possível porque, desde 1929, ano de sua fundação, o estado da Cidade do Vaticano participava como membro pleno de organizações internacionais como a União Postal Internacional e a União Internacional das Telecomunicações. Em 1964, a Santa Sé ganhou o status de observador permanente, que lhe permitiu uma mais ampla participação nas discussões da assembleia geral da ONU. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1965, o papa Paulo 6º aceitou o convite do então secretário geral U Thant a fazer uma visita à ONU, durante sua viagem aos Estados Unidos. Pela primeira vez, o papa dirigiu-se aos membros da assembleia geral da ONU. Na época, não eram muitos os estados que mantinham relações diplomáticas com a Santa Sé. Quando da eleição de Paulo 6º, em 1963, tais países eram apenas 46. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de 1964, então, a Santa Sé foi convidada pelo secretário geral da ONU a participar de todas as reuniões de sua assembleia geral, com o status de observador permanente. Contudo, desde os primórdios das Nações Unidas à modalidade de participação da Santa Sé foi objeto de discussão por parte dos outros participantes. A possibilidade da Santa Sé tornar-se membro pleno da assembleia geral suscitou sempre numerosos conflitos. Em 1944, a proposta apresentada pelos Estados Unidos de tornar a Santa Sé membro permanente da assembleia geral foi vetada não apenas pela União Soviética, mas também pela resistência de grupos protestantes americanos que recusavam a possibilidade de a igreja católica participar plenamente da máxima Organização Internacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1995, as modalidades de participação da Santa Sé na ONU foram colocadas de novo em discussão por parte de uma organização americana que, agindo em nome de vários países, lançou uma campanha, conhecida pelo nome de “See Change” (Muda de Sede) que visava expulsar a Santa Sé da ONU. As teorias que sustentavam tais objetivos fundamentavam-se na convicção de que a igreja católica era a única religião que participava da ONU como observador permanente, com privilégios que a assimilavam aos estados e que isso representava uma anomalia que fomentaria contrastes no seio dessa Organização mundial. Além disso, segundo tais teorias, não era justo que a Santa Sé aproveitasse de um status jurídico internacional que não lhe competia, para defender os próprios interesses, a saber, lutar contra o aborto e a eutanásia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-545089432994539844?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/545089432994539844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=545089432994539844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/545089432994539844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/545089432994539844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/06/santa-se-e-onu-parte-1.html' title='A Santa Sé e a ONU (parte 1)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7340274503427644911</id><published>2010-05-26T07:58:00.000-03:00</published><updated>2010-05-26T09:31:33.469-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra'/><title type='text'>O mundo menos violento e o retorno da paz</title><content type='html'>Semana passada, li um artigo muito interessante de Alberto Barlocci na revista Cidade Nova. O título era: “O mundo está menos violento”. O artigo desenvolve-se em torno do livro de um sociólogo italiano, Pino Arlacchi, que é professor de Sociologia na Universidade de Sassari (Itália) e parlamentar da União Européia. De 1997 a 2002, foi vice-secretário da Organização das Nações Unidas. Autor de vários livros sobre a máfia, Arlacchi lançou recentemente um livro intitulado “O engano e o medo”, (em italiano L’inganno e la paura: il mito del grande caos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na introdução do livro, lemos um trecho significativo que explica a ideia ao redor da qual se desenvolve o livro: estamos sendo enganados, não é verdade que o mundo está se tornando sempre mais violento, é o contrário. Eis como Arlacchi introduz sua hipótese: “O grande engano é produzido pela mídia, pelos governos, pelos aparados militares e de segurança, predominantemente americanos. Ele produz continuamente uma das emoções mais poderosas: o medo. Uma sensação de angústia, que acabou por envolver quase toda crônica, toda informação e avaliação sobre os fatos de mundo. Mas, ao mesmo tempo, é uma emoção artificial, gratuita, que corresponde pouco ao que efetivamente ocorre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção do pânico implica difusão das mentiras que possuem o objetivo de nos colocar na defensiva e de nos fazer sentir muito mais frágeis de quanto somos realmente. O grande engano é uma operação reacionária, que constrói monstros onde existem apenas alteridades desconfortáveis e inventa perigos mortais onde agem apenas processos de mudança que subvertem velhos equilíbrios”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fundamentar essa hipótese, o artigo mencionado no início evidencia alguns dados interessantes encontrados no livro de Arlacchi. Com o fim da Guerra Fria, os conflitos no mundo diminuíram em torno de 60%. O ano de 2007 foi o ano de menor incidência de guerras desde 1950; a partir de 2003, os conflitos armados entre países desapareceram, com exceção da invasão do Iraque; entre 1981 e 2004, as crises internacionais, que costumam ser fontes de guerras, diminuíram em torno de 70%; entre 1992 e 2007, 92,5% dos conflitos foram resolvidos com a negociação e o recuso da guerra foi utilizado em 7,5% dos casos; a partir do início dos anos de 1990, também diminuiu o número de guerras civis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reduziram-se, também, os golpes de Estado: em 1993, foram 23; em 2004, foram dez; e em 2005, apenas três. Entre 2007 e 2009 houve um único golpe de Estado, o de Honduras. Arlacchi dedica um capítulo do seu livro ao atual tema do terrorismo. Aqui também ele demonstra o contrário de quanto nos é comunicado pela mídia. Por exemplo, ele demonstra que a afirmação que o terrorismo seria uma forma de agredir o Ocidente não é comprovada pelos números, pois dos 14.041 ataques terroristas ocorridos entre 2004 e 2007, apenas 3,2% foram registrados na Europa, e 0,1% nos Estados Unidos. Apenas 330 atentados, dos 15.035 ocorridos no Oriente Médio e no Golfo Pérsico, no mesmo período, tiveram como alvo cidadãos europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o artigo que analisa o livro de Arlacchi, tais dados levam a uma ideia diferente daquela que geralmente a opinião pública internacional tende a sublinhar, a saber, que o terrorismo é uma ameaça para todo mundo. Segundo o autor, ao contrário, o terrorismo tem sido usado, como método para resolver problemas internos na área islâmica. Mas a difusão de tais informações não ajudaria o governo americano a manter o clima de medo instaurado após o11 de setembro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Da mesma forma, Arlacchi fala sobre os índices de criminalidade que diminuíram no mundo todo. Na Itália, por exemplo, em 2001, os homicídios diminuíram pela metade em relação a 1991, e, em 2006, os homicídios diminuíram de um terço respeito a 2001. Na União Européia também houve uma redução em 30% dos atos criminosos. Arlacchi vê na democracia e no progresso o caminho para a diminuição progressiva da violência. Naturalmente, como ele afirma em outras páginas do livro, “a crítica do grande engano não desemboca em nenhuma visão do ‘fim da história’, mas na proposta de algumas ideias que circulam há dois séculos: um Parlamento e um Governo mundiais, a proibição legal da guerra, o desarmamento”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arlacchi, no seu livro, quer derrubar a ideia de que a violência e a guerra estão tendo a melhor e se faz promotor da paz, “invenção recente” visto que, segundo o autor, somente após Kant a paz tornou-se, aos olhos da comunidade internacional, um objeto digno de atenção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7340274503427644911?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7340274503427644911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7340274503427644911' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7340274503427644911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7340274503427644911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/05/o-mundo-menos-violento-e-o-retorno-da.html' title='O mundo menos violento e o retorno da paz'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7293462136193397082</id><published>2010-05-12T07:40:00.000-03:00</published><updated>2010-05-12T09:38:18.458-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Turquia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='União Européia'/><title type='text'>Turquia – candidata perene à União Europeia</title><content type='html'>O debate sobre a aceitação ou menos da Turquia como membro pleno da União Europeia teve início logo após a constituição da Comunidade Econômica Europeia, criada com o Tratado de Roma, em 1957. Com efeito, no mesmo ano, a Turquia manifestou seu interesse em ingressar na nova comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conhecer melhor a história desse país e entender as razões que dificultam a integração da Turquia no espaço europeu, ocorre voltar um pouco no tempo, no momento da proclamação da república da Turquia, que surgiu sobre as ruínas do antigo Império Otomano. Nas últimas décadas do século XIX, o Império otomano reduzira-se a um estado semi-colonial onde as potências estrangeiras gozavam de numerosas áreas de extraterritorialidade e isenção de impostos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, as nações estrangeiras protegiam os cristãos otomanos que puderam, dessa forma, ter acesso à educação europeia e progressivamente tomaram conta dos setores estratégicos da economia turca.  A nova república, fundada em 1923 por uma revolução modernizadora liderada por Mustafá Kemal Ataturk (Ataturk significa pai dos turcos), mudou o rumo do país, instituindo um regime laico, com o apoio dos militares e procurando criar uma burguesia nacional nas mãos dos muçulmanos até então discriminados. A maioria dos cristãos fugiu para a Grécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a crise mundial de 1929, o estado turco optou por uma política oficial chamada “estatism”, através da qual a econômica seria controlada quase que exclusivamente pelo estado. No período que seguiu à Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro Ismet Inonu, sob pressão anglo-americana e contra a vontade do partido, introduziu no país o sistema multipartidário, apoiando os grupos de reformadores moderados que solicitavam uma liberalização da economia nacional, presa até então ao modelo soviético. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal inversão de política pública obedecia a motivos essencialmente pragmáticos. Para se defender do expansionismo da URSS, a Turquia procurou a proteção dos Estados Unidos que, em 1947, lançava a Doutrina Truman com o intuito de conter a expansão soviética.  A partir daquele ano, a Turquia tornou-se parte integrante do bloco ocidental. Foi um dos primeiros países a enviar tropas de auxílio aos Estados Unidos na Guerra da Coréia, em 1950.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1952, a Turquia tornou-se membro da OTAN. Sob sugestão dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, procurou formar redes de cooperação com os países do Oriente Médio, por meio do pacto de Bagdá, assinado pelo Reino Unido, Paquistão, Irã, Iraque e Turquia e, em seguida, por meio da Organização do Tratado Central, junto com os Estados Unidos, Irã e Paquistão. A tentativa de cooperação regional não teve sucesso, sobretudo pelo surgimento e rápida difusão do movimento socialista árabe, liderado pelo presidente egípcio Nasser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Turquia passou a ser percebida, pelos seus vizinhos árabes, como um fantoche nas mãos das potências ocidentais. Para fugir desse isolamento, o país apresentou à nascente Comunidade Econômica Europeia o pedido de integração como novo membro. A Europa demonstrou interesse e apoiou tal pedido, pois a Turquia era considerada um país estrategicamente importante pela sua localização às portas do Oriente Médio, sobretudo, no âmbito da defesa e da estabilidade regional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até 1974, a Turquia e CEE mantiveram ótimas relações. A Turquia fazia questão de se apresentar como uma democracia liberal, com uma economia ascendente, tentando, com isso, preencher os pré-requisitos dos candidatos à CEE. Além disso, o país tornou-se o principal fornecedor de trabalhadores imigrados para a Europa ocidental, sobretudo para a Alemanha. Desde 1974, novos acontecimentos esfriaram as relações com a Europa. A invasão turca da ilha de Chipre foi um dos fatores predominantes desse distanciamento, assim como o golpe militar, em 1980, que tentou barrar os projetos democráticos turcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o fim da Guerra Fria e o desmantelamento dos governos comunistas no Leste Europeu, a Europa priorizou os novos possíveis candidatos ao bloco europeu, em detrimento de suas relações com a Turquia, que já não representava mais o mesmo valor estratégico do período da Guerra Fria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, a adesão da Turquia à União Europeia permanece assunto de debate entre os governos europeus. Não se pode esquecer que a Turquia desempenha ainda um papel importante na área do Mediterrâneo e no Oriente Médio, pois 97% de seu território estão localizados na Ásia. De outro lado, o ingresso da Turquia, de maioria muçulmana, desperta em alguns governos europeus a ideia de abandono definitivo de uma Europa culturalmente homogênea e com as mesmas raízes religiosas, mesmo se, desde sua fundação, a república laica da Turquia optou claramente pela separação entre Igreja e Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opinião pública turca encontra-se igualmente dividida entre os grupos que consideram a perspectiva de ingresso do país na União Europeia como um forte estímulo ao crescimento econômico e social do país, e o grupo dos radicais islâmicos que desejaria retomar o projeto de um mercado comum na região do Oriente Médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, portanto, muitos elementos em jogo que devem ser considerados em relação à aceitação da Turquia como membro pleno da União Europeia, e que certamente atrasarão ainda por algum tempo a solução de tal impasse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7293462136193397082?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7293462136193397082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7293462136193397082' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7293462136193397082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7293462136193397082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/04/turquia-candidata-perene-uniao-europeia.html' title='Turquia – candidata perene à União Europeia'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-3511481399508303043</id><published>2010-04-22T08:59:00.000-03:00</published><updated>2010-04-22T09:00:31.754-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rússia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polônia'/><title type='text'>O futuro das relações entre a Polônia e a Rússia (conclusão)</title><content type='html'>Para o professor Pomianowski, o incidente aéreo de Smolensk é mais que um evento dramático, é também o resultado da diferença de opinião no campo político do grupo ligado ao falecido presidente Kaczynski e o primeiro-ministro Donald Tusk. De fato, o presidente polonês, justamente pelas dificuldades de relação com as autoridades russas, recusou-se de participar da comemoração junto ao primeiro-ministro Putin e o primeiro-ministro Donald Tusk, preferindo comemorar o massacre com uma delegação separada constituída apenas de poloneses. Quanto ao futuro das relações entre os dois países, segundo o professor Pomianowski, o primeiro-ministro Donald Tusk está perseguindo uma política feita de pequenos passos rumo a uma normalização das relações entre a Polônia e seu poderoso vizinho russo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a derrota do candidato pró-ocidental na Ucrânia, a Polônia considerou necessário encontrar uma língua política comum compreensível pela Rússia e pela Polônia, decisão que levou o país a aceitar algum tipo de compromisso como a aprovação do acordo entre a PCNig (companhia energética estatal polonesa) e a companhia russa Gazprom, que obrigaria a Polônia a importar gás e petróleo apenas da Rússia até 2037. Segundo o prof. Pomianowski, tal compromisso contraria o estatuto da União Europeia, da qual a Polônia é membro, que requer que cada integrante importe matérias primas estratégicas de um único fornecedor por no máximo 33%. Comentando o acordo russo-polonês, o pesquisador Pomianowski afirmou: “Os canhões foram substituídos pelo gás e por matérias-primas estratégicas que são atualmente um instrumento de pressão muito mais importante que as ações bélicas”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, o professor Pomianowski se diz otimista quanto ao futuro das relações entre os dois países. A Comissão mista na qual trabalha está tentando remover obstáculos históricos e políticos que impediram até então uma aproximação dos dois países, e o reconhecimento, por parte do primeiro-ministro russo, de suas responsabilidades nacionais pelo massacre de Katyn, sem dúvida ajudará muito em tal processo de aproximação binacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-3511481399508303043?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/3511481399508303043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=3511481399508303043' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3511481399508303043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3511481399508303043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/04/o-futuro-das-relacoes-entre-polonia-e_22.html' title='O futuro das relações entre a Polônia e a Rússia (conclusão)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7772250245988085183</id><published>2010-04-14T13:15:00.000-03:00</published><updated>2010-04-14T13:16:11.105-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rússia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polônia'/><title type='text'>O futuro das relações entre a Polônia e a Rússia (1)</title><content type='html'>A morte do presidente polonês Lech Kaczinsky e de sua esposa, Maria, em um acidente aéreo que provocou também o falecimento de várias personalidades políticas, militares e religiosas do país, provocou sentimentos de desespero e perda entre os cidadãos poloneses. As eleições presidenciais, previstas para outubro, deverão ser antecipadas para o fim de junho. Segundo as palavras do primeiro-ministro Donald Tusk: “É o evento mais trágico na história da Polônia no pós-guerra”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxalmente, a tragédia ocorreu justamente quando o povo polonês comemorava o 70º aniversário do massacre de Katyn, localidade próxima à cidade de Smolensk, na Rússia. Neste local, entre o dia 3 de março e 19 de abril de 1940, foram executados quase 22 mil poloneses. Entre eles, apenas oito mil eram prisioneiros militares, o restante era constituído de civis. Por muitos anos, os soldados nazistas foram acusados pela Rússia do massacre, até que, pouco tempo atrás, a abertura de arquivos secretos demonstrou que quem ordenou a barbárie foi o próprio Stalin. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, as relações da Polônia com a Rússia foram compreensivelmente marcadas por ressentimentos, resistindo às tentativas de reaproximação da vizinha Rússia. No entanto, uma “comissão mista russo-polonesa para as questões difíceis” foi instituída com o propósito de avançar no entendimento das relações entre os dois países. Nesse sentido, um primeiro sinal positivo de melhoria foi dado no dia 7 de abril, quando o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, encontraram-se lado a lado, na floresta de Katyn, para recordarem a morte de milhares de poloneses pelas mãos de soviéticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o professor polonês Jerzy Pomianowski, membro da comissão mista russo-polonesa, e profundo conhecedor das relações entre os dois países, a presença de Putin no lugar do massacre foi positiva. Para Pomianowski, entrevistado por um jornal italiano (Il Sole 24 ore) logo após a tragédia, “esse fato finalmente expôs aos olhos de todo o povo russo um episódio que até então era quase que desconhecido”. O professor lembrou que, segundo uma recente pesquisa russa, apenas 18% da população do país sabia o que tinha ocorrido em Katyn e que os culpados disso eram os soviéticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7772250245988085183?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7772250245988085183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7772250245988085183' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7772250245988085183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7772250245988085183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/04/o-futuro-das-relacoes-entre-polonia-e.html' title='O futuro das relações entre a Polônia e a Rússia (1)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-1053260046677377066</id><published>2010-04-07T09:35:00.002-03:00</published><updated>2010-11-06T18:01:02.296-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Israel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Palestina'/><title type='text'>A origem do conflito entre israelenses e palestinos (conclusão)</title><content type='html'>Em 1939, a Grã-Bretanha aprovou no Livro Branco a restrição da imigração dos judeus na Palestina, com o objetivo de limitar a crise da região e evitar novas revoltas. Tal decisão, porém, provocou a rebelião dos judeus, que reforçaram suas organizações de extrema-direita com a criação de núcleos como a Irgun (Organização Militar Nacional) e o Lehi (Combatentes pela Liberdade de Israel). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1947, a Grã-Bretanha dirigiu-se à ONU para apresentar a questão palestina. As Nações Unidas prepararam um plano de partilha segundo o qual o território palestino deveria abrigar no seu espaço um estado judeu e um estado árabe-palestino. No entanto, atos de terrorismo entre os dois povos sucediam-se em ritmo incessante, sobretudo após o massacre de 1948 dos camponeses palestinos em Deir Yassin, onde morreram 254 civis palestinos. Tais execuções por parte de grupos paramilitares israelenses objetivavam expulsar maciçamente os palestinos, forçando-os a deixarem suas terras que passavam a ser ocupadas pelos judeus que chegavam de toda a Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Plano de Partilha da ONU foi votado com 33 votos a favor (entre eles EUA, URSS e os países da América, Europa e Oceania), 13 votos contra (países do Oriente Médio e Ásia) e dez abstenções (entre as quais estava a Grã-Bretanha). O Mandato Britânico extinguiu-se. O estado judeu receberia 14 mil quilômetros quadrados e o Estado palestino 11 mil, situando-se entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. O norte de Israel deveria ser dividido entre os dois. A cidade de Jerusalém ficaria sob administração internacional, por ser considerada como lugar sagrado pelos cristãos, judeus e muçulmanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os judeus aceitaram o plano apresentado pelo brasileiro Osvaldo Aranha, mas os árabes se opuseram à criação de um estado de Israel, argumentando querer proteger os interesses dos palestinos. Em 1948, o mediador da ONU foi assassinado em Jerusalém por sionistas. Os britânicos deixaram definitivamente o território palestino. Os judeus proclamaram dia 14 de maio de 1948 o estado de Israel. No dia seguinte, as forças da Liga Árabe entraram em guerra contra o novo Estado. Em 1950, cerca de 900 mil palestinos refugiados viviam nos campos organizados pela ONU. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota-Este artigo baseia-se no livro de Paulo Fagundes Vizentini. Oriente Médio e Afeganistão. Dois séculos de conflitos. Editora Leitura XXI.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-1053260046677377066?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/1053260046677377066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=1053260046677377066' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1053260046677377066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1053260046677377066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/04/origem-do-conflito-entre-israelenses-e.html' title='A origem do conflito entre israelenses e palestinos (conclusão)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-8033103781743607472</id><published>2010-03-31T19:25:00.000-03:00</published><updated>2010-03-31T19:27:08.187-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Israel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Palestina'/><title type='text'>A origem do conflito entre israelenses e palestinos (2)</title><content type='html'>Nessas terras foram instalados, no início do século 20, os primeiros Kibbutz, fazendas coletivas inspiradas em princípios socialistas, mas que eram pensadas também como áreas organizadas militarmente. Para se proteger dos ressentimentos palestinos resultantes da ocupação do território palestino, os judeus mantinham organizações armadas e também grupos terroristas. As hostilidades entre os dois grupos cresciam dia após dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os árabes eram excluídos dos trabalhos e das atividades organizadas pelos judeus. A chegada em massa dos judeus na Palestina criou um forte desequilíbrio demográfico na região. Apresentamos alguns números para entender o vertiginoso crescimento da população dos judeus na Palestina: no fim da 1ª Guerra Mundial, os habitantes da Palestina eram formados por 515 mil muçulmanos, 60 mil cristãos, 60 mil judeus e 5 mil de outras religiões. Em 1939, os judeus na Palestina já chegavam a 400 mil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A delicada situação existente entre judeus e palestinos foi agravada por negociações contraditórias entre países europeus, principalmente França e Inglaterra. Entre as principais negociações, Vizentini lembra o acordo Sykes-Picot, concluído em maio de 1916, durante a 1ª Guerra Mundial, que colocava a Palestina sob controle internacional, e a Declaração Balfour, de 1917, com a qual o governo britânico empenhava-se em estabelecer no território palestino um lar para o povo judeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início dos anos de 1920, portanto, a Palestina era objeto de planos diferentes: um desses planos surgiu do acordo anglo-francês que queria deixar a Palestina sob proteção inglesa, outro era o plano dos árabes que desejavam a independência da Palestina, e o terceiro fundava-se no sonho dos judeus em criar seu novo estado na região. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De1919 a 1929, a Grã-Bretanha impôs sua influência na Palestina, por meio do Mandato Britânico, sob comando de um cidadão inglês de origem judaica. Dessa forma, a Palestina começou a ser contendida por três forças: os ingleses; os judeus sionistas - que se apressaram, por meio da criação de organizações próprias como a Organização Sionista Mundial, da Agência Judaica, dentre outras, a constituírem quase que um estado judaico -; e os árabes, que se organizaram no Conselho Supremo Muçulmano e no Partido Palestino Árabe Nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o surgimento do nazismo na Alemanha, as emigrações do povo judeu rumo à Palestina aumentaram vertiginosamente, gerando ainda maiores tensões entre os árabes da região. Com a tragédia do Holocausto, a ideia de criar um estado próprio para o povo judeu se fez ainda mais urgente e relevante. Nesse período, o governo britânico não podia mais conter o fluxo de imigrantes judeus que chegava ao país de forma clandestina. A população árabe, que já organizara a revolta contra a dominação inglesa, começou a se organizar contra a presença judaica, o que provocou a Revolta Árabe de1936. Esta, porém, foi derrotada pelos ingleses, militarmente superiores. Em três anos de conflito, mais de cinco mil árabes morreram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota-Este artigo baseia-se no livro de Paulo Fagundes Vizentini. Oriente Médio e Afeganistão. Dois séculos de conflitos. Editora Leitura XXI.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-8033103781743607472?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/8033103781743607472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=8033103781743607472' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8033103781743607472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8033103781743607472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/03/origem-do-conflito-entre-israelenses-e_31.html' title='A origem do conflito entre israelenses e palestinos (2)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7269343229356647830</id><published>2010-03-24T10:00:00.001-03:00</published><updated>2010-03-28T12:37:09.235-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Israel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Palestina'/><title type='text'>A origem do conflito entre israelenses e palestinos (1)</title><content type='html'>É comum lermos nos jornais ou escutarmos na TV que uma das causas da guerra entre israelenses e palestinos é o ódio milenar existente entre esses dois povos. Segundo o historiador Paulo Vizentini, tal afirmação não é verídica, pois, no passado, judeus e palestinos viveram por séculos em relativa harmonia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conflito só começou na passagem do século 19 ao 20, quando os judeus começaram a ser perseguidos na Europa Oriental sofrendo Progroms (massacres), sobretudo na Rússia czarista. Para se defender dos contínuos ataques e dos sentimentos de anti-semitismo que estavam se difundindo, os judeus criaram o sionismo, um movimento político que defendia o direito por parte dos judeus de constituir uma nação na terra de origem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1896, sai a obra de Theodor Herlz, O Estado Judeu, enquanto no ano seguinte realizou-se o 1º Congresso Sionista, na Suíça. Outra iniciativa importante do movimento sionista foi a fundação da Universidade Hebraica na Palestina. Tomou forma, portanto, todo um movimento de incitação ao retorno dos judeus na terra deixada séculos antes, em contraposição ao crescimento do anti-semitismo que da Europa Oriental passou a se difundir até na esclarecida França. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do século 19, começou, portanto, um fluxo de migrações moderado de judeus para a região da Palestina. Tal fluxo aumentou após a Primeira Guerra Mundial, com as grandes mudanças de então, entre as quais se destaca a Revolução Russa de 1917. &lt;br /&gt;Para facilitar o enraizamento dos imigrantes na Palestina, a Agência Judaica começou a adquirir terras, sobretudo de proprietários que viviam distantes, o que resultou na obrigação para os camponeses de abandonar as terras onde trabalhavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota-Este artigo baseia-se no livro de Paulo Fagundes Vizentini. Oriente Médio e Afeganistão. Dois séculos de conflitos. Editora Leitura XXI.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7269343229356647830?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7269343229356647830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7269343229356647830' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7269343229356647830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7269343229356647830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/03/origem-do-conflito-entre-israelenses-e.html' title='A origem do conflito entre israelenses e palestinos (1)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4782290781874476051</id><published>2010-03-17T07:16:00.000-03:00</published><updated>2010-03-17T08:13:51.072-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Israel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Palestina'/><title type='text'>A origem da diáspora judaica</title><content type='html'>Semana passada, recebi e-mail de um estudante de relações internacionais pedindo que eu indicasse algum livro que o ajudasse a compreender a origem e as razões do conflito entre Israel e Palestina. Justamente naqueles dias, estava lendo um livro muito interessante sobre o tema, do professor Paulo Fagundes Visentini, intitulado Oriente Médio e Afeganistão, um século de conflitos, da Editora Leitura XXI. O autor aborda o tema do conflito partindo da Primeira Guerra Mundial, onde situa o início da questão judaica. Em seguida, explica o desenrolar dos acontecimentos que levaram à proclamação do Estado de Israel, em 1948. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pergunta me veio em mente: quando foi e por que os judeus deixaram sua terra se espalhando pelo mundo? Onde começa a assim chamada diáspora judaica? Para responder a essa pergunta, comecei a ler algumas versões resumidas da história do povo de Israel. O Antigo Testamento relata as etapas mais conhecidas da história dos judeus. De Abraão e Sara nasceu Isaac. Isaac casou com Rebeca, e eles tiveram dois filhos: Esaú e Jacó, que será chamado também de Israel. Os seus descendentes foram, portanto, chamados de israelitas. O povo de Israel, por causa de uma situação de carestia, foi para o Egito, onde passou 400 anos. Lá, feitos escravos pelo faraó, foram libertados por Moisés e levados para a Terra Prometida. A história desse povo não é certamente uma história pacífica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os israelitas tiveram que se defender constantemente dos ataques de povos vizinhos, antes de tudo dos filisteus, seus inimigos tradicionais. Em 1029 a.C., o profeta Samuel, a pedido do povo, escolheu um rei que deveria garantir a unidade do povo de Israel. O escolhido foi o jovem Saul. Nasceu assim a primeira monarquia da história. Seu sucessor, Davi, expandiu o território de Israel e conquistou a cidade de Jerusalém. O território de Israel atingiu seu apogeu sob o reinado de Davi. Em seguida, porém, o reino foi dividido em duas partes, o reino do Norte, também chamado Reino de Israel e o Reino do Sul, ou Reino de Judá, com capital em Jerusalém. Em 586 a.C., a cidade de Jerusalém foi invadida pelo rei de Babilônia, Nabucodonosor, os israelitas foram obrigados a sair de sua terra e forçados a viver por cerca de 50 anos na Babilônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesse período que os anciãos do povo de Israel, para evitar o perigo de extinção total do povo hebreu, decidiram fundar sinagogas e escolas para o estudo sistemático dos livros sagrados da Torá. O reino de Judá foi objeto de invasão de muitos povos: assírios, persas, gregos e romanos. Em 63 a.C., os romanos transformaram a Judeia em província romana. No primeiro século d.C., as lutas entre judeus de várias facções e romanos se intensificaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande revolta judaica começou em 66 d.C. e terminou com o massacre da fortaleza de Massada, em 70 d.C., onde cerca de 900 judeus tentaram resistir ao cerco romano até esgotarem suas forças. A cidade de Jerusalém foi destruída pelos romanos, que escravizaram mais de cinco mil judeus. Uma nova revolta dos judeus foi definitivamente derrotada pelos romanos em 135 d.C. Sobre as ruínas do Templo de Jerusalém, os romanos construíram um templo dedicado ao deus Zeus, proibindo a todos os hebreus o acesso à cidade de Jerusalém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo período, segundo a professora Maria Luisa Moscati Benigni, especialista no estudo de comunidades judaicas, para cortar toda ligação com o passado, o nome do território judaico foi mudado para Palestina pelos romanos, o que resultou em uma ofensa para os judeus, porque o nome Palestina derivava da Phalestina, que significa terra dos filisteus, tradicionais inimigos de Israel. Os hebreus expulsos reuniram-se em comunidades ao longo da costa do Mediterrâneo, espalhando-se, depois, pela Europa. Do século 8 até o ano mil, as comunidades judaicas viveram um período próspero e relativamente pacífico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4782290781874476051?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4782290781874476051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4782290781874476051' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4782290781874476051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4782290781874476051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/03/origem-da-diaspora-judaica-1.html' title='A origem da diáspora judaica'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-1251707332898929946</id><published>2010-03-03T07:08:00.000-03:00</published><updated>2010-03-03T09:01:06.354-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Malvinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grã-Bretanha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Argentina'/><title type='text'>Argentina e Grã-Bretanha: conflito e negociação.</title><content type='html'>O recente anúncio, por parte do governo britânico, do envio de uma plataforma de exploração de petróleo às ilhas Malvinas (para os argentinos) ou Falklands (para os britânicos) reacendeu um antigo conflito entre os dois países. A briga por essas ilhas localizadas no Atlântico Sul, ao largo da costa da Argentina, originou-se desde o século XVIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1765, a Grã-Bretanha estabeleceu sua base nas ilhas, apesar da presença francesa no lugar, que chamara as ilhas de Îles Malouines. Em 1766, a França vendeu as ilhas para a Espanha que, após um conflito com a Grã-Bretanha, ocupou a parte oriental, deixando a parte ocidental das ilhas sob o domínio inglês. Já no século XIX, a Argentina ocupou a parte oriental, herdada da Espanha, enviando um seu governador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Reino Unido invadiu o lado argentino em 1833. Dali por diante, a Argentina passou a reivindicar as ilhas como parte natural do seu território.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 80, o governo militar argentino, para tentar diminuir sua impopularidade, decidiu invadir as ilhas Malvinas. Apostando numa política externa de aliança com os Estados Unidos, a junta militar argentina acreditava que os Estados Unidos, frente à invasão militar das ilhas Malvinas, apoiariam o país e não a Grã-Bretanha. Ao mesmo tempo, não acreditou que a Grã-Bretanha reagisse militarmente, como, ao invés, aconteceu, esperando que a invasão resultasse numa negociação e consequente transferência de soberania. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente, o governo argentino não percebeu que a ordem mundial vigente naqueles anos teria favorecido as alianças norte-norte em detrimento dos países emergentes da América Latina. A desproporção de poderio militar entre os dois países deu a vitória à Grã-Bretanha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do apoio que, na época, a Argentina recebeu dos seus vizinhos, as ilhas ficaram nas mãos dos ingleses. O governo argentino, naturalmente, nunca aceitou como definitiva a humilhante derrota de 1982. O então presidente Kirchner fez da retomada das ilhas Malvinas um dos pontos fortes de seu governo. Sua esposa está percorrendo agora os mesmos passos dos seus predecessores, querendo barrar a exploração britânica das ilhas Malvinas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sendo classificado como um assunto de política externa, o problema das ilhas Malvinas diz respeito à política interna argentina. A presidente Kirchner está tentando, como fez em 1982 a junta militar, reforçar seu governo e aumentar sua popularidade. Contudo, à diferença de 1982, ela excluiu a possibilidade de uma invasão militar às ilhas. Sabe que nem a Argentina nem a Grã-Bretanha podem, na atual conjuntura econômica e política, enfrentar os custos de um conflito armado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das promessas de Chavez de apoiar a Argentina na briga contra “o país imperialista”, qualquer conflito militar está, felizmente, excluído. A via diplomática será o único caminho a ser percorrido. Além disso, estamos fora do contexto internacional norte-norte que havia em 1982.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-1251707332898929946?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/1251707332898929946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=1251707332898929946' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1251707332898929946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1251707332898929946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/02/argentina-e-gra-bretanha-conflito-e.html' title='Argentina e Grã-Bretanha: conflito e negociação.'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-8606539962087369659</id><published>2010-02-17T07:12:00.000-02:00</published><updated>2010-02-17T18:21:45.461-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haiti'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Costa Rica'/><title type='text'>Costa Rica, o país mais feliz do mundo e sua nova presidente</title><content type='html'>Após 189 anos de governo masculino, a Costa Rica agora é governada por uma mulher. Contudo, a vitória de Laura Chinchilla Miranda, do Partido Liberação Nacional (PLN), não foi surpresa para o povo da Costa Rica. Sua vitória foi favorecida por muitos elementos, tais como o apoio do presidente Óscar Rafael de Jesús Arias Sánchez, em cujo governo Chinchilla trabalhou como vice e como Ministro da Justiça, a alta percentagem de mulheres (58% do total dos eleitores) favoráveis à sua eleição e, sobretudo, a ausência de fortes candidatos na oposição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela derrotou Ottón Solis, fundador do Partido da Ação Cidadã (PAC), que ficou em segundo lugar, com 25% dos votos. Ottón foi ministro do Planejamento e Políticas Econômicas no governo Arias de 1986 a 1988, e já foi derrotado duas vezes nas eleições presidenciais, em 2002 e em 2006. O candidato que chegou em terceiro lugar na corrida presidencial foi Otto Guevara, fundador do Movimento Libertário (ML). O judeu Luis Fishman Zonzinski, último colocado, que recebeu apenas 3,8% dos votos, foi vice-presidente e Ministro da Saúde, representando o Partido de Unidade Social Cristã (Pucs). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pucs, de tendência liberal, foi fundado em 1983 pela confluência de forças conservadoras em oposição ao Partido Liberação Nacional e governou o país entre 1990 e 2006, marcando a virada liberalista do país. Em 2006, quando o Presidente Arias retornou ao poder, o Pucs perdeu força e o sistema bipartidário que caracterizou a vida política da Costa Rica por décadas desmoronou, deixando espaço para os novos partidos PAC e ML.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costa Rica é considerada como a democracia mais estável da América Latina. Em 1987, o presidente Arias recebeu o prêmio Nobel da Paz pela contribuição dada à mediação nos conflitos da América Central durante seu primeiro mandado (1986-1990). Foi o primeiro presidente a ser eleito por duas vezes (em 1986 e em 2006) seguindo o exemplo do líder revolucionário José “Pepe” Figueres Ferrer, que governou o país por três vezes (1948-49; 1953-58; 1970-1974) e que fundou, em 1951, o Partido Liberação Nacional (PLN). O lendário libertador nacional aboliu o exército em 1949, apesar de ser um guerrilheiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Partido Liberação Nacional, de inspiração social democrata, aderente à Internacional Socialista, transformou o país, que é conhecido como a “Suíça da América Latina”. Apelido justificado pelo alto nível do sistema de saúde e do sistema escolar, como também pela expectativa de vida (78,5 anos).  Melhores até da vizinha Cuba que não se cansa de fazer propaganda dos seus ótimos hospitais e escolas. A propósito dessa comparação, parece que o slogan preferido do povo da Costa Rica seja: “Preferimos ter mestres e não soldados”. Também na salvaguarda do meio-ambiente, o país destaca-se pelos resultados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ano de 2010, a Costa Rica foi classificada em tal âmbito como terceiro entre 163 países, tendo aumentado as próprias florestas de 20%, dos anos oitenta, para mais da metade do território nacional. Em 2021 será o primeiro país no mundo a ter impacto zero na emissão de gás carbônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É natural, mesmo se talvez não seja justa, a comparação entre esse país, que foi considerado recentemente como o mais feliz do mundo, e a não distante ilha do Haiti, o país mais pobre da América Central, o país mais triste e que necessita urgentemente de ajuda internacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permanece a esperança que um pouco da felicidade da Costa Rica encontre lugar entre os vizinhos do Haiti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-8606539962087369659?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/8606539962087369659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=8606539962087369659' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8606539962087369659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8606539962087369659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/02/costa-rica-o-pais-mais-feliz-do-mundo-e.html' title='Costa Rica, o país mais feliz do mundo e sua nova presidente'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-797011985862943814</id><published>2010-02-03T14:43:00.000-02:00</published><updated>2010-02-03T14:44:34.517-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haiti'/><title type='text'>Toussaint Louverture – o herói da independência haitiana (fim)</title><content type='html'>Segundo o cientista político Antonio Maria Baggio, Toussaint possuía uma história diferente dos outros escravos. Desde pequeno, ele não conheceu a vida de pancadas e perseguições, comum aos outros escravos. Cresceu junto à plantação Breda e foi destinado sempre a serviços que o faziam conviver com os donos da plantação. Ganhou sua confiança e pôde, dessa forma, aprender noções preciosas para sua futura missão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro elemento destacado por Baggio é que sua educação aconteceu em um ambiente cristão. Foi um padre que lhe ensinou a ler e escrever. Toussaint frequentava a igreja, ajudava na missa, estava, portanto, acostumado a escutar a mensagem evangélica. A ideia fundamental que retirou dessas leituras era a da fraternidade, da igualdade: todo o homem é feito à imagem de Deus e ele é irmão de todos os outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal ideia - segundo o cientista italiano - permeou toda ação revolucionária de Toussaint. Exemplo disso foi o apelo, lançado em 20 de agosto de 1793, por Toussaint Louverture. Ele dirigiu-se assim aos escravos das plantações do norte do Haiti: “Irmãos e amigos, meu nome é Toussaint Louverture, que talvez vocês já conheçam. Quero que a liberdade e igualdade reinem em Santo Domingo, trabalho para que elas existam. Unam-se a nós e combatam conosco pela mesma causa”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essa mensagem, Toussaint procurava unir todos os escravos haitianos, formar um povo só. Os escravos provinham de lugares diferentes da África. Tinham, com certeza, tradições culturais diferentes, não existia a nação haitiana. Por isso, é importante evidenciar a palavra usada por Toussaint para se dirigir aos escravos. Ele os chama de “irmãos”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentando essa mensagem, o professor Baggio escreveu: “Toussaint os chama de irmãos para fazer deles um povo. A fraternidade tem uma nítida leitura política. Ela muitas vezes desempenha um papel importante no alvorecer dos estados, quando a liberdade e a igualdade ainda não existem. Quando um estado é invadido por colonizadores e por estrangeiros, quando está sob uma ditadura, e a liberdade e a igualdade não existem, é preciso conquistá-las a partir da fraternidade, porque os combatentes estão prontos a dar a vida um pelo outro e não medem sacrifícios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, é uma fraternidade que funda os estados; mesmo que, depois, ao atingir a condição de normalidade e de ser estabelecida uma ordem institucional e legal, frequentemente seja esquecida. É quando também a liberdade e a igualdade podem entrar em crise, porque não mais se vivem com a fraternidade, que foi sua origem e seu fundamento”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mensagem de Toussaint, mesmo a escravidão tendo sido abolida e a independência alcançada, permanece incrivelmente atual. O apelo de Toussaint deveria ainda hoje ressoar nas ruas do Haiti como uma chamada à fraternidade, à igualdade e a liberdade. Elementos fundamentais para a reconstituição de um novo Haiti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-797011985862943814?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/797011985862943814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=797011985862943814' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/797011985862943814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/797011985862943814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/02/toussaint-louverture-o-heroi-da.html' title='Toussaint Louverture – o herói da independência haitiana (fim)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-6646415086234861978</id><published>2010-01-27T10:06:00.000-02:00</published><updated>2010-01-27T10:07:30.209-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haiti'/><title type='text'>Toussaint Louverture – o herói da independência haitiana (1)</title><content type='html'>Há semanas, seguimos com o coração apertado as vicissitudes do Haiti, alegrando-nos com cada sobrevivente encontrado, compartilhando a dor pelo aumento das mortes e frustrando-nos pela impressionante dificuldade que as equipes internacionais encontram para distribuir as ajudas provenientes do mundo todo. O caos impera e a esperança de reconstrução desse país, já devastado antes do terremoto, aparece como uma pequena chama muito fácil de ser apagada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observando as reportagens diárias sobre esse pequeno país, porém, evidencia-se, além do sofrimento, a resistência extraordinária desse povo que há décadas enfrenta desemprego, corrupção por parte de governos ditatoriais, ausência dos pressupostos básicos para o funcionamento de um estado. O Haiti, país mais pobre do continente americano, pode ser classificado, segundo os parâmetros de classificação dos estados, como um quase-estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, esse quase-estado possui na sua história um herói, quase desconhecido, que se tornou um modelo para o movimento anti-colonialista da América Latina. Seu nome é Toussaint Louverture.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Líder da revolução haitiana, que começou em 1791, Toussaint lutou junto com os escravos negros do Haiti contra a dominação francesa por 14 anos, alcançando a independência em 1804. Foi a primeira república negra. Um caso atípico na história. Sua divulgação histórica foi considerada inconveniente pelo ocidente, por óbvias razões. Mas essa omissão não conseguiu evitar que o nome de Toussaint Louverture se tornasse referência para muitos países que desejavam a libertação da dominação estrangeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já seu nome, é um programa. Toussaint adoutou em 1793 o nome Louverture, do francês l’ouverture que significa abertura, a abertura de um novo caminho, o da libertação, da independência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-6646415086234861978?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/6646415086234861978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=6646415086234861978' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6646415086234861978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6646415086234861978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/01/toussaint-louverture-o-heroi-da.html' title='Toussaint Louverture – o herói da independência haitiana (1)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-6182281618900017351</id><published>2010-01-20T09:34:00.002-02:00</published><updated>2010-01-20T09:35:19.607-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Questão dos Ritos'/><title type='text'>Matteo Ricci, os jesuítas e a questão dos ritos (fim)</title><content type='html'>Em Nanquim, Mons. Tournon publicou um decreto que renovava a condenação da igreja de Roma contra os ritos chineses, ameaçando todos os missionários que se conformassem às decisões de Kangxi de excomunhão (Decreto de Nanquim). A publicação deste decreto, que retomava as decisões já promulgadas pela Santa Sé em 20 de novembro de 1704, provocou a ira do imperador que convidou Mons. Tournon a se retirar em Cantão e, em seguida, a Macau, onde deveria esperar a volta de dois jesuítas enviados a Roma pelo imperador Kangxi para tentar convencer o papa a revogar a proibição dos ritos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Macau, Mons. Tournon foi preso pelas autoridades portuguesas com a acusação de ter agido junto ao imperador chinês sob a autorização exclusiva de Roma, quando, segundo as leis do padroado de Portugal, qualquer missão diplomática católica deveria ser intermediada pelo governo português. &lt;br /&gt;Trata-se de episódio significativo porque mostra as dificuldades da Santa Sé para estabelecer relações diretas com a China.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-6182281618900017351?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/6182281618900017351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=6182281618900017351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6182281618900017351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6182281618900017351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/01/matteo-ricci-os-jesuitas-e-questao-dos_20.html' title='Matteo Ricci, os jesuítas e a questão dos ritos (fim)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7044364642363990254</id><published>2010-01-13T09:43:00.002-02:00</published><updated>2010-01-20T09:38:40.853-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Questão dos Ritos'/><title type='text'>Matteo Ricci, os jesuítas e a questão dos ritos (parte 4)</title><content type='html'>A intransigência de Roma contradisse as instruções que, no mesmo período, exatamente em 1659, Propaganda Fide apresentara a todos os missionários: “Não usem nenhum meio de persuasão para induzir aqueles povos a mudar os seus ritos, os seus hábitos, os seus costumes, ao menos que não estejam abertamente contra a religião e os bons costumes. O que existe, de fato, de mais absurdo do que transplantar na China, a França, a Espanha, a Itália ou qualquer outro país da Europa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é isto que vocês devem introduzir, mas a fé, que não rejeita os ritos e os costumes de nenhum povo, contanto que não sejam maus, mas quer, ao contrário, salvaguardá-los e consolidá-los... Não façam, portanto, comparações entre os usos locais e os usos europeus; procurem com todo vosso empenho acostumar-vos a eles. Admirem e elogiem tudo que merece elogios; se algo não o merece, não devem certamente exaltá-lo como fazem os aduladores, mas devem ter a prudência de não julgá-lo ou ao menos de não condená-lo sem motivo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltou confiança nas intuições dos missionários jesuítas que tinham experiência direta e conhecimento profundo da cultura chinesa. As decisões pontifícias distanciaram-se da posição da própria Propaganda Fide e resultaram numa derrota da experiência missionária deste período. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papa Clemente 11 enviou à China Mons. Charles-Thomas Maillard de Tournon. A sua missão era aquela de explicar e fazer respeitar as decisões do Vaticano em relação à Questão dos Ritos. Admitido à corte imperial, em um primeiro momento, o imperador Kangxi acolheu Mons. Tournon com uma certa cortesia, mas, quando teve conhecimento das comunicações de Roma contra os ritos chineses, fez reconduzir Mons.Tournon a Nanquim e ordenou que daquele momento em diante os missionários deveriam providenciar um piao, isto é, uma permissão emitida pelas autoridades civis para se deslocar no interior da China que seria dada somente aos missionários que tivessem declarado de aceitar o ponto de vista do imperador. Caso não quisessem, seriam expulsos do império.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7044364642363990254?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7044364642363990254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7044364642363990254' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7044364642363990254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7044364642363990254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/01/matteo-ricci-os-jesuitas-e-questao-dos_13.html' title='Matteo Ricci, os jesuítas e a questão dos ritos (parte 4)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7418735279585708994</id><published>2010-01-06T09:31:00.001-02:00</published><updated>2010-01-06T09:32:54.005-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Questão dos Ritos'/><title type='text'>Matteo Ricci, os jesuítas e a questão dos ritos (parte 3)</title><content type='html'>Alguns missionários, principalmente dominicanos e franciscanos, que evangelizavam com métodos intransigentes, porque culturalmente ligados a modelos europeus, escreveram à Santa Sé comunicando suas opiniões contrárias aos métodos usados por Matteo Ricci e outros jesuítas, afirmando que a fé cristã corria risco, porque os jesuítas estavam permitindo aos católicos chineses de praticar os ritos aos ancestrais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes ritos eram homenagens que os chineses dirigiam aos próprios defuntos. Todos os chineses guardavam nas suas casas tabuinhas com os nomes dos seus defuntos e a eles dirigiam saudações, acendiam incensos, ofereciam frutas, perfumes... As mesmas homenagens eram reservadas a Confúcio. Tudo isso era a manifestação da virtude da “piedade filial” que estava à base da organização familiar e da sociedade civil chinesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro ponto de litígio era sobre a escolha da palavra chinesa para a definição de Deus. Três eram as palavras usadas no tempo de Matteo Ricci: Tian Zhu (Senhor do Céu), Shang-di (Senhor Soberano) e Tian (Céu). Esta última denominação foi usada pelo imperador Kangxi em uma inscrição que ele mesmo tinha redigido em grandes ideogramas com o objetivo de doá-la aos Jesuítas. Estes tinham colocado a inscrição na capela de sua casa. A controvérsia era se estas palavras chinesas pudessem ou não expressar a natureza de Deus. Depois de vários estudos por parte de Roma, o uso das denominações Shang-di e Tian foi proibido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1645, a igreja católica pronunciou-se pela primeira vez contra os ritos aos ancestrais definindo-os como atos supersticiosos, inaceitáveis para quem queria se converter ao catolicismo. Os jesuítas tentaram esclarecer que esses ritos eram um simples e amoroso tributo aos pais e ascendentes defuntos, consequência da virtude da piedade filial ensinada aos chineses por Confúcio e que nada tinham a ver com superstição. Mas ninguém quis escutá-los. Nem um ato oficial do imperador Kangxi, no qual ele afirmava que as honras prestadas a Confúcio e aos ancestrais eram puramente civis, conseguiu convencer Roma a abandonar a sua atitude intolerante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7418735279585708994?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7418735279585708994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7418735279585708994' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7418735279585708994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7418735279585708994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2010/01/matteo-ricci-os-jesuitas-e-questao-dos.html' title='Matteo Ricci, os jesuítas e a questão dos ritos (parte 3)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-1171183579227629911</id><published>2009-12-30T19:42:00.001-02:00</published><updated>2009-12-30T19:43:50.927-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Questão dos Ritos'/><title type='text'>Matteo Ricci, os Jesuítas e a Questão dos Ritos (parte 2)</title><content type='html'>A chegada de Matteo Ricci, em 1582, marcou uma verdadeira revolução quanto ao método de aproximação ao povo chinês. Em Macau, por exemplo, naquele período, os chineses convertidos eram obrigados a escolher nomes portugueses, vestir roupas portuguesas e adotar os costumes de Portugal. Matteo Ricci mergulhou diretamente no estudo da língua chinesa, ao contrário de outros missionários, que usavam, até então, o método de assimilação cultural dos povos evangelizados. Antes de entrar em Pequim, passou muitos anos no interior da China, aprofundando o estudo da língua, das tradições locais, vestindo o hábito confuciano e fazendo-se “chinês com os chineses”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudou o seu nome para Li Madou. Inculturou-se. Valorizou os costumes, a cultura, os valores e as tradições chinesas, evidenciando o que mais os aproximava. Humanista, Matteo Ricci conseguiu abrir um diálogo entre duas civilizações, oferecendo os seus conhecimentos de letrado e matemático. Escreveu e traduziu numerosas obras em língua chinesa. Quando morreu, em 1610, o imperador Wanli concedeu um terreno para a sua sepultura. Esta foi a primeira vez em toda a história da China que a um estrangeiro foi permitido o sepultamento na capital do império. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O período que seguiu a morte de Ricci foi menos feliz. Os missionários encontraram diversos obstáculos em seu caminho. Além das perseguições periódicas, mais nocivas aos objetivos da evangelização foram as rivalidades entre as próprias ordens religiosas, principalmente entre os franciscanos e os jesuítas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a queda da dinastia Ming, derrotada em 1644, e o advento da dinastia Qing, o cristianismo encontrou no imperador Kangxi um importante aliado. Com um decreto de 1692, Kangxi elogiou os missionários europeus, agradecendo-os pelos seus serviços e definindo-os homens de paz. Neste mesmo documento, ele comunicava a sua decisão de salvaguardar todos os templos dedicados ao Senhor do Céu (Tianzhu), o Deus dos cristãos, e de autorizar todos aqueles que queriam adorar este Deus a participar das cerimônias que os cristãos celebravam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este decreto fazia parte de uma tentativa de reformas que aproximariam a China do Ocidente, em busca da modernização do império chinês. &lt;br /&gt;Infelizmente, a Questão dos Ritos rompeu esta feliz amizade entre os representantes da igreja católica e a corte chinesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-1171183579227629911?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/1171183579227629911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=1171183579227629911' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1171183579227629911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1171183579227629911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/12/matteo-ricci-os-jesuitas-e-questao-dos_30.html' title='Matteo Ricci, os Jesuítas e a Questão dos Ritos (parte 2)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-3052952376223132689</id><published>2009-12-23T10:09:00.001-02:00</published><updated>2009-12-23T10:10:46.977-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Questão dos Ritos'/><title type='text'>Matteo Ricci, os Jesuítas e a Questão dos Ritos (parte 1)</title><content type='html'>No ano de 2010, será celebrado o quarto centenário da morte de Matteo Ricci, jesuíta italiano que viajou para China e ali revolucionou os métodos de evangelização usados até então. Mestre do diálogo, conseguiu, de fato, estabelecer relações de amizade e confiança com o imperador e o povo chinês, atuando o que chamamos hoje de inculturação, da mensagem evangélica, na cultura chinesa. Tal sucesso, porém, provocou a revolta dos outros missionários que, provavelmente por inveja, denunciaram, à Santa Sé, os métodos de Matteo Ricci considerados por tais opositores como quase heréticos. Surgiu, assim, a conhecida Questão dos Ritos, que comprometeu o diálogo entre a igreja católica e o mundo chinês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os missionários jesuítas chegaram no Oriente levados por navios portugueses, na dupla veste de enviados da Coroa e núncios do papa. Havia na época o sistema do padroado por parte dos reis de Portugal e Espanha que possuíam todos os direitos sobre as missões, inclusive o de nomear bispos e erigir dioceses. &lt;br /&gt;Em veste de enviado pontifício e vigário-geral da Companhia de Jesus, chegou em Macau, em 1578, o missionário Alessandro Valignano, que recolheu o legado deixado por Francisco Xavier, morto às portas chinesas em 1552. Valignano procurou mudar o estilo coercitivo de evangelização adotado pelos missionários da época e tentou livrar-se do poder político que acompanhava os padroados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele período, a igreja católica começava a perceber que a estreita ligação entre a evangelização e os padroados não era benéfica à evangelização na Ásia. Por meio da criação de Propaganda Fide, a Santa Sé tentou separar as competências de um e de outro. Os primeiros jesuítas, como Valignano, Ruggieri e, em seguida, Matteo Ricci, adotaram as novas diretrizes de aprender antes de tudo a língua e os costumes chineses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-3052952376223132689?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/3052952376223132689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=3052952376223132689' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3052952376223132689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3052952376223132689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/12/matteo-ricci-os-jesuitas-e-questao-dos.html' title='Matteo Ricci, os Jesuítas e a Questão dos Ritos (parte 1)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-5921741031681678446</id><published>2009-12-16T07:22:00.000-02:00</published><updated>2009-12-16T09:17:24.846-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Sé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chile'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bento XVI'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Argentina'/><title type='text'>A mediação da Santa Sé no conflito Argentina-Chile</title><content type='html'>No último sábado, dia 28 de novembro, o papa Bento XVI recebeu no Vaticano a visita de Cristina Fernández de Kirchner e Michelle Bachelet, respectivamente presidentes da Argentina e do Chile. O motivo da visita era celebrar os 25 anos do Tratado de Paz e Amizade assinado pelos dois países no dia 29 de novembro de 1984 no Palácio Apostólico do Vaticano, graças à mediação da Santa Sé, e que salvou os dois países de um conflito que parecia inevitável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As causas da disputa envolviam a soberania das ilhas Picton, Lennox e Nueva, localizadas entre a entrada do Canal do Beagle e o Cabo Horn na ponta da Terra do Fogo. O litígio era antigo, remontava ao século XIX, no período em que Argentina e Chile estavam ainda definindo suas fronteiras. Entre 1822 e 1833, o Chile estabeleceu como seu limite o Cabo Horn. Com o tempo, porém, tentou ampliar um pouco mais seu espaço de navegação na região do Estreito de Magalhães. As tratativas de definição de fronteiras estenderam-se por mais de um século, ora com tratados de paz, ora com pedidos de revisão e crises diplomáticas. Em 1959, uma nova crise obrigou os dois países a se comprometerem na busca de uma solução por meio da arbitragem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1977, a Rainha Elizabeth II, da Grã-Bretanha, nomeada árbitro da disputa, decidiu que a posse das três ilhas disputadas ficaria com o Chile. A Argentina, por sua vez, ficaria com a Ilha Becasse, ao lado da ilha Picton, e com a livre navegação para o acesso a Ushuaia, a cidade mais austral do mundo, capital da região da Terra do Fogo. A Argentina não ficou satisfeita. Em 1978, ano da vitória da Seleção Argentina na Copa do Mundo, o governo dos militares, decidiu reabrir a disputa com o Chile, talvez na tentativa de reforçar o sentimento nacionalista enfraquecido sob os golpes da ditadura militar. Na época, o Chile também era governado por um ditador militar, Augusto Pinochet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ânimos começaram a esquentar, e os dois governos preparavam já seus exércitos. Em 21 de dezembro de 1978, Pinochet avisou os Estados Unidos da iminência do conflito militar. A Argentina marcou o início do bombardeio e a invasão do Chile para as 22 horas do dia seguinte. O conflito era tido como inevitável. Mas apenas três horas antes do início do conflito, a Junta Militar da Argentina decidiu aceitar a mediação da Santa Sé, que havia sido interpelada pelo próprio presidente argentino, General Videla. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O então João Paulo II, recém eleito, enviou o Cardeal Antonio Samoré para que ajudasse os dois governos a encontrar uma solução pacífica para o conflito. No dia 8 de janeiro de 1979, os chanceleres da Argentina e Chile assinaram a Ata de Montevidéu, com a qual se comprometeram em aceitar a mediação do Vaticano. Em 1980, o papa João Paulo II propôs que o governo argentino reconhecesse a soberania do Chile sobre as três ilhas do Canal de Beagle. A Argentina recusou tal proposta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente em 1984, quando, na Argentina, voltou a democracia, um plebiscito aprovou, com 80% dos votos, a proposta da Santa Sé. Chegou-se, finalmente, à assinatura do Tratado de Paz e Amizade que terminou com uma disputa de mais de um século e que livrou os dois países de um conflito que teria custado a vida de milhares de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último sábado, o papa Bento XVI, encontrando as delegações dos dois países, lembrou com satisfação como “aquele histórico evento contribuiu beneficamente para reforçar em ambos os Países os sentimentos de fraternidade, como também uma mais decidida cooperação e integração (...). O evento que hoje comemoramos faz já parte da grande história de duas nobres Nações, mas também de toda a América Latina. O Tratado de Paz e Amizade é um exemplo luminoso da força do espírito humano e da vontade de paz diante das barbáries e da absurdidade da violência e da guerra como meio de resolver as divergências”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento XVI lembrou as palavras do papa Pio XII que, na véspera da eclosão da II Guerra Mundial, pronunciou, numa mensagem radiofônica, a célebre frase: “Nada é perdido com a paz. Tudo pode ser perdido com a guerra”. Com isso, Bento XVI quis sublinhar a importância de se tentar resolver as controvérsias por meio do diálogo, mediante pacientes negociações, levando em conta “as justas exigências e os legítimos interesse de todos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A celebração, no Vaticano, desse Tratado de Paz foi, certamente, relevante, por se tratar do reconhecimento oficial, por parte de dois Estados, da capacidade de mediação internacional da Santa Sé. O caminho do diálogo e da negociação deu certo. A presidente argentina, no seu discurso, reconhecendo que, graças à mediação do papa João Paulo II e de seu representante, o Cardeal Samoré, a guerra foi evitada, concluiu: “Quem é um mediador? É alguém que não está nem de um lado nem de outro. Está pela paz”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-5921741031681678446?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/5921741031681678446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=5921741031681678446' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/5921741031681678446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/5921741031681678446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/12/mediacao-da-santa-se-no-conflito.html' title='A mediação da Santa Sé no conflito Argentina-Chile'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-1879225687930939018</id><published>2009-11-18T10:19:00.001-02:00</published><updated>2009-11-18T10:21:24.140-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ONU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='G-8'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bento XVI'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='FAO'/><title type='text'>Bento XVI na Cúpula da ONU sobre Segurança Alimentar</title><content type='html'>Na segunda-feira, dia 16, o papa Bento XVI chegou ao palácio da FAO (Food Agriculture Organization), em Roma, respondendo ao convite do seu diretor-geral para falar na sessão de abertura da Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar. Não obstante a presença de 60 países, entre os quais o Brasil, não passou despercebida a ausência dos países do G8, como Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, etc. Desse grupo, apenas a Itália participou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papa Bento XVI foi acolhido pelo Diretor Geral da FAO, Jacques Diouf, que, agradecendo ao Pontífice de ter acolhido seu convite, sublinhou como a presença do papa “conferia a esta cúpula uma forte dimensão espiritual para enfrentar o problema da fome no mundo”. Ele sublinhou que a Igreja Católica possui consonância de visões com a FAO, por isso a presença de seu representante máximo, o papa, “permitirá também de elevar a luta contra a fome no mundo a um nível de responsabilidade coletiva e de ética que transcenda o que está em jogo e os interesses nacionais e regionais, para reafirmar com voz clara e forte o direito à alimentação, o primeiro dos direitos do ser humano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu discurso - definido por um jornalista como “uma denúncia clara e realista de uma situação intolerável” -, Bento XVI enfrentou o tema da fome lembrando que “a terra pode suficientemente nutrir todos os seus habitantes. De fato, mesmo se em algumas regiões permaneçam baixos os níveis de produção agrícola, também por causa de mudanças climáticas, globalmente a produção é suficiente para satisfazer seja a necessidade atual seja aquela previsível para o futuro. Tais dados indicam a ausência de uma relação causa-efeito entre o crescimento da população e a fome, o que é confirmado também pela destruição de alimentos em função do lucro econômico”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papa Bento XVI fez um apelo aos governantes da terra para que se repense o conceito de cooperação entre países ricos e pobres: “Tal conceito deve ser coerente com o princípio da subsidiariedade: é necessário envolver as comunidades locais nas escolhas e nas decisões relativas ao uso da terra cultivável. A cooperação deve se tornar instrumento eficaz, livre de vínculos e interesses que possam absorver uma parte não desprezível dos recursos destinados ao desenvolvimento”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, Bento XVI alertou sobre o perigo de se considerar o problema da fome no mundo como algo estrutural: “Há o risco que a fome seja considerada como parte integrante, estrutural, das realidades sociopolíticas dos Países mais fracos, objeto de um sentido de resignado desconforto, se não até de indiferença. Não é assim, e não deve ser assim! Para combater e vencer a fome, é essencial começar a redefinir os conceitos e princípios até agora aplicados nas relações internacionais, para poder responder à interrogação: o que pode orientar a atenção e sucessiva conduta dos Estados nas necessidades dos últimos? A resposta não deve ser procurada no perfil operativo da cooperação, mas nos princípios que devem inspirá-la: somente em nome da pertença comum à família humana universal pode-se pedir a cada povo e, portanto, a cada país de ser solidário, isto é, disposto a carregar-se de responsabilidades concretas em ir ao encontro das necessidades alheias para favorecer uma verdadeira partilha fundada no amor”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento XVI definiu a fome como o “sinal mais cruel e concreto da pobreza”. “Não é possível”, disse ainda “continuar a aceitar opulência e desperdício”. Concluiu afirmando que a Igreja Católica “não pretende interferir nas escolhas políticas. Ela é respeitosa do saber e dos resultados das ciências, como também das escolhas determinadas pela razão, responsavelmente iluminadas pelos valores autenticamente humanos, voltados ao esforço para eliminar a fome”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papa-teólogo, na FAO se revelou como o papa prático do internacionalismo da luta concreta contra a fome no mundo, escândalo da humanidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-1879225687930939018?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/1879225687930939018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=1879225687930939018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1879225687930939018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1879225687930939018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/11/bento-xvi-na-cupula-da-onu-sobre.html' title='Bento XVI na Cúpula da ONU sobre Segurança Alimentar'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-180256136096775575</id><published>2009-11-11T11:54:00.001-02:00</published><updated>2009-11-11T12:00:42.602-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Africa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>A política externa da China para África (2)</title><content type='html'>Sob Deng Xiaoping, a China passara a defender uma diplomacia aberta, livre de considerações ideológicas. O pragmatismo que caracterizou a reforma econômica dentro da China caracterizou também a política externa. O continente africano exerceu desde o início forte atração para a China em função da riqueza de matérias-primas e como potencial mercado para exportações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que diferencia a política externa chinesa na África da atuação das potências tradicionais que colonizaram o continente africano é principalmente a maneira diferente de agir dos chineses e sua postura em relação aos povos e governos africanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A China não integra alianças militares, não possui bases militares no exterior, como os Estados Unidos, e ela age militarmente no exterior participando apenas de missões de manutenção da paz. Seus instrumentos de trabalho em relação à África são a diplomacia, a ajuda técnica e financeira e o comércio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A China desfruta dos recursos energéticos africanos, mas em compensação ela constrói estradas, pontes, escolas, oferecendo aos africanos uma infraestrutura que certamente representa, para os que recebem as empresas chinesas, uma melhor qualidade de vida. O governo chinês defende, portanto, um modelo de desenvolvimento comum para a África e a China, chegando a lugares de difícil acesso, que, no passado, haviam sido descartados pelos europeus por serem considerados locais não aproveitáveis. Em 2006, o presidente Hu Jintao prometeu créditos e empréstimos de longo prazo aos países africanos, no valor de cinco bilhões de dólares, e afirmou que até 2009 a China dobraria sua ajuda à África. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo chinês assumiu o compromisso de formar 15 mil profissionais africanos, isentar de tarifas uma nova leva de importações da África, e estabelecer até cinco zonas de livre comércio. Ela está conquistando o continente africano, não com a tradicional política de guerra e invasão, mas com uma política de cooperação e convencimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-180256136096775575?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/180256136096775575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=180256136096775575' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/180256136096775575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/180256136096775575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/11/politica-externa-da-china-para-africa.html' title='A política externa da China para África (2)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-5539638869292726459</id><published>2009-11-04T12:10:00.000-02:00</published><updated>2009-11-04T12:12:20.269-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Africa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>A política externa da China para África (1)</title><content type='html'>A política externa chinesa, desde a época dinástica, apresentou uma característica peculiar que a diferenciou da política externa de outras nações. Na época da dinastia Han, o governo chinês precisava manter a estabilidade nas suas fronteiras ameaçadas pelos grupos nômades que saqueavam regularmente o norte da China. Dada a extensão de suas fronteiras e os altos custos que sua defesa militar exigia, os imperadores Han preferiram adotar uma política de “paz e parentesco”, entretendo o chefe nômade com presentes suntuosos e concedendo-lhe a mão de princesas Han em casamento. Ou seja, a China sempre priorizou uma política externa baseada mais na diplomacia que na guerra, pois seus imperadores procuravam compensar a debilidade militar com os meios diplomáticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando aos dias de hoje, a China continua a defender o conceito de “ascensão pacífica” na busca de um lugar no meio internacional. Desde a fundação da República Popular da China, em 1949, o governo chinês destacou o caráter predominantemente defensivo de sua política externa, que objetivava a defesa da integridade territorial e a segurança contra investidas externas, após a difícil experiência de dominação por parte das potências ocidentais. Mao Zedong buscou, neste primeiro momento de consolidação nacional, legitimidade junto aos governos estrangeiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi neste contexto de busca de legitimação e reconhecimento internacional, que a China começa sua aproximação com o continente africano. Mao Zedong aproximou-se da África, pois procurava ampliar o número de países parceiros da China. O estreitamento das relações foi facilitado pela realização da Conferência de Bandung, na Indonésia, em 1955, a qual participaram líderes dos países africanos e asiáticos. Em Bandung, Zhou Enlai, primeiro ministro chinês, considerado o pai da diplomacia chinesa, apresentou os cinco princípios da coexistência pacífica (autodeterminação, não intervenção em assuntos internos, respeito mútuo, benefício recíproco e igualdade de tratamento). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, a China estreitou relações diplomáticas com Egito, Argélia, Marrocos, Sudão e Guiné, concorrendo no continente africano com o trabalho paralelo dos EUA e da URSS. Graças às viagens realizadas por Zhou Enlai nos países africanos recém-independentes, Pequim conseguiu enlaçar relações diplomáticas com 19 dos 41 novos estados da época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 1980, com a abertura econômica da China, proporcionada por Deng Xiaoping, o governo chinês reviu sua política exterior em relação ao continente africano. Três foram as orientações que nortearam a ação política chinesa na África: a manutenção da independência e da autonomia; a defesa da paz no mundo; e a busca em comum do desenvolvimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua na próxima semana...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-5539638869292726459?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/5539638869292726459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=5539638869292726459' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/5539638869292726459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/5539638869292726459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/11/politica-externa-da-china-para-africa-1.html' title='A política externa da China para África (1)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-1207604523426082342</id><published>2009-10-20T16:12:00.001-02:00</published><updated>2009-10-20T16:13:20.927-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itamaraty'/><title type='text'>O Itamaraty e a comunidade acadêmica</title><content type='html'>Nos dias 8 e 9 de outubro, realizou-se na cidade do Rio de Janeiro, no Palácio Itamaraty (antiga sede do Ministério das Relações Exteriores), o I Seminário de Alto Nível sobre Política Externa, organizado pelo Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais da Fundação Alexandre Gusmão (FUNAG), fundação pública vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evento reuniu Chefes de Departamentos do Ministério das Relações Exteriores (Embaixadores), que proferirem palestras sobre temas de política externa. Tive a honra e o prazer de participar dessa reunião junto com cerca de outros vinte docentes provenientes das mais variadas universidades do Brasil, do norte ao extremo sul, como era o meu caso, representando a Universidade Federal do Pampa, campus Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Secretário-Geral das Relações Exteriores, Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, deu-nos as boas-vindas também em nome do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que teve a feliz ideia de promover a aproximação entre o mundo diplomático e a comunidade acadêmica. Logo percebi que se tratava de um evento diferente dos outros aos quais havia participado anteriormente. Tal percepção foi confirmada pelas palavras do Presidente da FUNAG, o Embaixador Jerônimo Moscardo, que nos alertava quanto à novidade desse evento. Pela primeira vez, assuntos de política externa do Brasil, tradicionalmente reservados aos diplomatas do Itamaraty, foram comunicados à comunidade acadêmica, cujos representantes apresentaram suas dúvidas, curiosidades, questionamentos, reflexões. Tal abertura é uma boa novidade que confirma o grau de maturidade alcançado pelo Brasil em termos de política externa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois dias do evento caracterizaram-se por uma rica reflexão e aprofundamento de vários aspectos da vida política e econômica do Brasil em relação ao resto do mundo. Foram abordados temas relevantes como a Reforma do Conselho de Segurança da ONU, e a possibilidade, por meio de tal reforma, da admissão do Brasil a ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Outro tema foi a Integração Sul-americana que tratou principalmente sobre o passado, presente e futuro de organizações regionais como o Mercosul e a mais recente Unasul, de profunda relevância para o crescimento de toda a América do Sul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi destacada a presença positiva do Brasil na missão humanitária junto ao Haiti e a contribuição dada pelo país a diversas organizações regionais como o G-4, G-20, o IBAS (grupo de cooperação entre Brasil, Índia e África do Sul) e o BRIC (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palestras envolveram outros temas internacionais como, o grande desenvolvimento da China e Índia, novos e importantes atores internacionais. A esse respeito, o Embaixador Roberto Jaguaribe, Subsecretário-Geral de Política II do Ministério das Relações Externas para Ásia, África, Oceania e Oriente Médio, fez uma interessante comparação entre a evolução histórica, política e econômica da China e de sua vizinha Índia, explicando, também, as boas relações do Brasil com esses dois países. Os temas das Comunidades Brasileiras no Exterior – que envolveu a explanação e a aparente resolução dos recentes incidentes diplomáticos com a Espanha; o da Crise Internacional; da Cooperação Sul-Sul; da Energia e da Ciência, Tecnologia e Inovação nos ajudaram a compreender os desafios que o Brasil, como país emergente, enfrenta no seu anseio de se tornar um dos protagonistas no novo cenário internacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, há muitas dificuldades a serem vencidas para que o Brasil possa se afirmar como sujeito de relevo da ordem internacional. Isso, devido, principalmente, à desconfiança e receio das tradicionais potências que até hoje detêm o poder. Se não fossem as mudanças internacionais dessas últimas décadas, que provocaram uma grave crise nas economias tradicionais, obrigando tais potências a se abrir e aceitar eventuais mudanças nas regras do jogo internacional, elas certamente não estariam dispostas a compartilhar o poder com as novas potências emergentes. Até então, tais potências conseguiram se afirmar graças aos tradicionais recursos de poder, o assim chamado hard power (poder duro), ou seja, as armas, os recursos naturais, a grande população e as grandes extensões de território. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil está conquistando seu espaço não apenas por meio de alguns recursos tradicionais, como o grande território e a riqueza dos recursos naturais, mas, sobretudo, por meio do seu savoir-faire, como diriam os franceses, ou, se quisermos usar uma linguagem mais acadêmica, por meio de outros recursos de poder, como o soft power (poder suave), que consiste no poder de convencimento, por meio do conhecimento, tecnologia, ideias e valores. Os brasileiros estão conquistando espaço, aproveitando do imaginário de alegria, simpatia, descontração que sempre fez e continua fazendo sucesso no Velho Mundo. Mas só a simpatia não seria suficiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num momento em que a superpotência americana está perdendo um pouco de sua hegemonia, as mudanças positivas da política externa de Lula e do seu excelente chanceler, Celso Amorim, permitiram ao Brasil levantar sua autoestima, negociando de igual para igual com os até então “grandes” da terra. Ninguém está disposto a ceder espaço ou poder, é preciso sabê-lo conquistar e o Brasil está dando passos inteligentes nesse caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-1207604523426082342?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/1207604523426082342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=1207604523426082342' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1207604523426082342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1207604523426082342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/10/o-itamaraty-e-comunidade-academica.html' title='O Itamaraty e a comunidade acadêmica'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7415628008209905948</id><published>2009-10-04T10:04:00.002-03:00</published><updated>2009-10-04T10:32:52.190-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>Entrevista Rádio CBN</title><content type='html'>Fato em Foco&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os 60 anos da República Popular da China - parte I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cbn.globoradio.globo.com/programas/fato-em-foco/2009/10/03/OS-60-ANOS-DA-REPUBLICA-POPULAR-DA-CHINA-PARTE-I.htm"&gt;Ouça a primeira parte do programa&lt;/a&gt;, com Bernardo Kocher, professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense, e Anna Carletti, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do Pampa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7415628008209905948?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7415628008209905948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7415628008209905948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7415628008209905948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7415628008209905948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/10/entrevista-radio-cbn.html' title='Entrevista Rádio CBN'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-8503789847060541888</id><published>2009-09-30T10:40:00.002-03:00</published><updated>2009-09-30T19:16:31.673-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>Pequim festeja os 60 anos da República Popular da China</title><content type='html'>O governo de Pequim festejará amanhã, quinta-feira, os 60 anos da República Popular da China, proclamada por Mao Zedong no dia 1º de outubro de 1949. Para tal recorrência, as autoridades chinesas prepararam um espetáculo à altura da festividade, certamente, organizado com o mesmo cuidado com o qual foi apresentada a inesquecível cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do ano passado. O presidente Hu Jintao fará um pronunciamento oficial na simbólica Praça da Paz Celestial (Tiananmen) seguido de um imponente desfile das forças armadas chinesas, sinal da posição alcançada a duras penas nesses 60 anos, como uma das maiores potências militares, econômicas e políticas do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, a atenção do mundo se voltará para o gigante asiático, e seus críticos mais acirrados estarão prontos a apontar o dedo contra os inevitáveis incidentes que perturbarão essa cerimônia. Conscientes disso, as autoridades chinesas - como já ocorreu às vésperas da abertura dos Jogos Olímpicos - reforçaram a segurança não apenas na capital, como em todo o país, especialmente nas províncias mais distantes e problemáticas, como o Tibete e o Xinjiang. A população de Pequim foi convidada a assistir à cerimônia pela TV, evitando os temidos aglomerados nas praças da cidade, onde 800 mil pessoas foram recrutadas para trabalhar junto aos policiais para garantir maior segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante desse cenário, surge espontânea uma pergunta: quem é o verdadeiro protagonista dessa festa, a República Popular da China e, portanto, seu povo, ou o Partido Comunista Chinês, que conseguiu conservar sua supremacia, apesar das grandes mudanças internacionais? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proclamação da República Popular da China significou, para Mao Zedong, seu líder, o fim do período de humilhação e exploração econômica, ao qual o povo chinês tinha sido submetido por mais de um século por parte das potências estrangeiras. Mao Zedong queria construir uma Nova China, livre da corrupção que caracterizara o governo nacionalista de Chang Kai-shek, obrigado pelas tropas comunistas a abandonar o país. A população saudou Mao como o libertador que garantiria um futuro brilhante, de fartura e igualdade para todos os chineses. Contudo, Mao não conseguiu realizar suas promessas. Após os primeiros felizes anos de reformas e de reconstrução da indústria pesada, sob inspiração do modelo soviético, uma série de passos em falso, dados pelo Grande Timoneiro, marcou o início da crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os resultados catastróficos do famoso plano quinquenal, chamado de “Grande Salto em Adiante”, que deveria levar a China a superar a Inglaterra em quinze anos, provocaram a morte por fome de milhões e milhões de chineses. Após a morte de Mao Zedong, em 1976, foram revelados os números assustadores de mortes acontecidas naqueles anos: cerca de trinta milhões!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chegada de Deng Xiaoping ao poder, em 1978, trouxe, novamente, à população chinesa, uma mensagem de esperança, com as promessas de prosperidade. Abandonando os dogmas da ideologia comunista, Deng abraçou uma nova ideologia, a do dinheiro, do enriquecimento rápido. Em pouco mais de 30 anos, Deng Xiaoping conseguiu reconstruir a economia chinesa, tornando o país protagonista inconteste do cenário internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram 400 milhões os chineses que saíram da linha de pobreza, um número considerável, mais do que o dobro da população brasileira. O atual presidente Hu Jintao repete frequentemente o lema de seu governo: construir na China uma “sociedade harmoniosa”, ciente de vários fatores de conflito que colocam em perigo a estabilidade do país. Entre esses fatores, o desequilíbrio existente entre as regiões costeiras mais desenvolvidas e riquíssimas e as regiões do interior, subdesenvolvidas, com serviços básicos precários; a corrupção dos funcionários do partido, que distancia sempre mais a população dos seus governantes; a ausência de políticas públicas eficientes. A sociedade civil chinesa reclama urgentes reformas políticas, que não coincidem com o nosso sistema ocidental, diferente e, de fato, nem sempre bem sucedido em relação ao que promete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo chinês está pedindo a palavra e, mais cedo ou mais tarde, os atuais líderes deverão ouvi-lo. Com o aniversário de 60 anos, data-símbolo de maturidade, talvez a República Popular da China encontre um novo caminho, pelas mãos do seu povo, mas, desta vez, de forma pacífica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-8503789847060541888?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/8503789847060541888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=8503789847060541888' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8503789847060541888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8503789847060541888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/09/pequim-festeja-os-60-anos-da-republica.html' title='Pequim festeja os 60 anos da República Popular da China'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-2099617140378125074</id><published>2009-09-23T09:04:00.000-03:00</published><updated>2009-09-23T09:06:08.251-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ONU'/><title type='text'>Mudanças climáticas em debate na 64ª Assembleia Geral da ONU</title><content type='html'>Ontem, teve início a 64ª Assembleia Geral da ONU, na cidade de Nova Iorque, convocada pelo secretário-geral Ban Ki Moon e que reúne os países membros da Assembleia Geral da ONU. Atualmente, os países membros são192, entre os quais 15 são membros do Conselho de Segurança da ONU (cinco permanentes com direito de veto: Estados Unidos, China, Federação Russa, França e Reino Unido, e dez membros eleitos rotativamente por dois anos). Muitos os temas que serão discutidos nesses dias: mudanças climáticas, aquecimento global, meio ambiente, crises regionais e proliferação de armas nucleares. As reuniões gerais serão intercaladas por encontros bilaterais entre os líderes mundiais. Muito esperado é o encontro organizado pelo presidente americano Barack Obama entre o líder palestino Abu Mazen e o israelita Netanyahu. Obama até agora não conseguiu convencer o governo israelita a bloquear os assentamentos nos territórios ocupados, por isso, prevalece o pensamento de que tal encontro não produzirá resultados imediatos para o processo de paz entre os dois governos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para hoje, estão previstas os pronunciamentos do presidente Lula, do líder líbico Gheddafi (membro eleito do Conselho de Segurança por dois anos), o presidente francês Sarkozy, o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro iraniano Ahmadinejad, o líder russo Medvedev, o primeiro-ministro inglês Gordon Brown e o presidente chinês Hu Jintao. Aliás, espera-se que, nessa 64ª Assembleia Geral da ONU, a China possa oferecer uma contribuição significativa para sair do impasse da última reunião mundial, quando os governos chineses e americanos recusaram-se a mudar o quadro alarmante da poluição do planeta, pois um queria esperar pelo outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Chefe do Departamento Climático da ONU, Yvo De Boer, anunciou que espera que a China saia da assembleia como a líder mundial dos programas de despoluição. Tal esperança fundamenta-se nos ambiciosos programas ambientais que a China apresentará nesses dias. Hu Jintao disse que até 2020, 15% da energia na China deverá ser produzida por fontes renováveis, além de declarar o empenho do país para uma melhor eficiência na produção e no uso de energias que levará a uma diminuição da poluição pelo tráfego de automóveis e no fechamento de indústrias poluentes. A China e os Estados Unidos são responsáveis por 40% das emissões mundiais de anidrido carbônico. Contudo, apenas o empenho da China, se respeitado, não é suficiente para melhorar a situação climática mundial. Ocorre também o empenho americano. Barack Obama, ao contrário do seu predecessor, que se recusou a assinar os Tratados de Kyoto, conseguiu recentemente fazer aprovar pela câmara de deputados um projeto de lei que reduzirá a emissão de gases poluentes, mas tal projeto ainda tem que ter a aprovação do senado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro do nosso planeta está nas mãos de poucos líderes mundiais. Tomara que esses debates possam resultar finalmente em políticas mundiais eficazes voltadas para o bem-estar de todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-2099617140378125074?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/2099617140378125074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=2099617140378125074' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2099617140378125074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2099617140378125074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/09/mudancas-climaticas-em-debate-na-64.html' title='Mudanças climáticas em debate na 64ª Assembleia Geral da ONU'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-2486038034988998052</id><published>2009-09-16T08:48:00.001-03:00</published><updated>2009-09-16T08:50:32.715-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><title type='text'>As divergências entre Berlusconi e a Igreja Católica italiana</title><content type='html'>Há algum tempo, as vicissitudes pessoais do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, são argumentos polêmicos de discussão acirrada entre seus amigos e inimigos políticos. Um escândalo sexual envolveu o primeiro-ministro nesse verão, quando vários jornais publicaram as fotos de Berlusconi ao lado de prostitutas desnudas durante as fabulosas festas por ele organizadas na sua mansão na ilha da Sardenha. O último escândalo, envolvendo também uma menor de idade, resultou no pedido de divórcio por parte da esposa de Berlusconi. Nesse turbilhão de acusações e ataques, os jornais oficiais da igreja católica, após um tempo de silêncio diplomático, não conseguiram ficar em campo neutro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal católico que denunciou abertamente os mal-feitos de Berlusconi foi o “Avvenire”, órgão oficial da Conferência Episcopal Italiana (CEI). O editorial de denúncia, de autoria do secretário geral da CEI, contra a libertinagem do primeiro-ministro italiano, obrigou o diretor do jornal Avvenire, Dino Boffo, a abrir o dique das pressões e reivindicações dos representantes católicos antiberlusconianos que se subseguiram nas páginas do “Avvenire” contra o primeiro-ministro italiano. Tal posição de denúncia contra o atual governo italiano gerou certo desconforto na Santa Sé, que se viu obrigada a intervir no mais alto nível das relações diplomáticas com o estado italiano. Por isso, o secretário de estado da Santa Sé (cujo cargo corresponde ao ministro das relações exteriores nos outros estados) decidiu marcar um encontro com Berlusconi por ocasião da visita de ambos à cidade de L’Aquila, vitimada por um terremoto no ano passado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trilhando o mesmo caminho, o jornal católico, “L’Osservatore Romano”, órgão oficial da Santa Sé, tentou minimizar os boatos que alarmavam sobre o conflito entre o estado Italiano e o Vaticano, distanciando-se da posição dos bispos italianos e tranquilizando a população sobre as relações entre os dois estados. A Santa Sé demonstrou mais uma vez sua orientação pragmática em âmbito internacional, recusando-se a entrar em tal polêmica. Mesmo assim, o jornal de centro-esquerda “La Repubblica” acusou o secretário de estado Tarcisio Bertone de querer sentar à mesa de Herodes, ao invés de acusá-lo publicamente, como fazia João Batista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao jornal “Avvenire”, seu diretor foi difamado pelo jornal “Il Giornale” – de propriedade do irmão de Berlusconi - acusando-o de ter molestado a esposa de um homem com o qual teria mantido relações. Mesmo após a acusação ter sido desmentida publicamente, o diretor do jornal católico preferiu demitir-se. Em sua defesa, acorreram até os tradicionais “inimigos” da igreja católica, os jornais de esquerda, demonstrando que a luta pelo poder tem a capacidade de transformar velhos inimigos em novos amigos e vice-versa. Em suma, como se diz no Brasil, um enorme “rolo” em bom estilo cinematográfico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-2486038034988998052?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/2486038034988998052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=2486038034988998052' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2486038034988998052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2486038034988998052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/09/as-divergencias-entre-berlusconi-e.html' title='As divergências entre Berlusconi e a Igreja Católica italiana'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-353970616925169813</id><published>2009-09-02T10:41:00.001-03:00</published><updated>2009-09-02T10:42:38.683-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santana do Livramento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uruguai'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rivera'/><title type='text'>Livramento e Rivera - As cidades da Fronteira da Paz</title><content type='html'>Há pouco mais de duas semanas, por motivos de trabalho, estabeleci minha residência, junto com a família toda, aqui em Santana do Livramento, cidade gaúcha na fronteira com o Uruguai. Foi a segunda grande mudança em minha vida. A primeira foi quando de Roma mudei para o Brasil, vindo morar em Tubarão. Nos primeiros anos, nem deu para sentir saudades da Itália, tantas eram as novidades, os lugares bonitos que ia descobrindo, as novas amizades, etc. A única coisa de que senti falta em todos esses felizes anos na Cidade Azul, talvez, tenha sido não ter os contatos internacionais quase que diários aos quais estava acostumada desde a minha infância, em Roma. Na minha cidade natal - “caput mundi” como era chamada pelos antigos romanos - a vivência internacional sempre foi e continua sendo um dos elementos constitutivos da cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguns dias em Santana do Livramento, percebi que aqui não sentiria essa falta. Mesmo Livramento não sendo localizada no que se pensa ser o centro do mundo, percebi que as raízes históricas, políticas e econômicas de Santana do Livramento afundam e alimentam-se em terras caracterizadas pela internacionalidade. Basta dar um passeio nas ruas da cidade e prestar ouvido aos idiomas falados nas ruas, três pelo menos: português, espanhol e árabe (esse último pela presença em Santana de uma significativa comunidade muçulmana). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avançando na nossa caminhada, chega-se em minutos à fronteira com o Uruguai, fronteira aberta, marcada apenas pelas duas bandeiras nacionais que esvoaçam alegremente no Parque Internacional situado entre os dois países. As minhas filhas logo brincaram de pular de um país ao outro, felizes dessa nova experiência. Olhando essa brincadeira, fiquei refletindo e percebendo quão peculiar é essa fronteira onde Deus nos enviou e qual seria o papel dessa cidade que, junto com a vizinha Rivera, deram vida à significativa e promissora Fronteira da Paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-353970616925169813?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/353970616925169813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=353970616925169813' title='36 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/353970616925169813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/353970616925169813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/09/livramento-e-rivera-as-cidades-da.html' title='Livramento e Rivera - As cidades da Fronteira da Paz'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>36</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-6733470741852389690</id><published>2009-08-26T09:01:00.000-03:00</published><updated>2009-08-26T09:02:53.111-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ONU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sérgio Vieira de Mello'/><title type='text'>O legado do diplomata-filósofo Sérgio Vieira de Mello</title><content type='html'>A partir desse ano, no dia 19 de agosto será celebrada a Jornada Humanitária Mundial em homenagem a todos aqueles que sacrificaram suas vidas no serviço humanitário aos mais necessitados, às vítimas das guerras e catástrofes naturais nos mais longínquos e desconhecidos cantos do nosso planeta. Essa data não foi escolhida por acaso, pois nessa quarta-feira, dia 19 de agosto, recorre o sexto aniversário da morte de Sérgio Vieira de Mello, o diplomata brasileiro que, em 2003, morreu junto com outros 21 funcionários da Onu, em um ataque terrorista em Bagdá, capital do Iraque. Com o apoio do Brasil, França, Japão, Suécia e Suíça, a Fundação Sérgio Viera de Mello convenceu a Assembleia Geral da ONU, em dezembro passado, a instituir a Jornada Humanitária Mundial para que o legado de pessoas como Sérgio Vieira de Mello não fosse esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Vieira de Mello trabalhou 33 anos nas Organizações das Nações Unidas. Nascido no Rio de Janeiro em 1948, formado na Universidade Sorbonne, em Paris, começou a trabalhar aos 21 anos junto ao Alto Comissariado para os refugiados da ONU, em Genebra, na Suíça. Participou de operações humanitárias em países marcados por graves conflitos como Sudão, Chipre, Moçambique, Peru, Líbano, Camboja. Em 1999, foi representante do secretário-geral da ONU no Kosovo. Na mesma função, trabalhou para a resolução do conflito no Timor Leste. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002, em reconhecimento do seu brilhante trabalho, foi nomeado Alto Comissário dos Direitos Humanos da ONU. No ano seguinte, decidiu afastar-se temporariamente desta função para atuar como representante especial do secretário-geral da ONU, no Iraque, no contexto da invasão americana do país. Objetivo da missão da ONU era trabalhar para restabelecer a paz e ajudar o país a construir um governo democrático após o fim do conflito. Seu serviço no Iraque durou somente quatro meses. Morreu durante o atentado do dia 19 de agosto de 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio de Mello, além de diplomata, era filósofo e gostava de aplicar a filosofia à diplomacia. Filósofo kantiano, ele defendia a tese segundo a qual o princípio filosófico básico que deveria orientar as relações humanas e entre os Estados era o da intersubjetividade, ou a capacidade de pôr-se no lugar dos outros – mesmo como transgressores. Na sua biografia, lemos uma frase muito significativa de Sérgio: “Se pudéssemos ajudar cada indivíduo a ampliar a capacidade de adotar a perspectiva do outro, os filósofos poderiam contribuir para provocar uma conversão”. E não mediu esforços em difundir a ideia de que a ONU deveria ser um “casulo em que se poderia tecer pacientemente acordos e formas possíveis de harmonia”. Provavelmente ele herdara esta concepção sobre a ONU do pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant que, em 1795, escreveu uma obra chamada “Projeto de Paz Perpétua”. Nela, Kant propôs, profeticamente, a constituição de uma organização voltada à coexistência pacífica entre todos os povos, onde a ideia da razão prática opunha-se ao estado natural propenso aos conflitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atuação de Sérgio Vieira de Mello era inspirada nos princípios kantianos de busca da paz por meio de uma ordem multilateral. O professor Jacques Marcovitch, ex-reitor da USP, assim descreve a atuação de Vieira de Mello: “Este brasileiro tão preocupado com a consciência do mundo acreditou na força das ideias, da palavra, do convencimento, excluída qualquer mediação de poderes. O seu grande instrumento de trabalho, em todos os momentos, foi a interlocução construtiva e harmoniosa. O diálogo, mais que iniciativa política, é doação ética. Por meio dele uma parte recebe de outra o fruto da meditação solitária e inteligente. É desta forma que se impede a ressurreição da barbárie e materializa-se o ideal da alteridade. Os outros podem ser o inferno de cada um, como queria Sartre? Sim, mas os outros também podem representar, no intercâmbio de opiniões e ideias, fontes inesgotáveis de valores. A construção de pontes interculturais foi uma consequência pouco visível no trabalho deste grande ator da contemporaneidade”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-6733470741852389690?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/6733470741852389690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=6733470741852389690' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6733470741852389690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6733470741852389690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/08/o-legado-do-diplomata-filosofo-sergio_26.html' title='O legado do diplomata-filósofo Sérgio Vieira de Mello'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-8702521216970559523</id><published>2009-08-13T08:25:00.002-03:00</published><updated>2009-08-13T08:28:22.076-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filipinas'/><title type='text'>O povo filipino despede-se de sua amada Cory Aquino</title><content type='html'>No último sábado, dia 1º de agosto, morreu Corazón Aquino, aos 76 anos, mais conhecida como Cory Aquino. Ela foi a primeira mulher a assumir a presidência de um país asiático e liderou com sucesso, em 1986, a revolta política que devolveu a democracia ao povo filipino. Filha de uma família muito rica, após ter estudado nos Estados Unidos, casou-se, em 1954, com Benigno Aquino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos seguintes, acompanhou de perto a brilhante carreira política do esposo, desempenhando ao mesmo tempo seu papel de mãe de cinco filhos. Em 1973, o ditador Ferdinando Marcos proclamou a lei marcial e mandou prender seus opositores políticos entre os quais estava Benigno Aquino que ficou preso por sete anos. Em 1980, quando da liberação de Benigno, a família Aquino emigrou nos Estados Unidos, onde permaneceu por três anos. Em 1983, Benigno Aquino e sua família decidiram retornar ao seu país com a esperança de poder vencer as eleições presidenciais previstas para o ano seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, assim que Benigno desceu do avião, foi assassinado. Em vez de se fechar em sua dor, Cory Aquino decidiu enfrentar o ditador Marcos, organizando um forte movimento de oposição. Com efeito, logo após a morte do esposo, ela declarou: “O que é mais importante é que ele não morreu em vão e que seu sacrifício certamente despertará o povo filipino de sua apatia e indiferença”. O povo filipino decidiu apoiar a coragem dessa extraordinária mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1986, Cory apresentou-se como candidata, disputando a presidência do país contra o regime ditatorial do então presidente Marcos. Diante do sucesso eleitoral de sua adversária política, Marcos procurou manipular os resultados eleitorais e proclamou-se vencedor, apostando sua vitória mais uma vez na repressão militar de seus opositores, e não no apoio popular. Cory Aquino não se deixou intimidar. Escolheu o caminho da não violência e, apoiada pelo então Cardeal Sin, liderou uma revolução diferente, a “revolução dos rosários”, ou, como foi chamada depois, “A revolução do poder popular”. Tal revolução conseguiu conquistar até o exército. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tropas militares decidiram abandonar o ditador Marcos e apoiar a revolta popular. Cory Aquino governou o país até 1992, atuando politicamente em favor da pacificação do país. Buscou o diálogo com os guerrilheiros comunistas e com os grupos muçulmanos do sul do país, liberou prisioneiros políticos e devolveu a liberdade ao povo filipino, instaurando um regime democrático. Permaneceu firme no governo do país mesmo diante das várias tentativas de golpes de Estado, dirigindo o país de forma honesta, combatendo a corrupção e as tentativas de monopólio de poder por parte das ricas famílias tradicionais do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela sua atuação política, Cory Aquino foi indicada, em 1986, ao Prêmio Nobel da Paz e recebeu vários reconhecimentos internacionais pela luta em defesa dos direitos humanos e da paz. Mesmo após deixar a presidência do país, não abandonou seus ideais políticos e, em 1997, destacou-se por liderar um novo movimento popular contra o então presidente Fidel Ramos, acusado de querer instaurar uma nova ditadura nas Filipinas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses dias, vários líderes mundiais homenagearam Cory Aquino, reconhecendo a importância de seu legado político. O presidente Barack Obama evidenciou que “a coragem, a determinação e a liderança moral de Cory Aquino são uma inspiração e mostra o melhor do povo filipino”. A atual presidente das Filipinas, Glória Arroyo, proclamou luto nacional por dez dias. O povo filipino acorreu numeroso diante do corpo de sua líder, que foi muito escutada e amada no país. A ela será dedicado um curso de estudos destinado a lembrar sua incontestável contribuição política em favor da paz e da democracia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-8702521216970559523?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/8702521216970559523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=8702521216970559523' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8702521216970559523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8702521216970559523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/08/cory.html' title='O povo filipino despede-se de sua amada Cory Aquino'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4485965115738652050</id><published>2009-07-29T17:38:00.000-03:00</published><updated>2009-07-29T17:39:38.766-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>A política chinesa do filho único abre uma exceção</title><content type='html'>O crescimento e controle da população ocupam lugar importante na agenda dos governos. Se tal afirmação é válida para todos os estados, pode-se imaginar a importância do tema para um país como a China que possui a maior população do mundo. Entre os séculos 18 e 19, na China, como em muitos outros estados, fazia parte da lógica da época a ideia que, quanto maior fosse o número de filhos, maior seria o poder econômico da família. O próprio Mao Zedong, nos anos 50, foi o responsável do boom demográfico incentivando os camponeses a ter mais filhos, futuros braços para o desenvolvimento rápido da agricultura e o consequente enriquecimento do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 60, porém, o fracasso das campanhas lançadas por Mao e o crescimento desmesurado da população gerou problemas gravíssimos à economia do país. Diante disso, o governo tentou controlar o crescimento da população, mas esbarrou na mentalidade tradicional dos camponeses. Em 1978, Deng Xiaoping impôs a política do filho único. Quem aderisse a tal política receberia prêmios, como a garantia de ajudas econômicas à família, assistência sanitária e escolar gratuita. Quem desrespeitasse tal diretriz incorreria em sanções como multas, redução do salário dos pais, ou perda de benefícios ligados ao status do filho único. Lembro de ter conhecido, em Roma, um casal de jovens engenheiros chineses enviados pelo governo chinês numa empresa estatal italiana para um estágio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única filha ficou com os avós em Pequim. Eles contaram que queriam muito ter outro filho, mas que isso significaria o fim de suas carreiras, não teriam mais direito a promoções ou incentivos. A política do filho único alcançou sua meta de reduzir a taxa de natalidade, ao menos nas grandes cidades onde o controle consegue ser mais eficaz. Porém, com o tempo, apresentou alguns efeitos colaterais que estão gerando preocupação nas autoridades chinesas. O primeiro é o desequilíbrio numérico que se criou entre meninos e meninas. Desde a antiguidade, existe na China uma tradicional preferência pelos filhos meninos que garantem a continuidade da família. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso provocou, ao longo dos anos, atitudes gravíssimas como o assassinato das meninas recém nascidas e o aborto seletivo, muitas vezes clandestino. A desproporção atual entre homens e mulheres gerou outros problemas graves como a venda ou o sequestro de meninas, principalmente no interior da China. Outro efeito é o envelhecimento da população, que, se de um lado, reflete uma qualidade de vida melhor, de outro, constitui um aumento da despesa pública em matéria de aposentadoria e a diminuição de mão-de-obra disponível. Tais efeitos colaterais levaram as autoridades políticas de algumas regiões chinesas a inverter a rota após duas décadas de política do filho único. Quem inaugurou tal inversão de rota foi a região de Xangai, projeto piloto do crescimento econômico chinês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Comissão de Planejamento Familiar e Populacional de Xangai lançou uma campanha para incentivar casais a terem um segundo filho. Xangai foi escolhida para o lançamento dessa campanha inédita por ter 22% de habitantes com mais de 60 anos. Xie Lingli, diretor da Comissão de Planejamento Familiar, afirmou que a campanha apenas objetiva resolver o problema do crescente número de idosos, mas que isso não significa que o governo chinês queira rever a política de planejamento familiar. De fato, por enquanto, apenas os casais autorizados poderão ter um segundo filho. São sete as condições que permitem ter um segundo filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre essas, uma é que os pais sejam filhos únicos, uma outra é que os cônjuges estejam registrados oficialmente como camponeses e tenham um filho do sexo feminino. Muitos casais ficaram felizes com a iniciativa do governo, sobretudo quem sofreu de solidão na infância pela ausência de irmãos ou irmãs. Outros, porém, mesmo estando entre o grupo de casais autorizados, afirmam que um dos maiores obstáculos é o peso econômico que um segundo filho comportaria na economia familiar. Mesmo com maior abertura, fatores culturais típicos do período moderno chinês, como o medo da perda da comodidade, certamente impedirão uma nova explosão demográfica na China.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4485965115738652050?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4485965115738652050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4485965115738652050' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4485965115738652050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4485965115738652050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/07/politica-chinesa-do-filho-unico-abre.html' title='A política chinesa do filho único abre uma exceção'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-8617197891803025866</id><published>2009-07-22T10:02:00.001-03:00</published><updated>2009-07-22T10:05:01.029-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ONU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sérgio Vieira de Mello'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Afeganistão'/><title type='text'>Mudança de estratégia no Afeganistão</title><content type='html'>Na semana passada, na TV italiana, assisti à transmissão do funeral de um jovem soldado italiano de apenas 25 anos, morto no Afeganistão no último dia 14 de julho, num atentado organizado pelos talibãs. Poucos dias depois, o jornal transmitiu o vídeo de um soldado americano, de 23 anos, sequestrado pelo mesmo grupo em dezembro passado. No vídeo, o jovem americano, após pedir a retirada imediata das tropas americanas do Afeganistão, falou da saudade que sentia de sua casa, de sua família e do medo de não poder nunca mais abraçar seus pais. Nesses oito anos de ocupação militar do país, a Grã Bretanha perdeu no Afeganistão mais de 100 militares, mais do que no Iraque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tropas estrangeiras chegaram em 2001, após a intervenção militar organizada pelos Estados Unidos, com o objetivo de derrubar a ditadura dos talibãs. Foi uma “guerra do criador contra sua criatura”, como a definiu o professor Visentini, internacionalista que muito sabiamente desde então já alertava que “derrubar os talibãs não levaria ao fim desta guerra”. Com o fim do regime dos talibãs, o país ganhou um pouco mais de liberdade. As meninas puderam voltar à sala de aula, as jovens não são mais obrigadas a vestir os pesados burka, mas ainda há muitas mulheres que não têm liberdade e sofrem violência dentro da própria casa. A população afegã que apostava num futuro melhor para o país ficou decepcionada. O país continua sendo um dos mais pobres do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltam água e energia elétrica, racionadas até na capital. O estado oferece poucas escolas. As demais são abertas graças à obra incansável de associações privadas que trabalham em favor da população afegã. Num relato de alguns estrangeiros que vivem no Afeganistão, publicado no site Ásia News nessa semana, destacava-se a indiferença dos afegãos diante das tantas mortes de soldados ocidentais. “Infelizmente, a morte virou uma rotina para eles”, sublinhava a fonte de Ásia News, lembrando que no país uma em cinco crianças morre antes de completar o quinto ano de vida. A eleição do presidente Karzai, em 2004, candidato apoiado pelos Estados Unidos, não trouxe grandes mudanças. Seu governo demonstrou-se politicamente muito fraco, incapaz de reagir às ações nefastas dos senhores da guerra, presentes no próprio parlamento e que agem em favor dos próprios interesses econômicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro desse quadro, muitos se perguntam sobre a eficácia da presença dos militares ocidentais no Afeganistão. Apesar da imensa dor das famílias dos jovens soldados mortos ou sequestrados, a maioria dos governos ocidentais está ainda convicta que deixar o Afeganistão agora não seria uma solução satisfatória para ninguém. De outro lado, percebe-se a necessidade de uma mudança de estratégia. A força das armas, usada pelo governo Bush em 2001, não acabou com a guerra civil no país. Os soldados ocidentais são vistos com desconfiança pela população, assim como os representantes estrangeiros das Nações Unidas que os afegãos observam todo dia passar em seus carros de luxo nas ruas pobres de Cabul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais missões chamadas “humanitárias” muitas vezes não conseguem atingir os objetivos prefixados, permanecendo distantes da população. Na sua longa experiência de representante da ONU em regiões de conflito, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello várias vezes colocou em evidência o paradoxo de tal situação. Na sua biografia, por exemplo, lemos que, durante o conflito na Bósnia, Sérgio Vieira de Mello, não querendo permanecer confinado dentro do complexo seguro da ONU, tentou estabelecer uma ligação com as “ruas bósnias”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autora da biografia conta que, enquanto os disparos dos francoatiradores soavam nas tardes invernais, ele parecia despreocupado e raramente trajava o colete à prova de balas, fornecido pela ONU. “Como posso usar essa coisa”, reclamava Sérgio à sua intérprete, “quando você, sua família e os vizinhos andam por aqui sem nada?”. Para as eleições presidenciais do próximo dia 20 de agosto, Barack Obama quis garantir um processo eleitoral pacífico, aumentando o contingente militar no país. Ao mesmo tempo, porém, reconheceu que deve ser estabelecida uma nova forma de relação com a população afegã, trabalhando para que o país alcance sua autonomia o mais rapidamente possível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-8617197891803025866?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/8617197891803025866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=8617197891803025866' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8617197891803025866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8617197891803025866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/07/mudanca-de-estrategia-no-afeganistao.html' title='Mudança de estratégia no Afeganistão'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7037768933931613593</id><published>2009-07-09T10:45:00.000-03:00</published><updated>2009-07-09T10:46:36.144-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>Pequim e a província muçulmana de Xinjiang</title><content type='html'>Domingo, 5 de julho, na cidade de Urumqi, capital da província chinesa de Xinjiang, o choque entre a polícia chinesa e um grupo de manifestantes provocou a morte de 140 pessoas e o ferimento de outras 800. A revolta parece ter surgido inicialmente como protesto pelo assassinado de dois muçulmanos de etnia uigur, na cidade de Cantão, no final de junho. Logo, porém, as manifestações revestiram-se de contornos nacionalistas pró-independência. O governo chinês reprimiu os protestos acusando grupos uigures do exterior de fomentar o movimento separatista na região justamente na véspera do G8. Como no caso do vizinho Tibete, também na região autônoma do Xinjiang, localizada no coração da Ásia Central, existem grupos separatistas que lutam há décadas pela independência do Turquistão Oriental ou Turquistão chinês, como é chamado por eles o Xinjiang. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário de alguns dados imprecisos difundidos pela mídia, que afirma que o Xinjiang teria sido anexado em 1949 pelo governo comunista, esse território faz parte oficialmente da China desde 1758, quando da conquista por parte da dinastia Qing. Entre a queda da última dinastia chinesa, em 1911, e a proclamação da República Popular da China, Moscou tentou estender sua influência sobre a região, alimentando tentativas de separatismo. Uma vez no poder, os comunistas deixaram claro que o Xinjiang era parte integrante do território chinês, e por isso adotaram a política de enviar grupos pertencentes à etnia majoritária Han, para reforçar os vínculos culturais com aquela região tão distante da capital. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os chineses, de fato, o Xinjiang era uma terra inóspita, para onde eram enviados criminosos ou políticos banidos. Na época de tal forçado deslocamento, apenas 8% da população do Xinjiang era constituído por chineses da etnia Han. Atualmente, esses últimos constituem quase 40% dos 17 milhões de pessoas que habitam a região. Cerca da metade da população da região pertence a etnias minoritárias, todas muçulmanas, entre as quais se destaca a etnia uigur, acusada pelo governo de Pequim de fomentar o separatismo. A língua e cultura dos uigures provêm da Turquia, país que ainda hoje exerce profunda influência sobre as regiões centroasiáticas com seu ideal pantúrquico de uma única nação que iria da Europa dos Bálcãs até o Xinjiang. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde 1990, grupos islâmicos para a liberação da região do Xinjiang realizaram numerosos atentados em nome da guerra santa contra os infieis (jihad), o que resultou em um controle mais rígido por parte das autoridades chinesas. O governo de Pequim fechou as escolas islâmicas e permite o acesso às mesquitas somente para os maiores de 18 anos. A criação, em 2001, do Movimento Islâmico do Turquistão, uma formação extremista provavelmente financiada pela Al-Qaida e pelo narcotráfico, reforçou os argumentos de Pequim para reprimir qualquer tipo de manifestação popular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante notar que, ao contrário do Tibete, as repressões contra os manifestantes uigures não despertam tanta reprovação internacional. Talvez isso seja devido a dois fatores: o fato de os muçulmanos uigures não poderem contar com a figura carismática de um líder religioso como o Dalai Lama, e a desconfiança generalizada por parte do Ocidente em relação à criação de uma República Islâmica independente na Ásia Central. Contudo, há quem diga que a ação dos grupos de fundamentalistas islâmicos no Xinjiang seria usada como pretexto por parte de Pequim para reprimir qualquer tipo de manifestação popular contra o governo, mesmo se pacífica, como foi considerada a do último domingo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais protestos seriam resultado do mal-estar generalizado entre a população muçulmana frente às políticas de Pequim que favoreceriam os imigrados chineses da etnia Han. De fato, eles possuem uma renda mais alta do que o resto da população, além de acesso a empregos públicos mais atraentes. A divisão inter-étnica, devido à presença “colonizadora” dos Han, é um elemento desestabilizador que Pequim não pode subestimar, tendo em conta a importância estratégica da região, rica em petróleo e gás, especialmente dentro das relações privilegiadas com os membros do grupo de Xangai (Rússia, China, Uzbequistão, Quirquistão, Tajdiquistão e Cazaquistão).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7037768933931613593?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7037768933931613593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7037768933931613593' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7037768933931613593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7037768933931613593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/07/pequim-e-provincia-muculmana-de.html' title='Pequim e a província muçulmana de Xinjiang'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7924812916881054582</id><published>2009-07-01T08:58:00.002-03:00</published><updated>2009-07-01T09:02:24.244-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Honduras'/><title type='text'>Honduras e o fantasma do golpe de estado</title><content type='html'>Desde o último domingo, a população de Honduras enfrenta uma grave crise política. O presidente Manoel Zelaya foi obrigado pelas forças armadas a sair do país e encontra-se em exílio na Costa Rica. Roberto Micheletti, presidente do congresso de Honduras, fez-se nomear, imediatamente, presidente interino, declarando que permanecerá no poder até 29 de novembro, data prevista para as próximas eleições presidenciais. Foi o primeiro golpe de estado na América Latina após 16 anos de relativa tranquilidade política. Mas golpes de estado fazem parte da tradição política desse país, que é considerado o mais pobre após o Haiti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por meio de golpes de estado, diversos governos militares conseguiram derrotar governos reformadores interrompendo bruscamente as tentativas de reverter a condição de extrema pobreza de grande parte da população hondurenha. Nas suas relações externas, Honduras foi por longo tempo aliado dos Estados Unidos, que ali instalaram estrategicamente uma base militar para combater as forças sandinistas da Nicarágua. Os Estados Unidos costumavam apoiar os candidatos do Partido Nacional, de cunho conservador, contra os candidatos do Partido Liberal, mais próximos à população. Como de costume, em 2006, os republicanos americanos apoiaram a candidatura do nacionalista Porfírio Lobo. Porém, ele foi derrotado pelo candidato liberal, Manoel Zelaya, apoiado pelos democratas americanos. No poder, Zelaya inaugurou uma nova administração política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Internamente, aumentou o salário mínimo, estreitando alianças com os setores populares do país, visando combater a exclusão social generalizada e a violência urbana, com índices entre os maiores do mundo. Com efeito, entre os anos de 1998 e 2005, foram contados 2.720 assassinatos de jovens entre 12 e 22 anos. Zaleya opôs-se à pena de morte como remédio para interromper tal ciclo de violência, acreditando que precisava combater as causas da violência identificadas na injusta distribuição de renda entre a população. Externamente, Zaleya aproximou-se da Venezuela, com o qual assinou tratados em matéria de petróleo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, em 2008, ingressou na Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA), da qual fazem parte Venezuela, Equador, República Dominicana, Nicarágua, Cuba. O ingresso nesta organização foi contrastado pela maioria do congresso, que acompanhava com desconfiança os novos rumos da política governamental, claramente em oposição às políticas conservadoras de salvaguarda dos interesses econômicos de banqueiros, empresários e latifundiários, que contam com o apoio político do poder judiciário e das forças armadas hondurenhas. Olhando a situação desse ponto de vista, as causas do enfrentamento entre o presidente Zelaya e os outros poderes nacionais parecem um pouco mais claras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zelaya queria fazer uma consulta quanto à possibilidade de colocar uma quarta urna no dia das eleições presidenciais, 29 de novembro, relativa a uma possível revisão da Constituição. Tal projeto serviu de pretexto para o golpe, que foi contra as reformas sociais pretendidas por Zelaya. O congresso apressou-se, no início da semana passada, em aprovar uma lei que proíbe a realização de consultas populares 180 dias antes ou depois das eleições nacionais, invalidando o projeto de Zelaya. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observando atentamente as datas, conclui-se que a acusação do congresso de que Zelaya queria realizar a consulta de domingo para poder reeleger-se é infundada, pois não daria tempo para ele reeleger-se visto que a consulta relativa à mudança da Constituição aconteceria no mesmo dia das eleições presidenciais. Zelaya foi vítima do poder conservador das elites econômicas em busca de uma desculpa qualquer para tirá-lo do poder. Ao contrário de outros golpes, as forças conservadoras hondurenhas não receberam o apoio internacional esperado. Desta vez, o democrata Barack e o bolivariano Chavez estão do mesmo lado, contra o golpe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7924812916881054582?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7924812916881054582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7924812916881054582' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7924812916881054582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7924812916881054582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/07/honduras-e-o-fantasma-do-golpe-de.html' title='Honduras e o fantasma do golpe de estado'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-932276449219712140</id><published>2009-06-24T12:03:00.002-03:00</published><updated>2009-06-24T12:05:28.200-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Irã'/><title type='text'>A nova revolução no Irã</title><content type='html'>Desde o dia 12 de junho, quando o resultado das eleições no Irã apontou para a vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad, reeleito com mais de 62% dos votos, o país tornou-se palco de protestos por parte dos oposicionistas, que apoiavam a candidatura à presidência do reformador Mir Houssein Moussavi. As manifestações de protesto que estão tomando cada dia mais força visam denunciar uma suposta fraude eleitoral por parte do governo de Ahmadinejad para impedir a eleição de Moussavi. O líder supremo do Irã, Aiatolá Khameini, ordenou que o Conselho dos Guardiões procedesse a uma recontagem dos votos para tentar acalmar a população, que há dias ocupa as principais ruas e praças de Teerã, capital do Irã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pleno século 21, a imagem dos 12 guardiões, clérigos muçulmanos, reunidos para decidir o futuro próximo de milhões de iranianos, para nós que moramos em países onde há uma clara separação entre igreja e estado, é sem dúvida anacrônica, mas, para a República Islâmica do Irã, não o é. Desde 1979, quando a dinastia Pahlavi - que governou o país por mais de 50 anos - foi derrubada, e o Aiatolá Khomeini proclamou a República Islâmica do Irã, o país é governado por um líder religioso supremo que, além de decidir os rumos da política externa e interna da nação, chefia as Forças Armadas. Um grupo de 12 clérigos juristas - seis indicados pelo Aiatolá e outros seis pelo líder do judiciário - formam o Conselho dos Guardiões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de um grupo com muito poder que trabalha para o Líder Supremo (Aiatolá) na administração do país, interpretando a Constituição de acordo com a visão do grupo sobre os princípios religiosos do Islã. Da mesma forma, o poder judiciário é subordinado à sharia (lei islâmica). Na época anterior à derrubada da dinastia Pahlavi, o governo do Irã mantinha relações estreitas com os países ocidentais, sobretudo com os Estados Unidos, do qual tentava copiar a american way of life. Em 1963, o Xá Mohammad Pahlavi - no período chamado de Revolução Branca - lançou diversas reformas no intuito de modernizar o país: tentativa de uma reforma agrária e introdução do voto feminino. Contudo, a dura oposição dos clérigos e a difícil situação econômica da maioria da população impediram que tais reformas se tornassem efetivas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Aiatolá Khomeini liderou os grupos de oposição e apresentou-se à população iraniana - cansada com a pobreza, a opressão do Xá e a exploração estrangeira - como aquele que libertaria o país e o conduziria rumo a uma sociedade mais justa e mais próspera. Uma vez conquistado o poder, porém, Khomeini apressou-se em livrar-se dos seus ex-aliados políticos (liberais e socialistas), e levou à presidência da república o atual Líder Supremo Ali Khamenei. No âmbito externo, as relações diplomáticas com os Estados Unidos, país que ganhou o apelido de “Grande Satã”, foram cortadas. Da mesma forma, o Irã distanciou-se de outros países ocidentais, enquanto procurava difundir, sem muito sucesso, a revolução islâmica nos países árabes vizinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase 20 anos depois, em 1997, o reformador Mohammad Khatami conseguiu eleger-se à presidência da República Islâmica, e, pela primeira vez, desde 1979, houve uma tentativa de modernização do país. Apoiado, sobretudo pelas mulheres, jovens e intelectuais do país, que o reelegem em 2000, Khatami empenhou-se na construção de um Irã moderno. Suas tentativas, porém, não tiveram força suficiente para derrotar a oposição dos grupos conservadores que temiam perder poder. Para frear tais reformas, os clérigos muçulmanos decidiram atingir a já débil economia do país por meio de greves gerais que paralisaram o Irã. A conjuntura externa também não lhe foi favorável, pois eram os anos em que George W. Bush incluiu o Irã entre os países do assim chamado “Eixo do Mal”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A invasão americana no Iraque foi usada pelos clérigos muçulmanos como pretexto para deslegitimar o presidente reformador. De fato, em 2005, o conservador Mahmoud Ahmadinejad, candidato dos clérigos, foi eleito presidente. De volta aos nossos dias, percebemos que os atuais protestos fazem parte de um projeto reformador já saboreado pela população iraniana. Os fundamentalistas islâmicos acreditaram tê-lo derrotado, mas num país cuja média de idade da população é de 26 anos, o desejo de liberdade e mudanças está falando mais forte que o medo da repressão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-932276449219712140?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/932276449219712140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=932276449219712140' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/932276449219712140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/932276449219712140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/06/nova-revolucao-no-ira.html' title='A nova revolução no Irã'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-6513988252360405998</id><published>2009-06-14T17:17:00.002-03:00</published><updated>2009-06-20T20:15:10.481-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tiananmen'/><title type='text'>Tiananmen (Praça da Paz Celestial) – Vinte anos depois</title><content type='html'>Dia 4 de junho, completaram-se 20 anos dos protestos da Praça da Paz Celestial (em chinês Tiananmen) em Pequim. Ainda está viva na memória de muitas pessoas a incrível imagem do jovem manifestante que, sozinho, conseguiu parar os tanques do exército chinês. Aquela cena permaneceu como símbolo da luta pela liberdade contra um governo ditatorial. Ninguém sabe onde está hoje aquele jovem. Aliás, a maioria dos adolescentes chineses não sabe ou talvez não se interesse em saber o que realmente aconteceu naquele fatídico 4 de junho de 1989. Os livros escolares nem mencionam o evento, pois para o governo de Pequim essa data representa ainda um problema não resolvido, algo que é preciso esconder do mundo para não manchar sua nova imagem. Prova disso são as medidas de segurança que nesse dia foram tomadas pelas autoridades chinesas para evitar eventuais incidentes: o aumento do número dos policiais na praça, onde vinte anos atrás milhares de estudantes reuniram-se; o bloqueio dos sites que continham informações sobre os incidentes ocorridos em 4 de junho; proibição de debates sobre os motivos que provocaram os protestos e sua repressão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 4 de junho de 1989 marcou o início do choque entre o exército chinês e os estudantes. Fileiras de tanques atravessaram as artérias principais de Pequim. O confronto foi violento. Os feridos e os mortos foram contados dos dois lados, e a versão oficial do governo não coincidiu com a difundida pelos jornais estrangeiros. A Amnesty International estimou que cerca de 2 mil manifestantes foram presos, acusados de crimes contra-revolucionários. Uma primeira leitura dos acontecimentos levou a opinião pública internacional a tomar a defesa dos estudantes, considerados vítimas inocentes de um sistema autoritário que, sem nenhum escrúpulo, realizara um verdadeiro massacre. O governo chinês foi atacado e acusado de violação dos direitos humanos. Sucessivamente, outras leituras foram feitas, não isentando o Partido Comunista da acusação de ter usado indevidamente a força militar contra os jovens chineses, mas reconhecendo a complexidade dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os combates daqueles primeiros dias de junho, expostos ao mundo inteiro, manifestaram a luta interna pelo poder que estava acontecendo no Partido Comunista entre a facção mais conservadora, que não aceitava a abertura e as reformas econômicas implantadas a partir de 1978, e o grupo progressista liderado por Deng Xiaoping, que lutava pelo fim do isolamento chinês. Os estudantes, reunidos em grupos mais ou menos organizados, eram os porta-vozes daqueles que, mesmo usufruindo de certo melhoramento de vida, enfrentavam ainda muitas dificuldades de ordem econômica e política. Os estudantes queriam abertura, igualdade, o fim dos privilégios dos que detinham o poder. A eles uniram-se outras camadas da população, que acrescentaram outras reivindicações, mais específicas. Todavia a precariedade da organização dos vários movimentos estudantis permitiu que os manifestantes fossem manipulados por correntes políticas em busca da legitimidade de uma autoridade que há tempo estava fraquejando. Provavelmente, se o Partido Comunista não estivesse passando por uma grave crise política, não teria optado pelo uso da força que, naquela conjuntura, foi identificada como única possibilidade de evitar que o partido fosse arrastado pelos combates e perdesse sua autoridade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 9 de junho, Deng Xiaoping declarou a derrota dos movimentos de protestos e convidou o país a reerguer-se, continuando sua corrida desenvolvimentista. Vinte anos depois, políticos chineses ainda afirmam que a repressão foi uma medida necessária para evitar que o país se desestabilizasse econômica e politicamente, como aconteceu na ex-União Soviética, em 1991. Nesses vinte anos, a economia chinesa fez passos de gigante, conseguindo tirar 400 milhões de chineses da linha de pobreza. O governo ampliou a democratização do próprio Partido Comunista, o que resultou na integração de setores relevantes da sociedade chinesa. Os chineses estão mais satisfeitos com seu país. Mas a China ainda precisará de muitos anos para que possa refletir serenamente e debater com liberdade sobre o que aconteceu naquele doloroso dia 4 de junho de 1989.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-6513988252360405998?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/6513988252360405998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=6513988252360405998' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6513988252360405998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6513988252360405998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/06/tiananmen-praca-da-paz-celestial-vinte.html' title='Tiananmen (Praça da Paz Celestial) – Vinte anos depois'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-3874656589690360127</id><published>2009-06-03T10:33:00.001-03:00</published><updated>2009-06-20T20:06:38.089-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='João Goulart'/><title type='text'>A Política Externa Independente no governo de João Goulart</title><content type='html'>Jânio Quadros anunciou a renúncia ao cargo de presidente com o intuito de aumentar seus poderes, esperando que tal ato não fosse aceito. A direita civil e militar, porém, aceitou a renúncia e barrou a posse de João Goulart como novo presidente. Leonel Brizola promoveu a campanha da legalidade, que resultou no retorno de Jango, mas via parlamentarismo. Tancredo Neves foi nomeado primeiro-ministro. O presidente João Goulart tomou posse no dia 7 de setembro de 1961, já enfrentando a oposição dos grupos conservadores que - desde sua gestão como vice-presidente - consideravam sua atuação política altamente suspeita por seu envolvimento ideológico com a esquerda nacional. San Tiago Dantas foi nomeado Ministro das Relações Exteriores. Tal decisão salvou o destino da Política Externa Independente, pois o ministro Dantas conseguiu colocar em prática o discurso de autonomia ensejado pelo presidente Quadros. Apesar da resistência dos conservadores, o Ministro das Relações Exteriores empenhou-se em estabelecer um plano estratégico de atuação da PEI. Ele esquematizou as diretrizes da Política Externa Independente em cinco princípios: a) contribuição para a preservação da paz, por meio da prática da coexistência e do apoio ao desarmamento geral e progressivo; b) reafirmação e fortalecimento dos princípios de não-intervenção e autodeterminação dos povos; c) ampliação do mercado externo brasileiro mediante o desarmamento tarifário da América Latina e a intensificação das relações comerciais com todos os países, inclusive os socialistas; d) apoio à emancipação dos territórios não-autônomos, independente da forma jurídica utilizada para sua sujeição à metrópole; e) política de autoformulação dos planos de desenvolvimento econômico e de prestação e aceitação de ajuda internacional. A ampliação dos mercados internacionais foi uma das preocupações principais da PEI, para contrabalançar a necessidade de importação do país e aumentar o PIB nacional. No final de 1961, foram restabelecidas as relações diplomáticas com a União Soviética, justificando tal decisão pelo alto índice de crescimento econômico do bloco soviético, e pelas consequentes oportunidades comerciais que o restabelecimento de tais relações oportunizaria para o país. Em 1962, durante a crise de Cuba, o Brasil posicionou-se contra a possível intervenção norte-americana na ilha de Cuba, mantendo-se coerente com o princípio da PEI de defesa da não-intervenção, e por considerar indevida a ingerência de qualquer estado nos assuntos internos de outros países. Tal postura pôs em alerta o governo norte-americano, preocupado com uma possível perda de controle sobre o continente sul-americano, assim como confirmou o temor dos grupos conservadores brasileiros sobre o suposto esquerdismo do presidente Goulart. A situação de divisão interna agravou-se quando o presidencialismo foi restabelecido no Brasil, em janeiro de 1963, significando o fim das limitações de poder impostas ao presidente Goulart com o parlamentarismo. Durante este período, a política externa brasileira sofreu fortes desgastes, devido às continuas mudanças de ministro das relações exteriores. Em 1964, João Goulart aprovou a regulamentação da remessa de lucros para o exterior, enquanto o Itamaraty, que havia abandonado a PEI, renovava o Acordo Militar com os Estados Unidos. A ação do Presidente Goulart perdeu força sem o apoio nacional e internacional. O golpe de 31 de março de 1964 marcou o fim da Política Externa Independente. Os Estados Unidos foram acusados de ter ajudado os militares a derrubar o governo de João Goulart. Segundo os historiadores Amado Luiz Cervo e Clodoaldo Bueno, “os Estados Unidos não se envolveram diretamente com a elaboração do golpe de 1964, mas dele tinham conhecimento, bem como o acompanharam com óbvio interesse e simpatia e estavam preparados para um eventual apoio aos sublevados caso fosse necessário (operação Brother Sam). Além disso, acolheram o novo governo (de Castello Branco) com satisfação e inauguraram com este uma política de apoio e colaboração”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-3874656589690360127?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/3874656589690360127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=3874656589690360127' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3874656589690360127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3874656589690360127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/06/politica-externa-independente-no.html' title='A Política Externa Independente no governo de João Goulart'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-3579733322626574974</id><published>2009-05-27T15:55:00.001-03:00</published><updated>2009-06-20T20:07:29.428-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jânio Quadros'/><title type='text'>A Política Externa Independente no governo de Jânio Quadros</title><content type='html'>&lt;p&gt;No dia 31 de janeiro de 1961, Jânio Quadros tomou posse como presidente do Brasil. Seu governo durou pouco mais de sete meses, mas, nesse breve período, o presidente Quadros colocou as bases para a implantação de uma política externa inovadora, denominada Política Externa Independente (PEI). Essa linha política apresentava-se de um lado, como a continuação e o aprofundamento do projeto nacional-desenvolvimentista inaugurado por Getúlio Vargas e, de outro, como uma proposta pioneira, sobretudo, no que dizia respeito à tradicional aliança com os Estados Unidos. Aproveitando as mudanças internacionais favoráveis à adoção de uma política externa mais autônoma em relação à potência norteamericana, Jânio Quadros procurou estabelecer relações políticas e comerciais com todos os países, inclusive os países socialistas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já antes de sua posse como presidente, Jânio Quadros visitou Cuba, em 1960, e, em seguida, viajou para Moscou com o intuito de restabelecer relações diplomáticas com a URSS, que haviam sito interrompidas em 1947, durante a gestão do presidente Gaspar Dutra. Jânio Quadros pertencia a um partido conservador, a União Democrática Nacional (UDN), enquanto seu vice, João Goulart, pertencia a um partido de esquerda, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). O fato de pertencer a um partido conservador permitiu ao presidente Quadros maior espaço de manobra. Ele pôde, durante sua gestão, adotar posturas diferentes no âmbito da política interna e da política externa. Com efeito, internamente, o presidente Quadros adotou uma postura predominantemente conservadora, procurando alinhar a economia brasileira aos princípios do FMI, enquanto no exterior ensejava uma administração autônoma dos Estados Unidos, o que agradava aos grupos de esquerda e aos nacionalistas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Contudo, eram duas faces de uma única medalha, pois a PEI foi concebida justamente como instrumento para uma política de desenvolvimento nacional. Era uma experiência inédita, que dava à política externa brasileira, até então limitada a visões regionalistas, uma dimensão mundial e uma postura ativa frente às mudanças internacionais. No final dos anos 50, início dos anos 60, o cenário internacional transformou-se, favorecendo a ampliação das relações internacionais. Destacamos a recuperação econômica da Europa Ocidental e do Japão, que se apresentavam ao Brasil como possíveis alternativas comerciais; o processo de descolonização na África e na Ásia; a emergência da URSS como nova potência mundial; o surgimento do Movimento dos Países Não-Alinhados, em 1961, que sublinhava a necessidade de uma nova ordem internacional contra a divisão do mundo em dois blocos, tudo isso criou as condições necessárias para que o Brasil buscasse desenhar as linhas-guia de uma nova política externa, mais autônoma.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em relação, por exemplo, a Portugal, aliado tradicional do Brasil, o presidente Quadros procurou afastar-se da política colonialista do presidente Salazar, passando a defender a independência das colônias africanas de Angola e Moçambique. Da mesma forma, criticou o sistema de apartheid vigente na África do Sul. No continente americano, o presidente Jânio Quadros procurou aproximar-se da Argentina, formando um movimento de resistência contra uma possível intervenção norteamericana na América Latina, em razão da Revolução Cubana. Com a atuação da PEI, o governo brasileiro procurava reagir à queda do comércio exterior, buscando novos mercados para os produtos brasileiros, sem distinguir entre mercados pertencentes a países democráticos ou socialistas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A PEI defendia a formulação de planos de desenvolvimento econômicos que previam a aceitação de ajuda internacional desde que essa ajuda não contrastasse o desenvolvimento nacional. A defesa de uma política externa independente não agradou aos grupos conservadores brasileiros, que se assustaram com a insistência do governo de aproximar o Brasil aos países comunistas. Em 1960, Jânio Quadros enviou João Goulart, seu vice - considerado pelos conservadores um esquerdista de primeira - para uma missão comercial na China, em busca de novos mercados. No mesmo ano, Jânio Quadros condecorou, em Brasília, o ministro da economia de Cuba, Che Guevara. Tais ações agravaram a crise interna, levando à renúncia do presidente Jânio.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-3579733322626574974?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/3579733322626574974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=3579733322626574974' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3579733322626574974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3579733322626574974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/05/politica-externa-independente-no.html' title='A Política Externa Independente no governo de Jânio Quadros'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-6217799679850931129</id><published>2009-05-22T15:51:00.000-03:00</published><updated>2009-05-30T15:53:52.971-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><title type='text'>Bento 16 - Peregrino na Terra Santa (parte II)</title><content type='html'>&lt;p&gt;Nos últimos dias de sua permanência na Terra Santa, Bento 16 teve oportunidade de encontrar e dialogar com os líderes máximos das comunidades palestina e israelense. Nos dois encontros, o papa fez questão de sublinhar qual é a posição da Santa Sé diante do conflito, ou seja, ela seria favorável à existência dos dois estados, israeliano e palestino. Desse mesmo pensamento, é o jesuíta Samir Khalil Samir, entre os mais escutados pelo Vaticano. Segundo ele, a raiz do conflito não é religiosa nem étnica, mas política. O problema - segundo Samir - remonta à criação do estado de Israel e à repartição da Palestina, em 1948.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para remediar a injustiça contra um terço da população hebreia, com o holocausto, os governos ocidentais cometeram uma nova injustiça, dessa vez contra a população palestina, inocente em relação ao martírio dos hebreus. Bento 16, durante o encontro com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Abu Mazen, no Palácio Presidencial de Belém, reiterou o seu apoio ao reconhecimento de uma pátria para os palestinos: “A Santa Sé apoia o direito do povo palestino a uma pátria soberana, palestina, na terra de vossos antepassados, segura e em paz com os seus vizinhos, dentro de confins internacionalmente reconhecidos”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Além de convidar as partes em conflito a abandonar o rancor e a escolher o caminho da reconciliação, pediu à comunidade internacional de não poupar esforços em favor de uma solução dos conflitos, da reconstrução de casas, escolas, hospitais destruídos no recente conflito na Faixa de Gaza. Em Belém, Bento 16 deparou-se com a triste realidade do Muro da Separação, uma barreira de cimento e arame farpado alta com mais de oito metros que separa a cidade de Belém da área de Jerusalém, distante apenas nove quilômetros. O muro foi construído em 2004 por Israel como medida de segurança contra os ataques palestinos a Jerusalém. Mas acabou provocando grandes perdas pelo povo palestino, não apenas do ponto de vista econômico, pelo fechamento de quase 80% do comércio e pela queda do turismo, mas, sobretudo, porque representa uma séria limitação da liberdade dos palestinos que não podem deixar a cidade sem permissão do governo de Israel.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A visita ao local foi um dos momentos mais fortes da viagem de Bento 16. Ele afirmou: “Enquanto o costeava, rezei por um futuro em que os povos da Terra possam viver juntos em paz e harmonia sem a necessidade desse tipo de instrumentos de segurança e separação, mas respeitando-se e confiando um no outro, renunciando a todo tipo de violência e agressão”. Com essas palavras, Bento 16 sublinhou, de um lado, os sofrimentos do povo palestino, mas, de outro, reconheceu a necessidade de segurança por parte de Israel, pedindo aos palestinos para rejeitar o terrorismo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dirigindo-se a ambas as partes, disse: “De ambos os lados do muro, é necessário grande coragem para superar o medo e a desconfiança, se deseja-se contrastar a necessidade de vingança pelas perdas e ferimentos. Ocorre magnanimidade para buscar a reconciliação após anos de conflitos armados”. Ele sublinhou que não basta abater os muros de pedra. “Antes de tudo, é necessário remover os muros que construímos ao redor dos nossos corações, as barreiras que levantamos contra o nosso próximo”. No dia seguinte, Bento 16 encontrou-se, na cidade de Nazaré, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, eleito no último mês de abril. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O papa conversou a sós com Netanyahu por 15 minutos, que lhe pediu para condenar as posições iranianas de negação da legitimidade do estado de Israel. O papa atendeu ao pedido israelense no último dia de sua viagem. Durante o discurso de despedida na Terra Santa, no aeroporto de Tel Aviv, ele afirmou: “Não mais efusão de sangue! Não mais conflitos! Não mais terrorismo! Não mais guerra! Rompamos antes o círculo vicioso da violência. Seja universalmente reconhecido que o estado de Israel tem o direito de existir e de usufruir da paz e da segurança dentro de confins internacionalmente reconhecidos. Seja igualmente reconhecido que o povo palestino tem o direito a uma pátria independente, soberana, direito a viver com dignidade e a viajar livremente. Que a ‘two-State solution’, a solução de dois estados, torne-se realidade e não permaneça sonho”. E concluiu com um convite: “Que a paz possa difundir-se nessas terras; que elas possam ser ‘luz para as nações’, levando esperança a muitas outras regiões atingidas por conflitos”.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-6217799679850931129?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/6217799679850931129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=6217799679850931129' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6217799679850931129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6217799679850931129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/05/bento-16-peregrino-na-terra-santa-parte_22.html' title='Bento 16 - Peregrino na Terra Santa (parte II)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4933917110950640864</id><published>2009-05-13T08:00:00.000-03:00</published><updated>2009-05-13T09:00:41.604-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vaticano'/><title type='text'>Bento 16 - Peregrino na Terra Santa (parte I)</title><content type='html'>A visita de Bento 16 à Terra Santa teve início sexta-feira passada, dia 8 de maio, e terminará nesta sexta, dia 15. Nesses dias, o papa visitará os lugares santos da história do cristianismo. Na Jordânia, primeira etapa da viagem, o papa já visitou o lugar onde Jesus foi batizado, junto ao rio Jordão. No dia 11, Bento 16 deixou a capital da Jordânia, Amã, rumo a Israel, onde permanecerá até o fim da visita, passando pelas cidades de Jerusalém, Belém e Nazaré. Naturalmente, a viagem de Bento 16 não é uma simples peregrinação. Ele mesmo sublinhou - aos jornalistas que lhe perguntaram sobre o sentido e os objetivos de sua viagem - que se trata não apenas da viagem de um indivíduo, “mas de um chefe da igreja, que não é um poder político, mas uma força espiritual”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo em seguida, Bento 16 evidenciou os três objetivos de sua visita: a oração, porque Deus pode mudar o curso da história se milhões de fiéis o invocam; a formação das consciências, para que os seres humanos sejam capazes de perceber a verdade, livrando-se de visões particulares e abrindo-se aos valores autênticos; e, por último, a racionalidade, porque não sendo parte política, a igreja pode refletir e aprofundar as posições mais racionais. Durante a visita em Amã, ele ainda especificou que veio “simplesmente com uma intenção e uma esperança: rezar para o dom mais precioso da unidade e da paz, mais especificadamente para o Oriente Médio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Amã, Bento 16 foi acolhido pelo rei da Jordânia, Abdullah II bin Hussein, e sua esposa, que o acompanharam durante a visita. A Jordânia é o único país do Oriente Médio onde os cristãos - que representam 2% da população - são livres de professar a sua fé, construir escolas, igrejas e universidades. Por isso, Bento 16 elogiou a política de liberdade religiosa adotada pelo rei da Jordânia, e seu importante papel de promotor da paz na região. O rei da Jordânia, por sua vez, declarou sua alegria em acolher o papa em sua terra, onde “muçulmanos e cristãos são cidadãos iguais diante da lei, todos contribuindo ao futuro do país”. Hussein sublinhou que viver em paz, confortar os pobres e desesperados, dar esperança aos jovens é o empenho do seu país e a alma de sua comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Amã, o papa visitou também a mesquita Al-Hussein Bin Talai, onde foi acolhido por um grupo de importantes líderes muçulmanos, entre os quais o príncipe Ghazi Bin Muhammad Bin Talai, primo do rei Abdullah. O príncipe Gazi foi o principal inspirador da carta ao papa assinada, em 2006, por 138 representantes muçulmanos de vários países que marcou o início de um diálogo profícuo entre muçulmanos e cristãos, após a polêmica lição de Bento 16 na Universidade de Ratisbona. A visita do papa à mesquita e o diálogo com os líderes islâmicos teve grande repercussão no mundo muçulmano. A etapa de Bento 16 em Israel é certamente a mais esperada e polêmica. Há o temor que esta viagem e as declarações de Bento 16 sejam instrumentalizadas politicamente pelos dois lados em conflito: árabes e judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grupos árabes temem que a viagem de Bento 16 torne-se uma vantagem política para Israel. Mas Bento 16 surpreendeu mais uma vez, destacando-se pela originalidade e racionalidade de suas contribuições particularmente nos assuntos mais críticos e pungentes. Dois são os temas cruciais que a opinião pública esperava que Bento 16 enfrentasse em solo israelita: o tema da paz e o da segurança, após o dramático conflito de janeiro passado; e o tema da Shoah e antissemitismo, após as polêmicas declarações do bispo Williamson. Nos dois casos, ele escolheu abordar os dois temas a partir da fé e da escritura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele relacionou a paz à procura de Deus, empenho que deveria ser de todos os líderes religiosos; e a segurança à palavra bíblica “batah”, que significa não apenas segurança, mas confiança: “Uma segurança duradoura é questão de confiança, alimentada na justiça e na integridade, selada pela conversão dos corações que nos obriga a olhar o outro nos olhos e a reconhecer o ‘tu’ como meu semelhante, meu irmão, minha irmã”. Durante a visita ao memorial das vítimas do Holocausto, Bento 16 lembrou o sentido de uma outra palavra bíblica: o “nome”, evidenciando como não é possível tirar o nome de nenhum ser humano, pois os nomes de todos “estão gravados de maneira indelével na memória de Deus Onipotente”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4933917110950640864?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4933917110950640864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4933917110950640864' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4933917110950640864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4933917110950640864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/05/bento-16-peregrino-na-terra-santa-parte.html' title='Bento 16 - Peregrino na Terra Santa (parte I)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7870575240354118214</id><published>2009-05-06T08:21:00.000-03:00</published><updated>2009-05-07T08:22:35.607-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Organizações Internacionais'/><title type='text'>Sujeitos importantes em forma de siglas internacionais</title><content type='html'>Algumas siglas estão se tornando mais familiares, mas, talvez, não conheçamos a origem e relevância delas no cenário internacional. Por exemplo, escutando as notícias sobre a difusão da gripe A e o risco de pandemia, recebemos diariamente orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Quando o assunto é a evolução da crise econômica mundial, lá vem a Organização Mundial do Comércio (OMC), e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Quando o assunto é desrespeito aos direitos humanos, acompanhamos os relatórios da Amnesty International, ou, em matéria de meio ambiente, as denúncias do Greenpeace ou do WWF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas essas organizações internacionais estão ocupando mais espaço, atuando ao lado dos estados ou até competindo com eles, que já não são mais considerados os únicos atores internacionais. Qual a origem de tais organizações? A maior parte delas surgiu a partir da segunda metade do século 20. Todavia, já no século 19, havia notícias de formação das primeiras organizações internacionais, como a União Telegráfica Internacional, fundada em 1865, e a União Postal Universal, criada em 1874. A transformação social e econômica provocada pela Revolução Industrial contribuiu para a melhoria das comunicações, para a diminuição dos tempos de deslocamento além das fronteiras nacionais, aproximando povos e culturas e facilitando a integração e cooperação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a Primeira Guerra Mundial, com a entrada dos Estados Unidos no conflito, o cenário internacional ampliou-se mais ainda. E foi justamente dos Estados Unidos que veio a ideia de se criar uma organização que reunisse vários estados no empenho para garantir um sistema de segurança coletiva contra as eventuais ameaças à paz. O então presidente Woodraw Wilson, deu vida à Liga das Nações, germe da futura Organização das Nações Unidas (ONU), que se afirmou no Ocidente depois da Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A divisão do mundo em dois blocos, durante o período da Guerra Fria, não desencorajou o surgimento de numerosas organizações internacionais. Com o intuito de melhorar as relações entre povos e culturas, trabalhando em defesa da paz ou procurando resolver problemas sociais e econômicos, tais organizações atuam em diversos âmbitos, estruturadas em nível regional e mundial. As organizações internacionais - sejam elas inter-governamentais (OIGs) ou não-governamentais (ONGs) - podem ser definidas como a forma mais estruturada de se realizar a cooperação internacional. A diferença entre OIGs e ONGs é que as primeiras são criadas por vontade dos estados, por meio de tratados, com a finalidade de realizar interesses comuns através da cooperação permanente entre seus membros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São OIGs, para citar os exemplos mais conhecidos, a União Europeia e a ONU, com as suas várias agências especializadas: Organização Mundial do Comércio (OMC), Organização Mundial da Saúde (OMS), Banco Mundial, FMI, Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Unesco (para a educação, ciência e cultura), Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), Unicef (para a infância). As ONGs diferem-se das OIGs por serem privadas, e não estatais. De fato, elas são criadas por grupos de cidadãos, sendo entes privados sem fins lucrativos, voltados para os direitos humanos, a proteção ambiental, a ajuda humanitária, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, surgem para ajudar grupos ou defender espaços que são negligenciados pelos estados. As ONGs mais conhecidas são a Cruz Vermelha, os Médicos Sem Fronteiras, além das que já citamos, como o Greenpeace, WWF, Amnesty International. São muitas as dificuldades que as organizações internacionais enfrentam para concretizar os seus objetivos. Os estados resistem à atuação das ONGs e OIGs por medo de uma concorrência que possa enfraquecer a sua soberania. O crescimento em número e força de tais organizações parece demonstrar que a cooperação internacional é um caminho sem volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7870575240354118214?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7870575240354118214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7870575240354118214' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7870575240354118214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7870575240354118214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/05/sujeitos-importantes-em-forma-de-siglas.html' title='Sujeitos importantes em forma de siglas internacionais'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-626817633269198792</id><published>2009-04-29T08:00:00.000-03:00</published><updated>2009-04-29T19:00:57.263-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sri Lanka'/><title type='text'>Sri Lanka - a “pérola” do Oceano Índico</title><content type='html'>Acessando o site oficial de turismo do Sri Lanka (ex-Ceilão ou Ceylon), encontramos logo a descrição desta ilha, localizada ao sul da Índia: “Praias de areia branca, vegetação exuberante, vida selvagem surpreendente, uma herança histórica riquíssima”. E um convite caloroso: “O sorriso amigo das pessoas do Sri Lanka te esperam. Venha e experimente!”. Tal descrição não é propaganda enganosa. O Sri Lanka, uma ilha tropical belíssima, é meta turística de milhares de estrangeiros atraídos pelas suas belezas naturais e sua riqueza cultural. Contudo, o país ficou conhecido também como foco de uma guerra civil que teve início em 1983 e que, salvo alguns anos de trégua, continua até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calcula-se que, desde o início do conflito, morreram mais de 50 mil pessoas. Os que fugiram, refugiando-se em outros países, principalmente a vizinha Índia, são mais de 100 mil. A área interessada pelo conflito situa-se na região nordeste da ilha, onde vivem 190 mil civis, na maioria pertencente à etnia tâmil, correspondente a 18% da população total. A etnia majoritária do Sri Lanka é a cingalesa (74%). O restante é muçulmano (7%) e Burghers, descendentes dos colonizadores portugueses e holandeses (1%).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conflito entre a etnia majoritária cingalesa e a minoritária etnia dos tâmeis recrudesceu-se de tal forma nestes últimos meses que chamou a atenção mundial. O que preocupa é a situação alarmante dos sobreviventes desalojados que estão à beira da morte por não conseguirem receber as ajudas humanitárias enviadas pela ONU. O recrudescimento do conflito deve-se à decisão do governo do Sri Lanka de pôr um fim à ação violenta dos guerrilheiros rebeldes, conhecidos como Tigres de Libertação da Pátria Tâmil, que há anos, com ataques suicidas e atentados a civis e militares cingaleses, desestabilizam a vida do país. O grupo reivindica a criação de um estado Tâmil independente, proposta que foi sempre recusada pelo governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rivalidade entre os cingaleses e os tâmeis originou-se no período em que a ilha tornou-se colônia da Inglaterra, no início do séc. 19, após ter sido colonizada primeiramente pelos portugueses e, depois, pelos holandeses. A ilha tornou-se, sob o domínio inglês, a maior produtora mundial de chá. Para isso, os ingleses trouxeram do sul da Índia, precisamente do estado do Tamil Nadu, milhares de operários de etnia tâmil para que trabalhassem na produção de chá. Pelos seus serviços à coroa britânica, os tâmeis receberam tratamento especial em relação ao resto da população de etnia cingalesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a independência do país, em 1948, os cingaleses criaram um governo de forte sentimento nacionalista, reacendendo as divisões étnicas e fomentando o desejo de se vingarem das humilhações e discriminações sofridas durante o período colonial, sobretudo, em relação aos tâmeis. Além de declarar, em 1965, o idioma cingalês como oficial, e o budismo como principal religião, os cingaleses procuraram excluir os tâmeis dos melhores empregos públicos e dos estudos universitários, sob pretexto de sanar a situação de desequilíbrio criada durante a dominação britânica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1972, na região nordeste do país, formaram-se os primeiros grupos rebeldes, dentre os quais ganhou força o grupo dos Tigres Tâmeis. O primeiro ataque feito pelos Tigres foi em 1983, quando 13 soldados cingaleses foram mortos por guerrilheiros tâmeis em Jaffna. O conflito continuou até 2002, quando um cessar-fogo negociado pelo governo norueguês conseguiu restabelecer um mínimo de segurança aos habitantes do Sri Lanka. Em 2005, a eleição de um líder cingalês budista reacendeu os ânimos. O presidente Mahinda Rajapaksa recusou-se a dar maior autonomia aos tâmeis, acusando-os de desrespeitarem o cessar-fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O país voltou ao estado de guerra civil, e os que mais sofrem são, como sempre, os inocentes. Nos últimos três meses, foram mortas 6,5 mil pessoas no conflito. No último domingo, o grupo dos Tigres Tâmeis declarou unilateralmente o cessar-fogo. As autoridades do Sri Lanka consideram tal ato uma piada, acusando os tâmeis de usar como escudo humano os milhares de civis que vivem na região do conflito. Para o governo, a solução seria a rendição dos rebeldes. Analistas internacionais definem os guerrilheiros como terroristas e a proposta de criação de um estado independente como exagerada. Discordam da luta pela independência, mas defendem o respeito aos direitos civis das minorias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-626817633269198792?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/626817633269198792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=626817633269198792' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/626817633269198792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/626817633269198792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/04/sri-lanka-perola-do-oceano-indico.html' title='Sri Lanka - a “pérola” do Oceano Índico'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-912187411043890456</id><published>2009-04-15T08:26:00.001-03:00</published><updated>2009-06-20T20:05:38.489-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Operação Pan-Americana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Juscelino Kubitschek'/><title type='text'>A Operação Pan-Americana de Juscelino Kubitschek (Parte 2)</title><content type='html'>&lt;p&gt;Em 1958, JK lançou a Operação Pan-Americana (OPA), uma proposta de cooperação internacional de âmbito hemisférico que visava ao desenvolvimento econômico e político não apenas do Brasil, mas de toda América Latina, onde o sentimento antiamericano e anti-imperialista enraizava-se cada vez mais. As violentas manifestações ocorridas nas cidades de Lima e Caracas contra o vice-presidente americano, Richard Nixon, em visita, naquele ano, ao continente sul-americano, confirmaram tais sentimentos. Após o retorno de Nixon aos Estados Unidos, JK enviou uma carta ao presidente Eisenhower, apresentando a Operação Pan-Americana, primeiramente como uma tentativa de recompor a unidade continental. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;JK apresentava ao presidente americano a necessidade de uma “inversão precursora nas áreas econômicas atrasadas do continente, a fim de compensar a carência de recursos financeiros internos e a escassez de capital privado. A América Latina, que também contribuiria para a vitória democrática, se viu, pouco a pouco, em situação econômica mais precária e aflitiva que as nações devastadas pela guerra, e passou a constituir o ponto mais vulnerável da grande coalizão ocidental”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;JK retomava, nestas últimas linhas, a tese já usada por Vargas de que o desenvolvimento e o fim da miséria eram as maneiras mais eficazes de se evitar a penetração de ideologias exóticas e antidemocráticas, que se apresentavam como soluções para os países atrasados. Em outro trecho, JK sublinhou o desejo do Brasil de ser protagonista do cenário mundial: “Reclamamos o direito de opinar e colaborar efetivamente, o que é imperativo de nação que se sabe adulta e deseja assumir a plenitude de suas responsabilidades em uma política que é sua”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Diante do pedido brasileiro de maior autonomia, a primeira reação do presidente Eisenhower foi de frieza. Logo, porém, os acontecimentos internacionais o convenceram a voltar nos seus passos. Em Cuba, a guerrilha avançava. Fidel Castro estava preparando-se para conquistar a ilha, o que aconteceria pouco depois do lançamento da OPA, em 1º de janeiro de 1959, marcando o início da Revolução Cubana. Temendo a difusão da ameaça comunista na América Latina, Eisenhower mudou sua atitude em relação à proposta de JK, enviando ao Brasil seu secretário de estado, John Foster Dulles, para indagar como melhorar as relações entre norte e sul. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O primeiro resultado concreto da OPA foi a criação do BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, constituído por 20 países americanos, com um capital inicial de um bilhão de dólares destinados ao financiamento e à assistência técnica dos países membros. Outra iniciativa foi a criação, em 1960, da Associação Latino-Americana de Livre Comércio, com a assinatura do Tratado de Montevidéu, pelo Brasil, Argentina, Chile, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Contudo, além destes primeiros resultados, a OPA não conseguiu avançar como esperado. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;As promessas norte-americanas não foram mantidas. JK, em ulterior tentativa de chamar a atenção dos Estados Unidos, buscou ampliar suas relações com a área socialista e os países emergentes do Terceiro Mundo, mas o fez de forma tímida, pois não queria confrontar-se, de fato, com os Estados Unidos. A OPA foi mais um instrumento de pressão, de barganha nacionalista à maneira de Vargas do que uma verdadeira busca de multilateralização. Ele ainda estava ideologicamente muito ligado ao bloco ocidental para querer adotar uma política de verdadeira autonomia em fato de política externa. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A tentativa, por parte dos Estados Unidos, de isolar Cuba no seu contexto regional, deixou JK em uma posição complicada. Ele não ousou contrariar explicitamente o governo norte-americano, preferindo adotar medidas ambíguas que apenas protelassem uma resolução adequada. A situação de JK ficou ainda mais complicada diante da atitude do candidato à presidência da república, Jânio Quadros, de aberta oposição à timidez política de JK. Já antes de ser eleito, Jânio mostrou-se defensor de uma maior autonomia em fato de política externa, visitando Cuba em março de 1960 e, depois, conversando longamente com Krushov em uma sua viagem internacional a Moscou.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-912187411043890456?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/912187411043890456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=912187411043890456' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/912187411043890456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/912187411043890456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/04/operacao-pan-americana-de-juscelino_15.html' title='A Operação Pan-Americana de Juscelino Kubitschek (Parte 2)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-539705314841944314</id><published>2009-04-08T08:35:00.001-03:00</published><updated>2009-04-08T08:37:25.490-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='G-20'/><title type='text'>G-20 - embrião de uma nova governança mundial</title><content type='html'>Realizou-se na quinta-feira passada, dia 2 de abril, em Londres, a tão esperada reunião do G-20. O grupo reúne os países do G-8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Canadá, Itália e Rússia), a União Europeia e mais 11 nações emergentes (África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia). Juntos, estes países representam cerca de 90% da riqueza produzida no planeta, dois terços da população mundial e, também, 80% da emissão de gases poluentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente, as previsões sobre os resultados do encontro não eram das mais róseas, considerada a existência, entre os participantes, de duas orientações opostas. De um lado, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, que defendiam intervenções imediatistas e eficazes para a repartida da economia; de outro, a França e a Alemanha, pedindo regras mais severas que permitissem redesenhar o sistema financeiro internacional. Nicolas Sarkozy, na véspera do encontro, ameaçou até deixar o vértice se não fosse reconhecida unanimemente a necessidade de definir novas regras para reformar o sistema financeiro, sobretudo, em relação aos paraísos fiscais. Apesar das primeiras desavenças, os participantes do G-20 conseguiram - como Obama desejou na véspera do encontro - concentrar-se nos pontos em comum mais do que nas divergências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as medidas mais relevantes apresentadas na declaração conclusiva do vértice do G-20, estão: o aumento de recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI); novas regras para os mercados financeiros e sanções para os paraísos fiscais. Com efeito, foi apresentado um programa de 1,1 trilhão de dólares para estimular o crédito, crescimento e emprego podendo chegar à soma de 5 trilhões de dólares até 2010. Foi previsto, também, o aumento de recursos do FMI para um total de 750 bilhões de dólares aos quais se acrescenta a injeção de 250 bilhões para financiar o comércio mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As reivindicações de Sarkozy e Merkel encontraram uma resposta na aprovação de novas regras de supervisão financeira, reforçando a coerência das regulamentações financeiras nacionais, os critérios financeiros internacionais e desencorajando a tomada de riscos excessivos. Uma outra medida significativa, que venceu a resistência de alguns dos integrantes do G-20, foi a decisão de agir contra os paraísos fiscais. A declaração final do vértice fala do “fim da era do segredo bancário”. O combate das medidas protecionistas como meio de reagir à crise econômica também foi um dos pontos altos da reunião. Os participantes concordaram em impedir o surgimento de novas barreiras protecionistas até o final de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta contra medidas protecionistas foi uma das maiores reivindicações do Brasil, país emergente que, apesar da crise, não cedeu à tentação de usar medidas protecionistas. Aliás, o Brasil desempenhou um papel significativo dentro do G-20, reconfirmando não apenas sua liderança frente ao bloco regional latino-americano, mas, também, destacando-se como “porta-voz” dos países emergentes. Segundo Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central e diretor do Centro de Economia Mundial Getúlio Vargas, “a imagem e a credibilidade do Brasil saíram muito fortalecidas do encontro de Londres. Lula mostrou ao mundo que é popular sem ser populista, o que é raro na América Latina”, concluiu Langoni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em última análise, o G-20 pode ser considerado um passo rumo a uma maior governança mundial. O tempo do G-8 acabou. O G-20, junto com a Espanha e a Comissão Europeia, formará o Conselho de Estabilidade Financeira e colaborará com o FMI na detecção de riscos no sistema financeiro. Todos os instrumentos financeiros ficarão sob a supervisão destes países. Existem, portanto, as premissas necessárias para que o planeta caminhe rumo a uma nova ordem internacional. Contudo, além de concretizar as medidas apresentadas, será necessário ampliar ainda mais o G-20, convidando também os países pobres, grandes ausentes do vértice de Londres. De fato, com exceção da África do Sul, nenhum outro país africano estava presente. O G-20, hoje, é, por enquanto, apenas uma reunião informal, mas, se o grupo for institucionalizado e receber os devidos instrumentos políticos e jurídicos, poderá tornar-se o embrião de uma nova governança mundial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-539705314841944314?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/539705314841944314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=539705314841944314' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/539705314841944314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/539705314841944314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/04/g-20-embriao-de-uma-nova-governanca.html' title='G-20 - embrião de uma nova governança mundial'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7678952052731821461</id><published>2009-04-01T08:00:00.001-03:00</published><updated>2009-06-20T20:04:50.688-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Operação Pan-Americana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Juscelino Kubitschek'/><title type='text'>A Operação Pan-Americana de Juscelino Kubitschek (parte I)</title><content type='html'>&lt;p&gt;Após o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, o vice-presidente Café Filho governou o país até o final de 1955, quando, então, foi eleito presidente Juscelino Kubitschek, mais conhecido como JK. O breve governo de Café Filho caracterizou-se por um retorno ao alinhamento automático à política dos Estados Unidos. Assim que Café Filho assumiu o poder, apressou-se em revogar a lei de remessa dos lucros que limitava a fuga de capitais estrangeiros. Os americanos retribuíram sua fidelidade com a concessão de um empréstimo de 200 milhões de dólares, empréstimo este que havia sido repetidamente negado ao presidente Vargas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outra medida que favoreceu os Estados Unidos foi a assinatura, em agosto do mesmo ano, do Programa Conjunto de Cooperação para o Reconhecimento de Recursos de Urânio, parte de um acordo mais amplo sobre usos civis da energia atômica. Os grupos nacionalistas reagiram contra tal acordo, julgando-o uma ulterior exploração dos recursos brasileiros por parte do governo norte-americano. Aliás, o sentimento antiamericano não era, na época, exclusividade dos brasileiros, mas difundido em toda a América Latina. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Durante a gestão de JK, a divisão entre nacionalistas e entreguistas continuou e aprofundou-se. Ao assumir a presidência do Brasil, ele deparou-se com um cenário nacional e internacional completamente diferente da primeira década de 1950. No âmbito internacional, emergia nos países do assim chamado terceiro mundo um forte movimento nacionalista, consequência do incipiente processo de descolonização. Na Ásia, Sukarno derrotava os holandeses, proclamando a independência da Indonésia. Pouco distante, a França também perdia a sua colônia no Vietnã. Na Índia, o líder do Partido do Congresso Nehru adotava uma diplomacia externa fundamentada na autodeterminação e não alinhamento. Em 1955, a Conferência de Bandung, na Indonésia, reunia 29 países afro-asiáticos decididos a lutar pela sua emancipação contra o colonialismo ocidental. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;No mundo socialista, o líder soviético Krushov inaugurava uma política externa sustentada nos princípios de coexistência pacífica, empenhando-se em programas de ajudas econômicas, ampliação do comércio externo, e buscando alianças com os países emergentes do terceiro mundo. Frente a essas mudanças, a política externa do presidente JK caracterizou-se pelo afastamento dos movimentos nacionalistas dos países emergentes, principalmente devido à sua estreita ligação com Portugal. Com efeito, JK prometera defender as posições colonialistas portuguesas no continente africano em troca do apoio dos grupos portugueses à sua eleição. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;No âmbito nacional, JK encontrou um povo dividido pela luta de classes, descontente pela difícil situação econômica. No seu primeiro ano de governo, o novo presidente lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento, ou Plano de Metas, objetivando alcançar 30 metas em cinco setores estratégicos: energia, transporte, indústrias de base, educação e alimentos. No seu governo, ao contrário de Vargas, privilegiou o incremento de bens de consumo mais sofisticados, dirigidos à classe média brasileira: automóveis, geladeiras, televisão, etc. Nos primeiros dois anos, ele conseguiu o sucesso esperado. O clima era de euforia e esperança. Contudo, o milagre econômico não teve longa duração. O custo de vida voltou a aumentar assim como a taxa de inflação. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O fluxo de capitais estrangeiros - elemento base do discurso nacional-desenvolvimentista de JK - começou a regredir devido ao recesso econômico americano, de 1957-58, e às consequências da mudança de política econômica da Europa Ocidental, parceira comercial do governo brasileiro. De fato, em 1957, o Tratado de Roma criava a Comunidade Econômica Europeia, que, com sua política de tarifas preferenciais, dificultou a importação dos produtos brasileiros, que ficaram em desvantagem frente aos produtos provenientes das colônias africanas ligadas à Europa. Para reverter um quadro tão grave, ocorria lançar um projeto desafiador, que pudesse atrair a atenção mundial sobre a grave situação econômica da América Latina.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7678952052731821461?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7678952052731821461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7678952052731821461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7678952052731821461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7678952052731821461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/04/operacao-pan-americana-de-juscelino.html' title='A Operação Pan-Americana de Juscelino Kubitschek (parte I)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4551863535723803478</id><published>2009-03-25T08:00:00.001-03:00</published><updated>2009-06-20T20:08:16.168-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Getúlio Vargas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>As duas faces da política externa do segundo governo Vargas</title><content type='html'>&lt;p&gt;Em outubro de 1950, Getúlio Vargas retornou ao poder “nos braços do povo”, tendo sido eleito por voto direto. Após o intervalo do governo Dutra, caracterizado por uma política externa de subordinação aos Estados Unidos, o presidente Vargas retomou o discurso nacional-desenvolvimentista ensaiado já no seu primeiro governo, como resposta às mudanças da sociedade brasileira daqueles anos. O projeto nacionalista visava a se realizar principalmente por meio do incremento da industrialização, modernização da agricultura e abertura de novos ramos de produção. Contudo, para alcançar tais objetivos, o Brasil precisaria atrair o máximo de capitais estrangeiros, quer por meio do comércio, da captação de empréstimos ou da obtenção de transferência de tecnologia. Nos primeiros anos da década de 50, apenas os Estados Unidos podiam oferecer ao Brasil o que Vargas buscava.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entretanto, ele escolheu adotar uma política externa mais autônoma em relação ao tradicional aliado, que ficou conhecida como política de barganha. Já no início do segundo mandato de Vargas, os Estados Unidos, empenhados na Guerra da Coréia para rechaçar as forças comunistas além do 38º paralelo, pediram o apoio diplomático e militar de seus aliados, principalmente na América Latina, buscando, desta forma, constituir um grupo alinhado política e economicamente contra o comunismo internacional. Vargas aproveitou tal pedido para reivindicar o incremento das ajudas americanas. Propôs, então, a criação de uma Comissão Mista Brasil - Estados Unidos para o Desenvolvimento Econômico.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os Estados Unidos concordaram com tal pedido e a comissão ganhou vida em julho de 1951, integrando técnicos dos dois países que iriam trabalhar em favor do desenvolvimento econômico do Brasil. No mesmo ano, porém, Vargas apresentou dois projetos cujo caráter nacionalista comprometeu as relações aparentemente amigáveis entre os dois países: o primeiro projeto foi a criação da Petrobras e o segundo a regulamentação da remessa de lucros pelas empresas estrangeiras estabelecidas no Brasil visando reduzir a fuga dos capitais estrangeiros.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As duas iniciativas não somente foram rotuladas pelos norte-americanos como concessões aos grupos de esquerda do país, mas agravaram a divisão interna já existente no Brasil entre os grupos nacionalistas e os grupos apelidados de “entreguistas” que defendiam o alinhamento automático do Brasil aos EUA e a abertura ao capital estrangeiro. Durante todos os anos de seu segundo governo, Vargas teve que atuar uma política externa caracterizada por um jogo duplo, ora favorável aos grupos nacionalistas ora em sintonia com os entreguistas. A razão de tais escolhas foi a necessidade de responder às necessidades nacional-desenvolvimentistas do país, mas sem chegar a uma ruptura com o único país que podia realmente ajudar o Brasil.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com as armas da barganha, Vargas tentou ensaiar aberturas diplomáticas em direção aos países da Europa Ocidental, e até às nações do leste Europeu, mas foi mais uma espécie de chantagem diplomática, instrumento de pressão sobre o governo estadunidense, do que uma verdadeira multilateralização da diplomacia brasileira. Se, de um lado, a recusa de enviar tropas brasileiras a Coréia agradou aos nacionalistas, de outro, a assinatura do acordo militar entre Brasil e Estados Unidos foi julgado como uma traição de Vargas. Além disso, Vargas aceitou fornecer aos Estados Unidos minerais atômicos brasileiros em troca da promessa de financiamento para a economia brasileira. Os grupos nacionalistas exigiam em troca, também, a transferência de tecnologia e equipamento para o desenvolvimento de uma indústria nacional de energia atômica.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando os Estados Unidos negaram tal pedido, Vargas decidiu buscar ajuda junto a empresas privadas alemãs e francesas, mas a conjuntura de então não permitiu que se chegasse a resultados concretos. A situação precipitou em 1953. Nos Estados Unidos, a eleição de Eisenhower significou o fim de um discurso mais aberto ao projeto nacionalista de Vargas. A Comissão Mista Brasil - Estados Unidos foi extinta. A criação, no mesmo ano, da Petrobras e da Eletrobrás irritou ainda mais os Estados Unidos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dentro do Brasil, a crescente crise econômica, a perda da base de sustentação do governo e a mobilização popular em torno da questão do petróleo enfraqueceram a atuação do governo de Vargas, levando a um acirramento da divisão interna no país. A sua tentativa de conciliação e de união entre os dois grupos em favor do crescimento nacional não teve o sucesso esperado. Em agosto de 1954, em meio a pressões internas e externas, Vargas suicidou-se.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4551863535723803478?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4551863535723803478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4551863535723803478' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4551863535723803478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4551863535723803478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/03/as-duas-faces-da-politica-externa-do.html' title='As duas faces da política externa do segundo governo Vargas'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7592914733993430552</id><published>2009-03-18T19:35:00.000-03:00</published><updated>2009-03-30T19:39:16.266-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>A política externa brasileira no início da Guerra Fria (1946-1951)</title><content type='html'>Em 1946, Eurico Gaspar Dutra foi empossado como novo presidente do Brasil. Dutra ocupou o cargo de ministro da guerra de 1936 a 1945. Fez-se porta-voz da redemocratização do Brasil, participando da derrubada do primeiro governo Vargas. Em 1945, candidatou-se às eleições presidenciais junto ao Partido Social Democrático, derrotando o candidato da UND (União Nacional Democrática). As orientações da política externa do governo Dutra refletiram a nova ordem internacional que estava delineando-se nos primeiros anos do pós-guerra, onde os Estados Unidos apresentaram-se como superpotência mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detentores de uma aviação estratégica capaz de alcançar rapidamente diversos pontos da terra, tendo suas bases navais e terrestres espalhadas em diversos continentes, os Estados Unidos quiseram, no fim da guerra, em uma demonstração desnecessária de força, detonar sua nova arma - a bomba atômica - contra um Japão já derrotado. Além da esfera política, os EUA impuseram as suas regras também no âmbito econômico, com a Conferência de Bretton-Woods, em 1944, e a criação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Por meio de tais medidas, os Estados Unidos convenceram os seus aliados a adotarem uma política de livre-comércio, o que permitiu o domínio da economia americana sobre boa parte do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste contexto, o novo governo brasileiro esperava manter, em relação ao país norte-americano, a posição de aliado privilegiado, esperança esta que se fundamentava no apoio dado a Washington durante a Segunda Guerra Mundial. O ministro do exterior brasileiro, Raúl Fernandes, defendeu o alinhamento automático do Brasil às atitudes políticas americanas, adotando uma política de perseguição contra as forças de esquerda que ganhavam espaço no país, assim como os Estados Unidos estavam fazendo em nível mundial. De fato, logo após ter saído de um trágico conflito mundial, o governo americano liderou a criação de um novo conflito que, mesmo sem detonação de bombas, dividiu o mundo por várias décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Guerra Fria foi desencadeada por uma série de manobras americanas, entre as quais destacam-se o lançamento da Doutrina Truman e o Plano Marshall. A Doutrina Truman concretizou a divisão do mundo preconizada, em 1946, pelo estadista inglês Winston Churchill, que, no seu célebre discurso, anunciava a descida de uma Cortina de Ferro sobre o leste europeu dominado pela política expansionista do líder soviético, Joseph Stalin. O Plano Marshall visava à reconstrução econômica da Europa Ocidental, prometendo ajuda a todos os estados livres que fossem ameaçados por governos totalitários. A ameaça soviética e a defesa do mundo livre foram os ideais propulsores da Guerra Fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, o governo Dutra, querendo demonstrar-se fiel aos Estados Unidos, lançou - nos moldes americanos - ataques às forças de esquerda do país, caçando os grupos socialistas e comunistas ou quantos demonstrassem empatia com os ideais revolucionários soviéticos, e ilegalizando o Partido Comunista Brasileiro que teve os seus deputados cassados. Por fim, em 1947, rompeu relações diplomáticas com a União Soviética. Tal decisão fazia parte de seu alinhamento com a política anticomunista dos Estados Unidos, estratégia brasileira adotada na esperança de receber ajuda econômica, mas que, de fato, não obteve os resultados esperados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osvaldo Aranha, que, naqueles anos, ocupava o cargo de presidente da assembleia geral e chefe da delegação brasileira na ONU, trabalhando em contato direto com os centros de poder estadunidense, compreendeu os verdadeiros mecanismos do jogo político americano. Alertou então, o ministro do exterior, Raúl Fernandes, avisando-o que a política brasileira de considerar o país como um aliado preferencial dos Estados Unidos, não tinha fundamento, pois as prioridades dos Estados Unidos estavam dirigidas à Europa e não à América Latina. Raúl Fernandes não quis dar ouvido a Osvaldo Aranha e chegou a boicotar a sua reeleição à presidência da assembleia geral da ONU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, Aranha tinha razão, a linha política adotada pelo presidente Dutra levou o Brasil apenas a entregar a indústria e a economia nacional para o capitalismo estrangeiro sem receber nada significativo em troca. Em Washington, a convicção de que o apoio brasileiro era algo já automático, justificava a ausência de tratamento privilegiado em relação ao Brasil. Somente no segundo governo Vargas, o Brasil retornará a uma política externa mais autônoma e de caráter nacionalista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7592914733993430552?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7592914733993430552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7592914733993430552' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7592914733993430552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7592914733993430552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/03/politica-externa-brasileira-no-inicio.html' title='A política externa brasileira no início da Guerra Fria (1946-1951)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-2327369118940523293</id><published>2009-03-11T19:40:00.000-03:00</published><updated>2009-03-30T19:41:55.239-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><title type='text'>O internacionalismo de Chiara Lubich (1920-2008)</title><content type='html'>&lt;p&gt;Neste sábado, dia 14 de março, recorre o 1º aniversário da morte da italiana Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, cujo nome oficial é Obra de Maria. Percorrendo as principais etapas da vida de Chiara, é difícil não se surpreender com a extraordinariedade de sua ação e de sua influência no âmbito internacional, não apenas em nível religioso, mas também político e econômico. Quando, em dezembro de 1943, Chiara consagrou-se a Deus em uma pequena igreja de Trento, sua cidade natal, não imaginava que esta decisão, tomada secretamente, teria gerado um movimento de dimensões mundiais. No seu coração, existia uma única paixão: Deus.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ela queria desposá-lo e entregar-se a Ele. Não sabia de mais nada. No eclodir da Segunda Guerra Mundial, em um cenário de destruição e de morte, esta paixão por Deus contagiou um pequeno grupo de moças que, seguindo o exemplo de Chiara, também consagraram-se a Deus, dando vida ao primeiro “focolare”. Este nome, dado por quem observava de fora o desenvolvimento do movimento, indica o fogo “espiritual” que existia entre elas, fruto da vivência do Evangelho. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” era o lema de suas vidas. As palavras do Evangelho que elas liam, à luz de vela nos refúgios antiaéreos, orientavam suas vidas. A página do Testamento de Jesus - “Que todos sejam um” - tocou particularmente o coração de Chiara. Ela compreendeu que a unidade seria o objetivo de sua vida e do Movimento que começava a delinear-se.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em poucos meses, ao redor de Chiara, formou-se uma comunidade de 500 pessoas empenhadas em transformar em vida as palavras do Evangelho. De Trento, o Movimento começou a espalhar-se por toda a Itália, pela Europa e, em seguida, na América Latina e do Norte, na Ásia e na África. Em um dos primeiros encontros internacionais, nas montanhas de Trento (Dolomitas), em 1959, estavam presentes já dez mil pessoas, com representantes de 27 países, não somente da Europa, mas também de outros continentes. Chiara começou, naquela ocasião, a falar de unidade entre os povos e lançou a proposta de “amar a pátria alheia como a própria”. A partir daí, ela tornou-se uma embaixadora da fraternidade universal, justamente nos anos em que o mundo estava dividido pela Guerra Fria. Os seus primeiros companheiros conseguiram superar a cortina de ferro que dividia a Europa Ocidental e a Europa Oriental, e inserir-se nos diversos âmbitos de trabalho no Leste Europeu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O agir evangélico dessas pessoas suscitou surpresa e admiração nas autoridades comunistas da época, como se viu nos relatos das autoridades comunistas, publicados após a queda do Muro de Berlim. Em 1961, Chiara encontrou na Alemanha um grupo de pastores luteranos que ficou surpreendido e, ao mesmo tempo, feliz de descobrir que um grupo de católicos fundava a sua vida no Evangelho. Começava assim a atividade ecumênica do Movimento dos Focolares. Logo depois, encontrou em Istambul o Patriarca Ecumênico ortodoxo Atenágoras I. Instaurou-se um relacionamento filial entre os dois que levou Chiara a realizar oito viagens, de 1967 a 1972, como intermediária entre o papa Paulo VI e o Patriarca Ecumênico.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em 1977, em ocasião do recebimento do Premio Templeton para o progresso da religião, Chiara foi procurada por personalidades do mundo judeu, muçulmano, budista, hindu e sikh e com todas elas iniciou um diálogo profundo. Respondendo a convites dos quatro cantos da terra, Chiara começou então a viajar e difundir o ideal de sua vida: a unidade. Dos templos budistas do Japão e da Tailândia, aos centros hinduístas da cidade de Bombaim, Chiara chegou em 1997 à histórica mesquita muçulmana Malcom X, na cidade de Nova Iorque, onde pela primeira vez uma mulher católica e branca era convidada a falar a muçulmanos afro-americanos. As suas palavras ressoaram até na ONU, onde ela dirigiu-se aos representantes de todas as nações.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Recebeu inúmeros reconhecimentos, da Unesco, do Conselho da Europa e de outras organizações internacionais, além de Doutorados Honoris Causa e Cidadanias Honorárias em diversas partes do mundo. Criou projetos inovadores no âmbito político e econômico de alcance internacional (o Movimento Político pela Unidade e a Economia de Comunhão, surgida no Brasil em 1991). Uma vez, o rei de uma tribo africana que recebeu ajuda de médicos do movimento, perguntou a Chiara: “Como você, que é uma mulher e, portanto, não vale nada, conseguiu fazer tudo isso?”. Ela não se deixou abalar e respondeu: “Não fui eu que fiz essa obra. Deus me fez encontrar uma pessoa, depois outra e guiou minha vida”.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-2327369118940523293?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/2327369118940523293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=2327369118940523293' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2327369118940523293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2327369118940523293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/03/o-internacionalismo-de-chiara-lubich.html' title='O internacionalismo de Chiara Lubich (1920-2008)'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7979135922236070486</id><published>2009-03-04T19:43:00.001-03:00</published><updated>2009-06-20T20:09:07.254-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Getúlio Vargas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>A política externa brasileira do primeiro governo Vargas</title><content type='html'>&lt;p&gt;Refletir sobre a dimensão internacional da política brasileira pode parecer algo distante da nossa realidade cotidiana. Existe, porém, uma profunda ligação entre a política externa do nosso país e o andamento da economia e da política interna, pois as mudanças no cenário internacional influenciam a vida de todos nós. Basta pensar nas consequências da crise econômica que dos Estados Unidos espalhou-se ao resto do mundo e provocou uma profunda recessão econômica mundial.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por quase quatro séculos, a partir de sua “descoberta”, a inserção internacional do Brasil aconteceu apenas por meio de potências europeias, antes Portugal e depois a Inglaterra. Com o declínio da Inglaterra como potência hegemônica na Europa, o Brasil voltou-se para os Estados Unidos que, após da vitória na Primeira Guerra Mundial, conseguiram impor sua liderança no cenário internacional. A “aliança não escrita” com os Estados Unidos caracterizou a política externa brasileira até 1930. Naqueles anos, a política externa brasileira pautava-se apenas na busca de mercados novos para escoar a produção cafeeira sobre a qual se baseava grande parte da economia brasileira. O sociólogo e cientista político brasileiro, Helio Jaguaribe, definiu a política externa brasileira da primeira metade do séc. XX como uma “diplomacia aristocrática e ornamental”. Única exceção foi a modesta participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial, já no fim do conflito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No seu primeiro governo, de 1930 a 1945, Getúlio Vargas procurou transformar a política externa brasileira num instrumento de pressão em favor do desenvolvimento político e econômico do país. Vargas soube aproveitar da favorável conjuntura internacional para barganhar ajudas econômicas importantes e colocar sólidas bases para a incipiente industrialização do país.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo sob uma tácita, mas ainda não bem definida influência americana, o Brasil incrementou suas relações comerciais com a Alemanha, sobretudo nos anos de 1934 a 1938. Quanto às relações políticas entre os dois países, em 1938, houve uma crise diplomática causada pela proibição, em favor da política nacionalista lançada por Vargas, da atuação do partido nazista e de sua propaganda junto às colônias alemãs presentes no sul do Brasil. Tal crise foi um dos fatores que marcaram a aproximação do Brasil ao governo dos Estados Unidos, estimulada também pela ascensão ao Ministério das Relações Exteriores de Osvaldo Aranha, que era um simpatizante do país norte-americano. A aproximação, porém, não foi automática. Em 11 de junho de 1940, Getúlio Vargas pronunciou um discurso no qual elogiou os sistemas totalitários e previa o fim das democracias. Tais palavras naturalmente alarmaram o governo norte-americano enquanto pareciam evidenciar um alinhamento político com as potências do Eixo, Alemanha e Itália, ambas governadas por regimes totalitários. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todavia, o governo Vargas apressou-se em tranquilizar os Estados Unidos esclarecendo que o discurso era dirigido apenas ao público interno com a intenção de fortalecer o Estado Novo proclamado por Vargas três anos antes. Na realidade, o discurso de Vargas, além de se dirigir ao público interno, foi estrategicamente pronunciado logo após a vitória da Alemanha sobre a França democrática. Vargas continuava seu jogo político que o levava ora em direção à Alemanha ora em direção aos Estados Unidos avaliando de quem poderia tirar as melhores vantagens para realizar seu projeto nacional-desenvolvimentista. O jogo funcionou. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Alemanha fez pressões para que o Brasil mantivesse sua neutralidade, mas quanto às ajudas econômicas, o Brasil deveria esperar até o fim da guerra. Os Estados Unidos que, no momento não estavam ainda empenhados num conflito mundial, conseguiram convencer o Brasil a mudar de lado concedendo ajuda financeira para a construção de uma usina siderúrgica no Brasil e fornecendo armamentos para modernizar as Forças Armadas brasileiras. A cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos iniciou de fato somente após o ataque japonês de Pearl Harbour, em 1941. No ano seguinte, o Brasil, convencido da vitória do aliado americano, rompeu as relações diplomáticas com as potências do Eixo e aceitou participar ao lado dos aliados americanos do Segundo Conflito Mundial.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7979135922236070486?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7979135922236070486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7979135922236070486' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7979135922236070486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7979135922236070486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2009/03/politica-externa-brasileira-do-primeiro.html' title='A política externa brasileira do primeiro governo Vargas'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-3436187985162463898</id><published>2008-12-10T22:47:00.002-02:00</published><updated>2008-12-10T22:50:11.852-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><title type='text'>Instituto Universitário Sophia - Projeto-piloto de uma nova universidade</title><content type='html'>&lt;p&gt;Nas últimas linhas da minha coluna da quarta-feira passada, citei uma experiência inovadora: a inauguração, na Itália, no dia 1º de dezembro, do Instituto Universitário Sophia. Qualifiquei tal evento como motivo de esperança no âmbito internacional. Vamos descobrir o porquê. No seu primeiro ano de atividade, o Instituto Sophia oferecerá um mestrado em “fundamentos e perspectivas de uma cultura da unidade”, com duração de dois anos e, posteriormente, será oferecido um doutorado. A primeira turma é formada por 40 estudantes, provenientes de 16 países de cinco continentes. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;No primeiro ano, os cursos serão organizados em quatro áreas fundamentais: teologia, filosofia, ciências do viver social e racionalidade lógico-científica. No segundo ano, será possível escolher entre o campo teológico-filosófico e político-econômico. A internacionalidade dos alunos estende-se também ao corpo docente, altamente qualificado. O reitor do instituto, Piero Coda, é professor de Teologia na Pontifícia Universidade Lateranense de Roma e presidente da Associação Teológica Italiana. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entre os professores, Antonio Maria Baggio, de ética social na Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma; Luigino Bruni, professor de economia política na Universidade de Milão; Judith Povilus, ex-professora de matemática na De Paul University de Chicago (Ilinois - USA); Sérgio Rondinara, professor de filosofia da ciência na Faculdade de Filosofia da Universidade Pontifícia Salesiana de Roma; e Gerard Rossé, professor de exegese do Novo Testamento na Escola de La Foi, de Friburgo, Suíça. O novo instituto foi criado na pequena cidade de Loppiano, nos arredores da belíssima Florença, e foi instituído pela Congregação da Educação Católica da Cidade do Vaticano, por decreto do dia 7 de dezembro de 2007. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A nova instituição nasceu no contexto do Movimento dos Focolares, movimento católico espalhado no mundo inteiro, fundado por Chiara Lubich, falecida no dia 14 de março passado. A fundação de uma universidade fazia parte de um sonho que Chiara Lubich alimentava desde os anos 60: o de ver nascer uma realidade acadêmica para ensinar a doutrina da unidade. Ela estava convicta de que o carisma da unidade - carisma do Movimento dos Focolares - possuía em si a possibilidade de gerar uma doutrina capaz de iluminar os diversos âmbitos do saber. O Instituto Sophia (do grego, sabedoria) nasceu com o objetivo de ser um laboratório de diálogo entre povos e culturas diversos: um centro de formação, mas, também, uma escola de vida. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Piero Coda, reitor do instituto, explicou: “É uma odisséia comprometedora, mas fascinante da qual sentíamos necessidade, ao perceber a crise da instituição universitária. Hoje, não são necessárias faculdades especializadas, mas locais onde se recompõe o saber no respeito da autonomia de cada disciplina. O corpo docente é composto por um grupo de professores estáveis assessorados por professores visitantes e assistentes. A novidade está no método formativo aplicado: o encontro e a unificação entre estudo e vida. No futuro, prevemos a abertura de sedes da Sophia em diversas partes do mundo. A nossa universidade é aberta a qualquer pessoa, de qualquer convicção religiosa. Os futuros diplomados serão homens-mundo, com coração e mente abertos, que trabalham para construir uma nova cultura e uma nova sociedade e sabem orientar-se e governar a complexidade do mundo”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;As palavras do reitor parecem ecoar uma definição de universidade proferida em 2007 pelo papa Bento 16, em ocasião do encontro com representantes de universidades européias: “As universidades não devem nunca perder de vista seu chamado particular a ser universitas nas quais as várias disciplinas, cada uma de sua maneira, sejam consideradas parte de um unum maior. Quanto é urgente a necessidade de redescobrir a unidade do saber e de contrastar a tendência à fragmentação e ausência de comunicabilidade!”. Mais informações sobre o Instituto Universitário Sophia em: &lt;a href="http://iu-sophia.org/"&gt;http://iu-sophia.org&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-3436187985162463898?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/3436187985162463898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=3436187985162463898' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3436187985162463898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/3436187985162463898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/12/instituto-universitrio-sophia-projeto.html' title='Instituto Universitário Sophia - Projeto-piloto de uma nova universidade'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-4978403422155642496</id><published>2008-12-03T18:52:00.004-02:00</published><updated>2009-09-24T14:45:45.178-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nigéria'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Catarina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='India'/><title type='text'>Luto nacional e internacional</title><content type='html'>&lt;p&gt;A última semana foi marcada pela morte de tantas pessoas, aqui em Santa Catarina, bem perto de nós, e de tantas outras um pouco mais longe, na Índia e na Nigéria. Assim como tentamos entender o porquê das calamidades naturais que atingiram os nossos irmãos catarinenses, queremos entender, na medida do possível, quais as causas que provocaram a morte de tantos irmãos indianos, americanos, britânicos, israelenses, africanos, também nos últimos dias. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na Índia, a capital financeira do país, Mumbai, foi atingida por sete ataques simultâneos que provocaram a morte de 195 pessoas, muitas das quais eram estrangeiras. Os alvos dos ataques terroristas foram os famosos hotéis Taj Mahal e Oberoi-Trident, a estação ferroviária principal, o centro judaico, um restaurante, um hospital e um condomínio, todos locais frequentados prevalentemente por estrangeiros, principalmente americanos, britânicos e israelenses. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em um primeiro momento, os ataques foram reivindicados por um grupo desconhecido, chamado Mujahidem do Deccan, mas a confissão do único terrorista sobrevivente revelou que quem organizou os atentados terroristas foi um grupo chamado Lashkar-e-Taiba, o mesmo que, em 2001, foi responsável pelo atentado ao Parlamento Indiano. Tal grupo teria sua base em território paquistanês e seria formado por extremistas islâmicos que lutam pela região da Caxemira. Em 1947, a região foi doada à Índia pelo marajá de Caxemira em agradecimento pela ajuda recebida pelo exército indiano. Desde então, o Paquistão reclama este território habitado em prevalência por muçulmanos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A rivalidade entre indianos e paquistaneses já provocou três guerras e fomentou a corrida dos dois países para obter armas nucleares. Numerosas são as hipóteses formuladas para explicar este novo atentado que chocou a cidade mais conhecida e próspera da Índia. As mais convincentes parecem ser a de expulsar investidores estrangeiros, minando a confiança dos investidores ou a de interromper as recentes tentativas de cooperação contra o terrorismo iniciadas pelo governo indiano e pelo novo presidente paquistanês, Asif Ali Zardari. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;De fato, diante da descoberta da responsabilidade do grupo terrorista paquistanês, o governo indiano acusou imediatamente as autoridades de Islamabad de serem indiretamente responsáveis pelos atentados. O governo indiano acusou Zardari de não ser capaz de controlar os próprios serviços segredos paquistaneses, aos quais os terroristas parecem estar ligados. Tal acusação não é infundada, visto que o país está há décadas imerso numa infinda guerra civil, que não permite aos governantes o controle pleno do país. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Índia é um país complexo. A unidade na diversidade que Gandhi sonhava construir não se realizou plenamente. Ao lado da modernização tecnológica, existem cerca de 150 milhões de muçulmanos que representam a parte mais pobre e menos instruída da população indiana. Onde existe desigualdade econômica e discriminação social, a rivalidade é inevitável. Frequentemente, as religiões são acusadas de serem as principais responsáveis pelos conflitos, mas elas servem também para encobrir outras causas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;No caso da Nigéria, uma das regiões mais pacíficas do país foi palco de conflitos violentos que provocaram a morte de quase 400 pessoas e deixaram dez mil desalojadas. Os meios de comunicação internacionais logo apontaram como causa da violência a rivalidade entre muçulmanos e cristãos. Mas o Arcebispo de Ajuba, capital da Nigéria, Mons. John Onayekan, afirmou que os motivos dos conflitos são políticos e não religiosos. A causa dos conflitos, apontada pelo Arcebispo, é a disputa pelo controle do poder, resultado de contrastes políticos por ocasião das eleições regionais. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O âmbito religioso é território fértil para o surgimento de radicalismos, mas é também espaço privilegiado para iniciativas de conciliação. Nesta semana de luto internacional, é motivo de esperança a inauguração, na Itália, no dia 1º de dezembro, do Instituto Universitário Sophia: universidade que tem como objetivo maior a construção da cultura da unidade. Mas sobre isso trataremos na próxima semana.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-4978403422155642496?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/4978403422155642496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=4978403422155642496' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4978403422155642496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/4978403422155642496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/12/luto-nacional-e-internacional.html' title='Luto nacional e internacional'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-2170172492381934836</id><published>2008-11-26T18:47:00.001-02:00</published><updated>2009-06-20T20:10:01.183-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='América Latina'/><title type='text'>A democracia chinesa do dólar conquista a América Latina</title><content type='html'>Concluiu-se neste domingo, dia 23, a viagem do presidente chinês, Hu Jintao, na América Latina. A visita teve início no dia 17 de novembro na Costa Rica, onde Hu Jintao encontrou-se com o presidente Oscar Arias. Após a Costa Rica, o presidente chinês visitou Cuba e o Peru. Em Lima, capital do Peru, Hu Jintao participou da cúpula anual da APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico). É a segunda vez que Hu Jintao visita a América Latina. A primeira foi em 2004. Desde então, a América Latina passou a ser uma região de interesse estratégico para o gigante asiático que, nos últimos anos, busca diversificar os países de suas importações. Do lado americano, as relações com a República Popular da China também são recentes. Com exceção de Cuba, que já em 1960 reconheceu a legitimidade do governo de Pequim, a maioria dos países da América latina esperou que os Estados Unidos reconhecessem oficialmente o governo de Pequim, em 1972, para estreitar relações diplomáticas com a China. A Argentina e o México reconheceram o governo de Pequim já em 1972; o Brasil em 1974 e a Bolívia somente em 1985. Na América Latina existem ainda 12 países que não possuem relações diplomáticas com Pequim, e que, portanto, apóiam o governo da ilha de Taiwan. Entre eles estão Panamá, Paraguai, Guatemala, El Salvador, Honduras e República Dominicana. A tentativa de reverter este quadro, ganhando novos interlocutores diplomáticos e enfraquecendo a posição diplomática de Taiwan, foi apontada como um dos motivos da visita de Hu Jintao. Até o ano passado, por exemplo, a Costa Rica estava entre os países que apoiavam Taiwan. Contudo, o investimento chinês de 300 milhões de dólares em títulos na Costa Rica e a doação de 73 milhões de dólares para a construção do novo estádio nacional, fez o país mudar de lado. Em junho de 2007, celebrou-se, de fato, o início das relações diplomáticas com o país. É a eficácia da diplomacia do dólar, que neste momento de dificuldade econômica poucos países parecem querer recusar. Há menos de 1 mês a China tornou-se integrante do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e desde 2004 é observadora na OEA (Organização dos Estados Americanos). O foco do interesse da China pelos mercados latino-americanos reside principalmente nos setores de recursos energéticos, de minérios e no setor agrícola. Pequim compra soja da Argentina e do Brasil. Do Chile e Peru a China importa cobre; da Bolívia, gás; da Venezuela e do Equador, petróleo; de Cuba, níquel e açúcar. Nesta nova visita o presidente chinês assinou acordos de Livre Comércio com os governos dos países visitados. Cuba se reafirmou como seu parceiro estratégico. Desde 2006, chegaram à ilha 2544 estudantes chineses para cursar espanhol e outros cursos universitários. O presidente chinês trouxe, nesta visita, 4,5 toneladas de ajuda humanitária para os desabrigados, vítimas dos três furacões que atingiram recentemente a ilha cubana. Com tal ajuda, o governo chinês quer demonstrar que sua reputação de “nação predatória”  - imagem difundida, sobretudo, pelos Estados Unidos – não corresponde à realidade. É evidente que a expansão chinesa na América Latina coloca em questão a tradicional hegemonia americana no continente. Para os Estados Unidos, a tentativa chinesa de ampliar sua influência econômica na região é uma ameaça à sua já enfraquecida hegemonia. Contudo, o governo chinês faz questão de sublinhar seus objetivos pacíficos. Jiang Shixue, subdiretor da Academia de Ciências Sociais da China, em Pequim, esclareceu que o objetivo da visita é pragmático: “A China entende bem que a América Latina é o quintal dos Estados Unidos, então não há razão para desafiar a influência americana”. Durante sua visita, Hu Jintao sublinhou que a China segue o caminho do desenvolvimento pacífico e manterá a política de abertura de benefício mútuo e progresso econômico. Ele reforçou que a China acredita que todos os países, grandes e pequenos, ricos ou pobres, fortes ou fracos, devem ser iguais e que o desenvolvimento dos interesses comuns é o propósito da cooperação bilateral China-América Latina. Se for mesmo assim, a China terá boas chances de se tornar um dos parceiros mais importantes do continente latino-americano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-2170172492381934836?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/2170172492381934836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=2170172492381934836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2170172492381934836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/2170172492381934836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/11/democracia-chinesa-do-dlar-conquista.html' title='A democracia chinesa do dólar conquista a América Latina'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7704535539206980792</id><published>2008-11-19T18:46:00.000-02:00</published><updated>2008-12-07T18:47:06.518-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='G-20'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='G-8'/><title type='text'>Do G-8 ao G-20 - mudanças na geopolítica internacional</title><content type='html'>Realizou-se em Washington, no domingo passado, 15 de novembro, a reunião do G-20, grupo que reúne os países ricos (G-8) mais os principais países emergentes, dentre os quais Brasil, Índia e China. Foi um encontro histórico, pois, pela primeira vez, a discussão acerca do futuro econômico do nosso planeta não foi somente monopólio dos países ricos. Os principais países emergentes puderam apresentar suas propostas e trabalhar lado a lado com os “grandes” da terra. O presidente Lula, que durante o summit sentou ao lado da China e dos Estados Unidos, comentou brincando a este propósito: “A impressão era que eles tomaram chá de humildade”. O desejo de reunir não só o clássico G-8, mas, também, o G-20 significou, de fato, tomar consciência de que, para superar uma crise cujos efeitos devastadores atingiram a todos os países, será preciso pensar juntos medidas eficazes de prevenção contra possíveis novas crises no futuro. O summit de Washington foi comparado a uma nova Bretton Woods onde, em 1944, foram colocadas as bases para a criação da atual ordem econômica internacional, com a implantação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Todavia, tal comparação foi desmentida pelos resultados do summit recém concluído. Nenhuma nova ordem econômica internacional foi criada neste domingo, nenhuma decisão efetiva foi tomada, mas não por isso podemos considerar inúteis os esforços demonstrados, neste encontro, pelos Chefes de governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documento final do G-20 contém propostas de medidas importantes que, se concretizadas, poderão constituir base sólida para um novo sistema econômico. Uma das propostas  mais esperadas, por exemplo, foi a da criação de um colégio de supervisores que deverá monitorar 30 entre as maiores instituições financeiras internacionais. O documento de Washington definiu cinco princípios básicos de reforma da ordem financeira internacional: aumentar a transparência das aplicações financeiras de alto risco; melhorar a regulamentação, incluindo forte vigilância sobre as agências de avaliação de crédito; promover a integridade dos mercados; reforçar a cooperação internacional entre as entidades de vigilância e os responsáveis da supervisão sobre os vários segmentos do mercado; reformar as instituições financeiras internacionais criadas por Bretton Woods (FMI e Banco Mundial), ampliando o acesso das economias emergentes a estas instituições. A resolução de Washington prevê também a ampliação, em favor dos países emergentes, do Fórum de Estabilidade Financeiro (FSF), criado em 1999 após a crise econômica dos países asiáticos. Tal organismo internacional possui o papel central de regulamentação dos mercados e reúne as autoridades de vigilância bancária e dos mercados dos maiores países. Outras medidas relevantes foram a decisão de superar o impasse da Rodada de Doha deste ano, e a rejeição do protecionismo, evitando, ao menos nos próximos 12 meses, de erguer barreiras comerciais. Tais medidas deverão ser implantadas até dia 31 de março de 2009, por meio de grupos de trabalho coordenados pelo Brasil, Coréia do Sul e Grã-Bretanha. A esses grupos de trabalho caberá também a tarefa de definir o critério de escolha dos 30 maiores bancos e instituições financeiras internacionais que deverão ser colocados sob vigilância do colégio de supervisores acima mencionado. O próximo summit mundial está previsto para o dia 30 de abril de 2009, e será realizado em Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contribuição mais significativa do summit certamente foi o reconhecimento da necessidade de substituição do velho G-8, reduto dos países ricos, pelo G-20, aliás, provável G-22, com a presença da Espanha e Holanda, convidadas a participar do summit. Até a Suíça quer ingressar no G-20. A crise econômica internacional provocou efeitos devastadores, mas, de outro lado, serviu para redesenhar a geopolítica internacional: não mais fundada na concentração-exclusão, mas em valores mais abertos, solidários, internacionalistas de desconcentração-inclusão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7704535539206980792?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7704535539206980792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7704535539206980792' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7704535539206980792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7704535539206980792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/11/do-g-8-ao-g-20-mudanas-na-geopoltica.html' title='Do G-8 ao G-20 - mudanças na geopolítica internacional'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-9166147827910587739</id><published>2008-11-12T18:44:00.000-02:00</published><updated>2008-12-07T18:45:42.720-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='EUA'/><title type='text'>Barack Obama: o "presidente Google"</title><content type='html'>O “Presidente Google”, ou o “Google da política”: assim é chamado Barack Obama no ambiente da Internet, onde tantas pessoas trabalharam apaixonadamente para que ele se tornasse o primeiro presidente afro-americano da história dos Estados Unidos da América. Este apelido bizarro foi-lhe dado por causa da extraordinária rapidez com a qual Obama subiu a escada da carreira política, mas, também, pela sua capacidade de usar os conhecimentos tecnológicos como nenhum outro candidato à presidência americana demonstrou possuir. Barack Obama é um presidente americano sui generis, pois não se encaixa nos moldes pré-fixados pela tradicional ortodoxia americana. Contudo, é justamente esta sua peculiaridade que fez despertar em milhões de americanos (e não só) a esperança de que algo novo estava surgindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barack Obama é o presidente das misturas que correm em seu sangue. Conscientemente ou não, isso o tornou mais compreensivo e conciliador. A vida de Obama começou no dia 4 de agosto de 1961, na cidade de Honolulu, no Havaí. Filho de Barack Obama Senior, natural de uma pequena aldeia do Quênia, na África, e de Ann Dunham, americana, branca, nascida em Wichita, no estado do Kansas. Seus pais encontraram-se na Universidade do Havaí. A mãe de Obama estudava antropologia, e o pai - que vencera uma bolsa de estudos que lhe permitiu deixar a África - estudava economia. Mas o casamento durou poucos anos. Eles se separaram quando Barack tinha dois anos. Em 1967, a mãe de Obama casou-se com o estudante indonésio Lolo Soetero. O casal decidiu se mudar para a Indonésia. Barack tinha seis anos. A Indonésia que ele conheceu era a de Suharto, que naquele ano, com um golpe de estado, deu início a uma ditadura que duraria mais de trinta anos. Em Jacarta, capital da Indonésia, Barack Obama freqüentou escolas muçulmanas e cristãs. Obama era filho de muçulmano e, consequentemente, segundo a lei do Islã, era muçulmano. Ele, porém, afirmou em várias entrevistas nunca ter praticado o islamismo. De fato, aos 27 anos converteu-se ao cristianismo. Aos 10 anos, Barack Obama voltou para o Havaí, sob os cuidados dos avós maternos. Aos 18, terminou o ensino secundário e mudou-se para Nova Iorque, onde se formou em Ciência Política na Universidade de Columbia. Após ter trabalhado alguns anos em empresas de Nova Iorque, decidiu mudar-se para Chicago, no estado de Illinois. Ali, de 1985 a 1988, trabalhou como diretor do Projeto Comunidade em Desenvolvimento (DCP), uma associação comunitária religiosa por meio da qual Obama mobilizava grupos negros do bairro industrial de South Side, uma área pobre da cidade de Chicago em busca de melhorias sociais e econômicas. Em 1988, Obama ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Harvard. A sua figura brilhante não passou despercebida. Um dos seus professores de direito, Charles Oglotree, dizia de Obama que “ele não era um daqueles estudantes dos quais só queria-se ler as anotações ou ouvir sua voz. Você queria ouvi-lo pensando. Havia algo de especial nele”. No primeiro ano de Harvard, Obama foi escolhido como editor da revista Harvard Law Review e, no ano seguinte, eleito como presidente da revista, formada por uma equipe de 80 editores. Foi uma conquista importante porque Obama foi o primeiro afro-americano a ser presidente da revista. Em 1991, obteve o título de Doutor em Direito, graduando-se com louvor.  Retornou, então, para Chicago onde, em 1992, casou-se com Michelle Robinson, também advogada e formada em Harvard. Até 1996, Obama trabalhou como advogado em defesa dos direitos civis, colaborando com diversas organizações filantrópicas e atuando como docente universitário de direito constitucional na Universidade de Chicago. Durante todos esses anos, ele foi construindo de forma capilar sua base de apoio, o que lhe permitiu, em 1996, ser eleito Senador pelo Estado de Illinois. De lá para cá foi uma corrida só. Ele associou ao tradicional, mas eficaz método do “porta a porta”, o novo instrumento de agregação por excelência da Internet. Mais do que ao seu Partido, ele deve sua vitória ao povo: “Somos os Estados Unidos da América”, exclamou no dia de sua eleição. Tomara que o cosmopolita Obama, representativo da hodierna mistura cultural, consiga reconciliar de fato os EUA com o resto do mundo. Sua vitória já foi um primeiro passo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-9166147827910587739?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/9166147827910587739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=9166147827910587739' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/9166147827910587739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/9166147827910587739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/11/barack-obama-o-presidente-google.html' title='Barack Obama: o &quot;presidente Google&quot;'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-1911175922011845418</id><published>2008-11-05T18:43:00.000-02:00</published><updated>2008-12-07T18:44:07.575-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Congo'/><title type='text'>A República Democrática do Congo lança um SOS ao mundo</title><content type='html'>Nas últimas semanas, enquanto a atenção da opinião pública internacional estava absorvida pelos desenvolvimentos da crise financeira internacional e pelo resultado das eleições presidenciais americanas, no coração da África uma nova guerra civil marcava o início de uma crise humanitária de dimensões catastróficas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A República Democrática do Congo (RDC) - país localizado na região central do continente africano - é o palco deste novo e triste capítulo da história africana. Desde agosto passado, na província de Kivu - região oriental do país -, combates intensos entre as tropas governistas e as milícias do CNPD (Conselho Nacional para a Defesa da Paz), lideradas por Laurent Nkunda, obrigaram milhares de pessoas a deixar suas casas. Nestas últimas semanas a situação piorou. Segundo dados da ONU, seriam até agora 250 mil as pessoas que foram obrigadas a abandonar as próprias casas. São milhares de seres humanos caminhando sem rumo pelo país em busca de um refúgio seguro que, num país devastado há anos pelas contínuas guerras civis, praticamente não existe. Por semanas, as ajudas humanitárias não conseguiram chegar até a região dos conflitos. Na quarta-feira passada, o cessar-fogo permitiu às agências humanitárias, lideradas pela ONU, organizar comboios de ajuda. Ontem, o primeiro comboio da ONU conseguiu chegar à aldeia de Rutshuru, onde havia um dos maiores campos de refugiados, mas nos últimos meses foi transformado em base militar dos rebeldes do CNPD. Por isso, quando o comboio chegou, não encontrou mais ninguém. Os refugiados, que conseguiram escapar do massacre de 1994, deixaram a relativa segurança do campo por medo de não conseguirem escapar novamente da violência. O ministro do exterior britânico, David Miliband, em missão na África junto ao ministro francês Bernand Kouchner, alertou que seriam cerca de 1 milhão e 600 mil desalojados. O risco de epidemias e morte por desnutrição é altíssimo. A coordenadora da organização humanitária Médicos sem Fronteiras, descreveu assim as condições do povo congolês: “As pessoas não sabem para onde ir, caminham por quilômetros procurando refúgio por alguns dias, mas sabem que devem continuar andando, sem rumo. Muitas vezes, caminham sem sapatos e protegendo-se da chuva com capas improvisadas. Muitos têm o estômago inchado pelas raízes e ervas que comeram ao longo do caminho. Outros não comem nem isso há dias. Param quando o cansaço ou a dor lhes impede de caminhar. Então caem e dormem na estrada”. Os refugiados tiveram suas casas queimadas durante os conflitos, não possuem mais nada e continuam sendo alvo da violência feroz dos rebeldes e das tropas governistas. O líder das milícias do CNPD, Laurent Nkunda, afirmou estar lutando para proteger a população de etnia tutsi que, segundo ele, estaria sendo ameaçada pelas tropas governistas da etnia hutu. Ele reivindica negociações diretas com o governo congolês. O presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kigali, recusou-se a negociações diretas, mas se declarou disposto a participar de uma reunião sob a égide da ONU e das organizações regionais africanas. Tal reunião deverá se realizar na próxima semana, na capital do Quênia (Nairobi). Entretanto, a missão permanente de paz da ONU, presente no território congolês desde o ano de 2000, tenta, como pode, ajudar os refugiados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma situação complexa, cujas raízes se perdem no passado doloroso do continente africano, retalhado e explorado pelas potências européias do séc. XIX, e vítima dos conflitos étnicos localistas. Há pessoas que afirmam que os conflitos atuais são causados por problemas tribais de exclusivo interesse africano. Todavia, diversos analistas políticos internacionais afirmam que não se trataria somente disso. Por trás das divisões entre etnias e povos haveria também interesses políticos e econômicos externos. A região oriental da RDC é riquíssima em minérios preciosos, como ouro e diamantes. Empresas multinacionais estão interessadas em manter o país dividido para poder desfrutar de tais riquezas. Existiria até um projeto de criação de um novo estado nesta região, que se chamaria “República dos Grandes Lagos”. A África continua sendo vítima de si mesma (conflitos étnicos) e dos falsos amigos estrangeiros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-1911175922011845418?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/1911175922011845418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=1911175922011845418' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1911175922011845418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/1911175922011845418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/11/repblica-democrtica-do-congo-lana-um.html' title='A República Democrática do Congo lança um SOS ao mundo'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-5854605363433727226</id><published>2008-10-29T18:41:00.002-02:00</published><updated>2009-09-24T14:46:21.941-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Asia'/><title type='text'>Fórum Ásia-Europa - em busca de uma solução para o caos internacional</title><content type='html'>A crise financeira internacional está contagiando economias de vários países. Presidentes e chefes de governo tomaram medidas preventivas para atenuar os efeitos colaterais da crise americana. Julgando, porém, não ser suficiente agir isoladamente, presidentes e chefes de governo de 43 países reuniram-se nos dias 24 e 25 de outubro em Pequim - 7ª Cúpula da Ásia-Europa (ASEM) - para discutir como enfrentar a atual crise financeira e como colocar bases seguras para dificultar o surgimento, no futuro, de crises semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criação da ASEM (Asia-Europe Meeting) deve-se à proposta do Primeiro-Ministro de Cingapura, Goh Chok Tong. A Cúpula reuniu-se pela primeira vez em 1996, na capital da Tailândia, Bangkok, com o objetivo de fortalecer as relações entre Ásia e Europa no contexto das mudanças internacionais da década de 1990. Naquele período, de fato, estavam formando-se blocos econômicos regionais na Ásia (com a criação da APEC), na América do Norte (com a NAFTA), e na Europa, com o fortalecimento do processo de integração européia. Contudo, as relações da Europa com a Ásia eram quase que inexistentes. Para fortalecer tais relações e contrabalançar a influência dos Estados Unidos na Ásia e na Europa, os países asiáticos buscaram uma aproximação com a União Européia. Desenvolveu-se, desta forma, um espaço de diálogo profícuo, promotor de um melhor entendimento cultural entre seus povos e de relações mais estreitas no âmbito político e econômico. Compõem a ASEM os Chefes de Estado e/ou de governo dos países da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), da China, da República da Coréia, do Japão e dos países da União Européia. Eles reúnem-se de dois em dois anos, alternadamente na Ásia e na Europa. Este ano, Pequim, após ter sediado com sucesso os Jogos Olímpicos, teve a possibilidade de acolher mais uma vez os governantes dos países da Ásia e da Europa, confirmando seu papel ativo no âmbito internacional. O governo chinês presidiu a 7ª Cúpula juntamente com o governo francês, presidente de turno da União Européia. A China escolheu como tema prioritário das discussões a crise financeira internacional, mas não descuidou de temas igualmente importantes como o das mudanças climáticas, que foi objeto de um dos três documentos aprovados neste Fórum. Outros temas de discussão foram: as relações entre Ásia e Europa; a violação dos direitos humanos no Mianmar (antiga Birmânia); a desnuclearização da Coréia do Norte; a reconstrução do Afeganistão; o diálogo com o governo iraniano. Em relação à crise internacional, a 7ª Cúpula propôs a criação de uma associação mundial que reúna governos, setor privado, sociedade civil e outras instituições internacionais, e que desempenhe função de coordenação e cooperação neste setor. Unânime o pedido de maior transparência e maior controle do sistema financeiro global, com a supervisão severa das ações dos protagonistas financeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu discurso de conclusão, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, ressaltou a necessidade de uma maior regulação financeira para assegurar a estabilidade: “Precisamos de uma economia virtual saudável que possa dar apoio à economia real. Os problemas da economia virtual não podem afetar o desenvolvimento da economia real”. No seu discurso, Wen Jiabao declarou também que “a China está pronta a cooperar de forma pragmática com os outros países em busca de soluções para enfrentar a atual crise”. Na sua mensagem conclusiva, o presidente francês Nicolas Sarkozy antecipou que, na próxima reunião do G-20, em Washington, serão tomadas decisões conclusivas em relação à crise financeira internacional. Neste sentido, a 7ª Cúpula da ASEM, mesmo não sendo um fórum negociador ou de solução de problemas, foi um instrumento válido na construção de consensos preciosos em preparação do meeting do G-20, dia 15 de novembro próximo em Washington.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-5854605363433727226?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/5854605363433727226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=5854605363433727226' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/5854605363433727226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/5854605363433727226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/10/frum-sia-europa-em-busca-de-uma-soluo.html' title='Fórum Ásia-Europa - em busca de uma solução para o caos internacional'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-5613802201097215405</id><published>2008-10-22T18:39:00.000-02:00</published><updated>2008-12-07T18:41:16.224-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><title type='text'>Itália nas trevas - a democracia "discriminatória" da Liga do Norte</title><content type='html'>Tempos difíceis para o “Bel Paese”, o país do sol e do mar, meta sonhada por estrangeiros de todos os tempos e lugares. Ao invés da luz do sol, a Itália parece estar acometida por tempestades caracterizadas por ventos obscurantistas e retrógrados. O governo Berlusconi, que prometeu a ressurreição da economia italiana, está jogando seus compatriotas (metade dos quais acreditaram em suas promessas de felicidade e prosperidade), num reino de terror, medo e divisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde sexta-feira passada, dia 17 de outubro, as praças das principais cidades italianas, as universidades e as escolas são palcos de protestos inflamados contra a reforma do sistema escolar, obra da atual Ministra da Instrução, Maria Stella Gelmini. Reforma que, ao invés de dar esperança de melhoria para a já problemática situação da escola italiana, difundiu entre professores, gestores e alunos medo e desespero. Existem vários pontos polêmicos na reforma apresentada pelo governo Berlusconi: o retorno do professor único no ensino primário e médio; a unificação de escolas que tenham menos de 500 alunos (na Itália são cerca 2.600 com menos de 300 alunos) e de salas com menos de 16 alunos (atualmente são quase 50.000 as salas deste tipo), medidas que dizimarão os funcionários e professores. A reforma Gelmini prevê uma radical revisão dos ordenamentos escolares, a reformulação dos horários e linhas de estudo, e a reorganização da rede escolar com uma racionalização da utilização dos recursos humanos. A oposição denuncia que tais reformulações resultarão em cerca de 130.000 demissões entre professores e pessoal técnico-administrativo. Além disso, mais de 200.000 professores de escolas e universidades que trabalham há anos com contrato a tempo determinado perderão, com a reforma, a esperança de serem contratados definitivamente, pois, a partir deste ano, será contratado somente um professor a cada cinco docentes aposentados. Os sindicatos denunciam que os cortes na educação serão de 8 bilhões de euros, uma cifra absurda num país que destina à instrução somente 3% do PIB nacional. As universidades também não escaparam dos tentáculos perigosos da nova reforma. Os financiamentos públicos a elas destinados serão radicalmente reduzidos. A reforma dará a possibilidade (segundo alguns será obrigação) às universidades de se transformarem em Fundações de Direito Privado podendo (ou devendo?!) buscar capitais particulares para seu funcionamento. “É a morte da instrução pública”, reclamam os manifestantes. Realmente a situação é preocupante, considerando que a reforma da Instrução está estritamente ligada ao Ministério da Economia. Há quem diga que o verdadeiro criador da reforma seja Giulio Tremonti, Ministro da Economia. De fato, a reforma está ligada ao ministério por meio de uma cláusula de salvaguarda, segundo a qual se as escolas não conseguirem atuar os cortes previstos, receberão sempre menos recursos financeiros do Estado. Fica claro que a reforma não é movida pela vontade de melhorias pedagógicas, mas unicamente por motivos de caixa, o que resulta em uma proposta inaceitável por parte da população italiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a tal turbulência, uma moção do Partido da Liga Norte, aprovada pela Câmara de Deputados no dia 14 de outubro, provocou ainda mais indignação entre os italianos. Segundo a moção, crianças estrangeiras residentes que não superarem o teste de conhecimento da língua italiana não poderão estudar com as crianças italianas, mas deverão estudar em turmas separadas, chamadas “turmas-pontes”, para não atrapalharem o aprendizado dos alunos italianos. A Liga Norte, partido conhecido também pela xenofobia e tendências racistas, chamou tal proposta de política da “discriminação transitória positiva”. Pergunto-me se uma discriminação, mesmo “transitória” (?), possa ter qualquer valor numa democracia. Walter Veltroni, atual líder as oposição, afirmou que o governo Berlusconi esqueceu que o povo italiano é um povo de imigrados. Durante o fascismo, um sacerdote italiano, Padre Lorenzo Milani, escreveu criticando as políticas de discriminação: “Se vocês pensam de ter o direito de dividir o mundo entre italianos e estrangeiros, então eu vos direi que, segundo a vossa mesma lógica, eu não tenho Pátria e reivindico o direito de dividir o mundo em deserdados e oprimidos de um lado, e privilegiados e opressores de outro. Os deserdados são a minha Pátria, e os opressores são os meus estrangeiros”. Infelizmente, trata-se de uma reflexão que voltou a ser atual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-5613802201097215405?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/5613802201097215405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=5613802201097215405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/5613802201097215405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/5613802201097215405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/10/itlia-nas-trevas-democracia.html' title='Itália nas trevas - a democracia &quot;discriminatória&quot; da Liga do Norte'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-5982474961547996345</id><published>2008-10-15T18:38:00.002-03:00</published><updated>2009-09-24T14:48:10.320-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='India'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Africa do Sul'/><title type='text'>Diálogo sul-sul - Brasil, Índia e África do Sul</title><content type='html'>O presidente Lula participará hoje, dia 15 de outubro, junto com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, e com o novo presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, da III Cúpula do Fórum de Diálogo Índia-Brasil e África do Sul (IBAS), que se realizará na capital indiana, Nova Déli. Este importante Fórum de Diálogo, que envolve três países localizados no hemisfério sul, foi formalizado pela “Declaração de Brasília”, emitida em 6 de junho de 2003 pelos Chanceleres dos três países. A proposta do IBAS visa contribuir à construção de um ordenamento internacional mais equilibrado, com maior participação do eixo sul-sul, limitando, desta forma, a dependência tradicional ao eixo norte. Outro objetivo do IBAS é potencializar a cooperação trilateral visando ao fortalecimento do intercâmbio econômico, comercial e científico-tecnológico. O terceiro objetivo do Fórum é beneficiar outros países menos desenvolvidos, por meio da criação de um Fundo de Combate à Fome e à Pobreza. Projetos de ajuda em favor da Guiné-Bissau e Haiti já estão sendo desenvolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Índia, o Brasil e a África do Sul são países certamente muito diferentes do ponto de vista histórico e cultural, mas que apresentam também numerosos fatores de aproximação: os três possuem governos democráticos; são potências regionais que trabalham para aumentar sua participação internacional; os três sofrem com profundas desigualdades sociais, o que estimula a aceleração de seu crescimento econômico; possuem parques industriais consolidados, elementos básicos de cooperação nas áreas de ciência e tecnologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Chefes de Estado e Ministros do Fórum já se encontraram duas vezes: a I Cúpula se realizou em Brasília, em 2006; a II, no ano seguinte, na África do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esta III Cúpula foram criados 16 grupos de trabalho envolvendo, entre outras, as áreas de administração política, energia, mudanças climáticas. Também participam do Fórum, empresários, parlamentares, intelectuais para que o diálogo trilateral envolva efetivamente todos os setores da sociedade. Está prevista a assinatura de nove acordos de cooperação trilateral nas áreas de meio ambiente, turismo, propriedade intelectual, ciência e tecnologia, assentamentos humanos, igualdade de gênero, normas e regulamentos técnicos, transporte marítimo e aviação civil. Após a conclusão da III Cúpula, deverá ser divulgada uma carta conjunta sobre grandes temas atuais, como o da crise financeira internacional e o da reforma da ONU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três países lutam pela ampliação dos lugares permanentes no Conselho de Segurança da ONU, reservados, até hoje, somente a 5 países: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China. Os atuais candidatos aos assentos permanentes são: Índia, Brasil, Alemanha e Japão. A África do Sul não conseguiu ter ainda o consenso do continente africano para lançar sua candidatura. A escolha do Brasil como candidato ao Conselho de Segurança da ONU é símbolo do reconhecimento do status internacional alcançado pelo país. O crescimento da atuação internacional do Brasil deve-se ao empenho dos dois últimos presidentes: Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. FHC inaugurou uma política externa de tipo presidencial (presidente protagonista) - que saiu dos moldes do projeto nacional-desenvolvimentista -, priorizando a integração sul-americana e a busca de cooperação multilateral. O presidente Lula tem o mérito de ter dado uma nova dimensão à diplomacia brasileira, ampliando suas relações fora dos circuitos tradicionais EUA-União Européia, e buscando parceiros entre países emergentes como China, Índia, África do Sul, países do Oriente Médio, etc. O Brasil é reconhecido como interlocutor de respeito nos círculos diplomáticos e empresariais, interlocutor que busca os próprios interesses nacionais, mas sem abrir mão dos princípios éticos que deveriam nortear as relações internacionais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-5982474961547996345?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/5982474961547996345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=5982474961547996345' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/5982474961547996345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/5982474961547996345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/10/dilogo-sul-sul-brasil-ndia-e-frica-do.html' title='Diálogo sul-sul - Brasil, Índia e África do Sul'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-271731294790327793</id><published>2008-10-08T18:36:00.000-03:00</published><updated>2008-12-07T18:37:37.653-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='EUA'/><title type='text'></title><content type='html'>Diante da grave crise financeira que está atravessando os Estados Unidos e, conseqüentemente, os países cuja economia está estritamente ligada à da superpotência, muitas hipóteses foram levantadas, profecias ousadas foram arriscadas. “É o fim do capitalismo”, lia-se em alguns jornais estrangeiros. “Acabou a democracia nos Estados Unidos”, escreviam outros. Entre tantos artigos, encontrei, no jornal italiano Il Sole 24 Ore, uma entrevista muito interessante feita a Paul Kennedy, historiador britânico professor da Universidade de Yale e autor do best-seller “Ascensão e Queda das Grandes Potências”. Nesta obra, de 1988, Paul Kennedy já previa a inevitabilidade do declínio daquela que ele chama de super-hiper-potência. Após vinte anos, ele confirmou seu pensamento sobre o futuro americano, mas, ao mesmo tempo, alertou contra prognósticos exagerados e dramáticos demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Devemos distinguir”, explicou Kennedy, “entre declínio secular e incidentes de percurso por quanto sejam graves. A crise financeira de 2008 é dramática. Provoca uma nova rachadura nos pilares da super-hiper-potência americana. Prevejo que, em novembro, o Congresso permanecerá com forte maioria democrática e ganhará  Barack Obama. Juntos, colocarão muitos esparadrapos naquelas rachaduras. Mas, quanto aconteceu, confirma o lento declínio estadunidense, não sua queda. A América não voltará mais aos níveis de grandeza de 1945, quando era o único país sólido após a Segunda Guerra mundial. O seu declínio vê a contemporânea ascensão de outras potências, como a China ou a Índia. Mas isto não mudará de imediato e em tempos rápidos o seu papel de grande potência”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Kennedy, a história é clara: “As grandes potências estruturadas - como o império Otomano, aquele de Habsburgo ou o Britânico - não caíram de um dia para outro. Sofreram colapsos financeiros, derrotas militares, até humilhações, mas, depois, foram para frente por longo tempo”. Kennedy lembra que, no século passado, havia impérios sólidos e impérios “passageiros” - como o fascista, nazista, japonês e soviético - de breve duração justamente porque não possuíam uma base global econômica e política, diferentemente da América, que permanece hoje uma potência estruturada. “Há quem disse estupidamente”, continua Kennedy, “que com esta crise chegamos ao fim da democracia na América, ao fim do capitalismo como o conhecemos. Os exageros de sempre. Tais pessoas esquecem que os Estados Unidos possuem 700 bases militares no exterior e 200 mil soldados no mundo, além das tropas alinhadas no Irã e Afeganistão; possuem os melhores centros de pesquisas universitários; investem em pesquisa e desenvolvimento mais que qualquer outro; possuem um balanço militar anual de mais de 700 bilhões de dólares para 2008, valor equivalente ao pacote de ajudas. Esquecem que a América possui um perfil demográfico forte: a população cresce e a convivência entre as raças é sólida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kennedy assegura que a democracia e o capitalismo americanos não estão ameaçados pela crise de Wall Street ou pela recessão que está chegando. Assim como a América não se tornará um país “socialista” após o pacote de ajudas e as nacionalizações como temem alguns republicanos da extrema direita ou como profetizam alguns ideólogos da esquerda na Europa. Assegura também que o capitalismo de mercado está destinado a permanecer o paradigma de fundo. Kennedy: “Eu acredito que Obama no final ganhará pela sua disciplina, coerência, liderança e pela crise econômica. Será ele o novo paradigma que regenerará a América. O impacto de uma sua vitória no mundo será enorme. Até inimaginável. A China não conseguirá entender, explicar-se aquela vitória; o Japão ficará perplexo; para o Irã e o Oriente Médio as cartas da política serão novamente distribuídas e misturadas. O passo para frente será grande. E, talvez, quem sabe, justamente naquele momento de nova fronteira reencontrada, a América poderá começar a entender que deverá ser seletiva no seu papel hegemônico. Não sei se Obama fará como Felipe II da Espanha”, conclui Kennedy, “mas, às vezes, para preservar o poder será preciso escolher algumas áreas de influência e renunciar a outras. Felipe II escolheu suas prioridades no cume do seu poder. E a sua permaneceu como grande lição para retardar o declínio de uma grande potência”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-271731294790327793?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/271731294790327793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=271731294790327793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/271731294790327793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/271731294790327793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/10/diante-da-grave-crise-financeira-que.html' title=''/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7480609784626772986</id><published>2008-10-01T18:35:00.000-03:00</published><updated>2008-12-07T18:36:23.241-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Equador'/><title type='text'>A "Revolución Ciudadana" do Equador</title><content type='html'>Neste domingo, dia 28 de setembro, a maioria dos dez milhões de eleitores equatorianos (70%) aprovou o projeto de uma nova Constituição para o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente Rafael Correa, desde sua eleição, em novembro de 2006, lutou para a “refundação do Equador” sob a égide do “socialismo do século XXI”. A nova Constituição seria, no seu parecer, a base para lançar uma verdadeira Revolução Cidadã capaz de garantir ao povo equatoriano um futuro mais justo e feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova Carta Constitucional, vigésima desde a independência do Equador da Espanha,  compõe-se de 444 artigos, entre os quais alguns se sobressaem pelo seu caráter inovador em retomar valores peculiares da cultura indígena equatoriana. A Constituição promete desenvolver o buen vivir ou sumak kawsay na língua indígena, conceito da cosmologia indígena que resume um conjunto de valores característicos de uma vida em harmonia com a natureza. Pela primeira vez em uma constituição, a natureza tornou-se sujeito de direito. O artigo 71 afirma que “a natureza ou Pachamana, onde se reproduz e realiza a vida, tem o direito a que se respeite integralmente sua existência, sua manutenção e regeneração de seus ciclos vitais, estruturas, funções e processos evolutivos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artigos-chave da Constituição prometem mudar radicalmente o curso político do país: fortalecimento do Executivo, por meio do qual vigerá o controle estatal sobre os setores do país considerados estratégicos como petróleo, mineração, telecomunicações e agricultura; a defesa da pequena propriedade privada, medida esta que comportará a expropriação e redistribuição das terras não produtivas e a luta aos latifúndios; a proibição de instalação de bases militares estrangeiras no território equatoriano. Com esta última medida, o presidente Correa decidiu colocar fim à base militar americana, em Manta, cidade portuária e local estratégico para o controle do tráfico de drogas. O uso de drogas será considerado, de agora em diante, problema de saúde pública e não mais crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o resultado do referendum de domingo, estão previstas novas eleições para todos os cargos, inclusive aquele de presidente. Rafael Correa não parece estar preocupado com o resultado das próximas eleições, pois conta com um índice elevado de aprovação, principalmente entre as camadas mais pobres que representam 60% da população do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tudo correr segundo os planos do presidente, a Revolução Cidadã desejada por ele transformará o Equador num estado centralizador que administrará, preservará e explorará seus recursos naturais sem ingerências estrangeiras. O Banco Central deixará de ser autônomo e a gestão da política monetária nacional passará para o presidente Rafael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formado em economia junto à Universidade Católica de Santiago de Guayaquil, em 1991 obteve o Master em Econômica na Universidade de Louvain, na Bélgica. Completou sua formação obtendo o Doutorado em economia na Universidade de Illinois, nos EUA. Em 2005, foi ministro das Finanças sob o governo Alfredo Palácio. A oposição acusa Correa de querer copiar modelos políticos destinados à falência, como os dos vizinhos Chavez e Morales, respectivamente presidentes da Venezuela e da Bolívia. É verdade que a Revolução Cidadã de Correa faz parte do desígnio político de inspiração bolivariana comum aos três estados, mas das três propostas políticas, a de Correa resulta certamente a menos radical. Ao contrário de Chavez, o estilo político de Correa é menos personalista e mais concentrado na construção de um Estado estável. No caso da Bolívia, as mudanças da nova constituição equatoriana são menos radicais daquelas propostas pelo projeto de constituição boliviana. Com efeito, enquanto Evo Morales propôs mudanças estruturais complexas no que diz respeito à autonomia dos indígenas, Correa limitou-se a reconhecer a identidade cultural dos grupos indígenas. O povo está do seu lado, mas os desafios que ele enfrentará para cumprir suas promessas não podem ser subestimados. Precisará convencer os grupos de oposição, demonstrando que a Revolução Cidadã favorecerá de fato a governabilidade e o desenvolvimento do povo equatoriano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7480609784626772986?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7480609784626772986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7480609784626772986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7480609784626772986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7480609784626772986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/10/revolucin-ciudadana-do-equador.html' title='A &quot;Revolución Ciudadana&quot; do Equador'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-7839743845741108744</id><published>2008-09-24T18:33:00.000-03:00</published><updated>2008-12-07T18:35:07.485-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ONU'/><title type='text'>A ONU, os direitos humanos e a jornada internacional da paz</title><content type='html'>No último domingo, dia 21 de setembro, festejamos a Jornada Internacional da Paz, instituída oficialmente pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas em 2001. Ao instituir esta comemoração, a Assembléia Geral da ONU declarou que a Jornada seria observada como uma jornada mundial de cessar-fogo e de não-violência, durante a qual todas as nações e povos da terra estariam convidados a cessar as hostilidades. A Jornada Internacional da Paz adquiriu, neste ano, um significado particular, pois se comemoram também o 60º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos e o 60º aniversário das operações de manutenção da paz. A Jornada Internacional da Paz deste ano teve como tema justamente as relações entre a paz e os direitos humanos, temas inseparáveis na atual situação internacional. O Secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, na sua mensagem em ocasião da Jornada Internacional, sublinhou o quanto o respeito dos direitos humanos seja essencial para a manutenção da paz. Infelizmente ainda há muitas pessoas que sofrem demais com a violação dos direitos humanos, sobretudo durante os conflitos armados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes dias, encontra-se reunida, em Nova York, a 63ª sessão anual da Assembléia Geral da ONU. No seu discurso de abertura da Assembléia, o presidente de turno, o nicaragüense Miguel D’Escoto Brockmann, ex-chanceler sandinista, pediu urgentemente a democratização das Nações Unidas e anunciou planos para revitalizar o poder desta Assembléia que reúne 192 nações. Tal pedido recebeu o apoio unânime dos membros da Assembléia, pois há anos discute-se a urgência de uma reforma da ONU, cuja estrutura, principalmente no que diz respeito ao seu Conselho de Segurança, não responde mais às necessidades do atual contexto internacional. A maior queixa dirigida à ONU é a falta de representatividade. Ela funciona com a mesma estrutura criada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial. Nestes 63 anos, porém, o contexto internacional mudou e muito. Inúmeras nações, que naquela época estavam ainda sob o jugo colonial, conquistaram sua independência; terminou o bipolarismo que caracterizou a época da Guerra Fria e que dividia o mundo em dois blocos. Hoje os atores internacionais não são somente os Estados, há outros protagonistas no cenário internacional: organizações das sociedades civis, forças sociais e econômicas que não têm voz neste organismo de fundamental importância para a manutenção da paz mundial. A Organização das Nações Unidas está nas mãos de apenas 5 membros permanentes que detêm poder de veto (Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, China e Federação Russa) e que, ao mesmo tempo, estão entre os maiores produtores de armas. Seus interesses econômicos e geopolíticos condicionam a “neutralidade” na resolução de conflitos com outros países, impedindo a realização daquela que deveria ser a primeira tarefa desta Organização: a promoção dos direitos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2001, quando os Estados Unidos invadiram arbitrariamente o Iraque, a ONU viveu sua maior crise de legitimidade. Parecia ter seus dias contados. Em sua defesa, ergueu-se o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello. Mesmo reconhecendo a fraqueza da Organização pela qual trabalhava há mais de 30 anos, Sérgio lembrou a todos que a ONU permanecia o único instrumento capaz de re-introduzir normas de moralidade política no curso da história. Era necessária, segundo ele, a aplicação do Direito não somente no âmbito doméstico como também no internacional. Sérgio de Mello indicou os Estados como os principais responsáveis pela defesa dos direitos humanos, afirmando a necessidade de se colocar de uma vez por todas as pessoas no centro das atenções e preocupações da comunidade internacional. Os Estados teriam como obrigação resolver suas controvérsias de forma pacífica, de maneira a não ameaçar a paz e segurança internacionais. Tal é também o parecer do papa Bento XVI que, no dia 24 de agosto, após a eclosão da crise no Cáucaso, indicou “a força moral do direito” como caminho para “dirimir as controvérsias”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a ONU conseguir representar os interesses de todos os povos da terra, ela terá condições de desempenhar o papel pensado para ela por Sérgio Vieira de Mello: o de ser a voz da consciência do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-7839743845741108744?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/7839743845741108744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=7839743845741108744' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7839743845741108744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/7839743845741108744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/09/onu-os-direitos-humanos-e-jornada.html' title='A ONU, os direitos humanos e a jornada internacional da paz'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-535736927267124851</id><published>2008-09-17T18:33:00.000-03:00</published><updated>2008-12-07T18:33:55.140-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bolívia'/><title type='text'>Crise na Bolívia - do separatismo ao diálogo nacional</title><content type='html'>&lt;p&gt;A Bolívia, um dos países mais pobres da América Latina, está enfrentando há algumas semanas uma grave crise interna, que causou a morte de mais de 30 pessoas. Crises desta natureza não são novidade na Bolívia. O país tem uma longa tradição de instabilidade governativa. Desde sua independência da Espanha, ocorrida em 1825, até o fim da última ditadura militar, em 1982, o país enfrentou 193 golpes de estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bolívia sempre sofreu com um nível de desigualdade muito alto. A pobreza atinge, sobretudo, as populações indígenas, enquanto a minoria branca - que constitui a elite empresarial - detém o monopólio das riquezas naturais da Bolívia. Esta rivalidade entre as populações indígenas e a minoria branca remonta à época do domínio espanhol quando a maioria da população autóctone foi reduzida ao estado de escravidão ou obrigada a trabalhar como mão-de-obra barata. Ao longo de sua história, novos dominadores estrangeiros ocuparam o lugar dos espanhóis em terras bolivianas: atualmente são as empresas multinacionais que desfrutam da riqueza natural do território, principalmente petróleo e gás natural, recursos localizados na região oriental do país, chamada de meia-lua pela sua configuração geográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia boliviana cresceu somente em um lado do país, deixando o outro sem recursos e fontes de sustento. Com efeito, em 1990, o governo do presidente Sanchez de Lozada decidiu fechar as minas do país e colocou fortes restrições ao cultivo da coca, seguindo indicações norte-americanas. Na época do estabelecimento da democracia, o país aproximou-se dos Estados Unidos, que fizeram da Bolívia uma de suas bases na América Latina. A situação mudou, porém, com a chegada de Evo Morales - o primeiro presidente índio, de etnia aymara. Desde o início de seu governo, o principal objetivo de Morales foi lutar pela nacionalização dos recursos energéticos do país e, consequentemente, pela defesa dos direitos das populações indígenas que, até então, não puderam beneficiar-se das riquezas naturais do seu próprio país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As manifestações violentas destas últimas semanas foram sinais da forte oposição da elite empresarial às tentativas de Morales de redistribuição da riqueza. Os governadores das províncias rebeldes, que reclamam a autonomia administrativa do governo central, indicaram como principais motivos dos protestos a rejeição do aumento dos impostos sobre os hidrocarbonetos, em favor de um projeto social do governo central, e a recusa de uma nova Constituição que, segundo os governadores oposicionistas, teria sido elaborada  pela Assembléia Constituinte sem a presença de representantes de suas províncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal Constituição – que deverá ainda ser aprovada por referendum popular – prevê maior autonomia das populações indígenas e mais poder para os movimentos sociais. A Constituição prevê também a redução das propriedades fundiárias que estão localizadas principalmente nas províncias oposicionistas. Diante de tal perspectiva, as províncias que possuem já um poder econômico invejável tentaram agregar também poder político, o que lhes facilitaria para salvaguardar seus interesses econômicos. A província de Santa Cruz de la Sierra, onde há forte oposição, detém 1/3 do PIB boliviano, gerando 40% dos impostos arrecadados pelo Estado. O preconceito étnico, os interesses econômicos e políticos, nacionais e internacionais arriscam manter a Bolívia numa situação de instabilidade política que impede seu crescimento econômico e social. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os efeitos da atual crise atingiram também o âmbito internacional, pela ruptura das relações diplomáticas com o governo dos Estados Unidos, acusado de fomentar a divisão entre as regiões mais desenvolvidas e o governo central. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quis imediatamente demonstrar sua solidariedade ao presidente Morales, expulsando o embaixador americano na Venezuela e oferecendo ajuda militar ao país vizinho. Evo Morales, porém, recusou tal ajuda e preferiu escolher a estrada do diálogo com os governadores das províncias oposicionistas. Nesta segunda-feira, maravilhou-se em receber o apoio de todos os países integrantes da Unasul, que condenaram as manifestações violentas e reconheceram a integridade do território boliviano. Tomara que a opção de Morales pelo diálogo e o apoio da Unasul convençam as províncias da meia-lua a trocar o estéril separatismo pelo crescimento para todos os bolivianos, de todas as raças.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-535736927267124851?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/535736927267124851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=535736927267124851' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/535736927267124851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/535736927267124851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/09/crise-na-bolvia-do-separatismo-ao.html' title='Crise na Bolívia - do separatismo ao diálogo nacional'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-8383107261785219015</id><published>2008-09-10T18:31:00.000-03:00</published><updated>2008-12-07T18:32:48.893-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paquistão'/><title type='text'>Eleições no Paquistão</title><content type='html'>O vencedor da corrida presidencial no Paquistão, nas eleições deste sábado, dia 6 de setembro, foi Asif Ali Zardari, líder do Partido do Povo do Paquistão (PPP) e viúvo de Benazir Buttho, mulher-símbolo do sonho democrático paquistanês, assassinada em um atentado terrorista em dezembro do ano passado. Zardari derrotou Saeed Zaman Siddiqui, o candidato de Nawaz Sharif, ex-premiê e líder do segundo maior partido no Paquistão (Liga Muçulmana do Paquistão Nawaz Pal-N). No início do ano, os dois maiores partidos do país, o PPP e o Pal-N decidiram coligar-se para preparar o impeachment contra o então presidente Musharraf, acusado de violação à Constituição. No mês de agosto, Musharraf decidiu renunciar para evitar o impeachment. A coligação entre os dois partidos teve vida curta, devido, sobretudo, à rivalidade e desconfiança existentes entre as duas correntes políticas. Nawaz Shafir, que decidiu romper a coligação, acusou Zardari de não ter respeitado as promessas feitas, especialmente em relação à reintegração dos juízes que foram afastados durante o governo de Musharraf. O governo de Zardari não começa bem. Sobre ele, gravam sérias acusações de atos de corrupção que teriam acontecido durante os dois governos de sua esposa, quando ele foi ministro por duas vezes. O apelido pelo qual é conhecido, “Senhor 10%”, não deixa dúvidas quanto à sua fama junto à população paquistanês. Além disso, ele foi acusado de ter matado o irmão de sua esposa. Zardari foi preso por mais de dez anos, mas nunca foi condenado. Após ter sido libertado, em 2004, refugiou-se nos Estados Unidos, longe da esposa, sob alegação de tratamento médico. Voltou ao Paquistão com sua esposa Benazir, em 2007, quando Musharraf cancelou, com uma anistia, todos os crimes cometidos por políticos e burocratas de 1988 a 1999. Os dois, porém, não voltaram ao mesmo tempo. O entourage de Benazir aconselhou-a a voltar sozinha, pois o fato do esposo ser uma pessoa bastante contestada no país, poderia, de certa forma, ofuscar o esperado retorno da tão amada líder do país. A própria Benazir não avaliava positivamente o papel político do esposo, pois no seu testamento deixou como herdeiro e sucessor de seu legado político não o esposo, mas o filho Bilawal, hoje com 19 anos. A prematura morte de Benazir, porém, mudou, ao menos por enquanto, o destino de Zardari, que sempre permaneceu à sombra de sua esposa. Logo após a morte de Benazir, Zardari impôs-se como co-presidente, ao lado do filho Bilawal, do Partido do Povo do Paquistão. Quando o filho, Bilawal, decidiu voltar a estudar Direito em Oxford, Zardari completou a sua ascensão ao poder até chegar à eleição. A sua campanha eleitoral, naturalmente, apoiou-se fundamentalmente no legado de Benazir, que permanece como símbolo inconteste do sonho de democracia do povo paquistanês. Ele promete realizar esse sonho, que foi o motivo propulsor pelo qual, em 1967, o pai de Benazir, Zulfikar Ali Buttho, fundou o Partido do Povo do Paquistão. Por tal causa, pai e filha derramaram o sangue. Desde a proclamação de sua independência, em 1947, o Paquistão é cenário de guerra civil. Somente nos últimos 12 meses, os ataques terroristas provocaram 1,2 mil mortos. O mesmo Zardari escapou de um atentado na última semana. Os desafios que ele deverá enfrentar são extremamente complexos: a crise econômica que mantém o país em uma situação de extrema pobreza; a relação instável e perigosa com o poder militar, protagonista na história paquistanês de golpes de estado e reviravoltas políticas; a rivalidade constante com o Pal-N; e, por último, mas não menos importante, a relação conflituosa do governo paquistanês com os extremistas islâmicos. Os seus líderes já demonstraram, por meio de um atentado no dia do resultado das eleições, de não apreciar tal resultado. Com efeito, Zardari confirmou seu papel de interlocutor do governo americano na luta contra o terrorismo, decepcionando o sentimento antiamericano dos extremistas islâmicos. Após os atentados de 2001, contra as Torres Gêmeas, o Paquistão - tradicional aliado dos Estados Unidos durante a Guerra Fria - voltou a ser um elemento estratégico na política antiterrorista americana. A presença dos contingentes estadunidenses não ajudará certamente Zardari na sua promessa ao povo paquistanês de um futuro de paz e estabilidade política.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-8383107261785219015?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/8383107261785219015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=8383107261785219015' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8383107261785219015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/8383107261785219015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/09/eleies-no-paquisto.html' title='Eleições no Paquistão'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-6325781746433538910</id><published>2008-09-03T18:29:00.001-03:00</published><updated>2009-09-24T14:47:22.065-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='India'/><title type='text'>A ditadura das castas</title><content type='html'>&lt;p&gt;No dia 29 de agosto, as 25 mil escolas católicas da Índia fecharam por 24 horas em protesto contra a onda de violência que envolveu, nas últimas semanas, a população cristã e seus missionários, no Estado de Orissa, situado no leste da República Indiana, junto ao Golfo de Bengala. Igrejas, hospitais e orfanatos cristãos foram destruídos, missionários foram espancados, uma moça que trabalhava num orfanato cristão foi queimada viva. Um padre e uma religiosa, após serem agredidos, foram desnudados e feitos desfilar diante do povo. Mais de 8.000 pessoas tiveram suas casas queimadas. Os autores de tal barbárie são membros de uma organização fundamentalista hindu (Vishwa Hindu Parishad).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no ano passado, na véspera do Natal, membros desta organização, liderada por Swami Laxmanananda Saraswati, atacaram uma comunidade cristã. Oito meses após o ataque, no dia 23 de agosto deste ano, o líder hindu foi assassinado por grupos maoístas, na véspera da recorrência do nascimento de Krishna. Os fundamentalistas usaram a morte de seu líder como pretexto para culpar os cristãos, acusando-os de ter se vingado pelo ataque do ano passado. Em seguida, os extremistas hindus atacaram simultaneamente 35 centros cristãos do Estado de Orissa. A polícia não conseguiu conter os atos de violência. O governo do Estado é formado por uma coligação sustentada pelo partido fundamentalista hindu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, a Índia é considerada a maior democracia do mundo. O país oferece centro de excelência na área de tecnologia de informação, exportando seus engenheiros ao mundo inteiro. Porém, o progresso tecnológico e político não conseguiu livrá-la de uma corrupção galopante que se alastra em todo seu território, e que mantém impunes graves atos de violência como os que aconteceram em Orissa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Índia, a modernidade convive com o sistema milenar das castas, que impede a maioria dos indianos de melhorar as próprias condições de vida. A discriminação de casta é proibida pela Constituição, mas rege a vida de 80% de sua população. Cada casta vive separada das outras. O membro de uma casta é definido pelo nascimento. Não se pode mudar de casta ou subir na escala social. Quem rompe tais regras é banido de seu grupo e perde o direito ao trabalho. Quatro eram as castas tradicionais: a casta alta, constituída pelos sacerdotes (brâmanes); a casta constituída pelos guerreiros, que se ocupavam da segurança do povo (kshatriyas); a dos comerciantes (vaishyas); e, por último, a casta formada pelos agricultores (sudras). Além do sistema de divisão da sociedade hinduísta em castas, há, também, os fora da casta (os excluídos) considerados impuros, chamados também de Dalit, e os tribais ou Advasi, ambos usados como escravos pelas castas nobres.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A população do estado de Orissa é constituída por 40% de tribais e Dalit, razão que explica o fato de Orissa ser um dos estados mais subdesenvolvidos da Índia. As comunidades cristãs, nestes últimos anos, ocuparam-se justamente daqueles que os hinduístas consideram impuros e, por isso, nem podem ser tocados. Ofereceram-lhes educação, ajudando-os a reencontrar sua dignidade e suas potencialidades. Graças a esta ajuda, eles começaram a reivindicar seus direitos, recusando a exploração e a opressão econômica e social das castas mais altas. De fato, em todas as localidades de Orissa onde estão presentes instituições cristãs, nos últimos anos foi registrado certo progresso socioeconômico, mudanças sociais recusadas pelo sistema cristalizado das castas hinduístas.  Os cristãos foram acusados de usar meios fraudulentos para conseguir prosélitos e convencer os habitantes da região a se converter. Na realidade, as conversões foram poucas. O número de cristãos é inferior a 1% da população de Orissa. Mas eles precisam encontrar desculpas para combater o que mais incomoda os fundamentalistas hindus: a perda do controle sobre o sistema milenar de castas. Nos últimos anos, o grupo dos fanáticos e dos intolerantes hindus parece estar ganhando força no território indiano. Contudo, muitas pessoas, não somente cristãs, mas também de outras religiões - budistas, muçulmanos, e, também, grupos hinduístas que não compartilham o fanatismo e a intolerância dos seus correligionários -, demonstraram solidariedade e apoio às vitimas cristãs. Se alguma culpa os cristãos tiveram, foi somente aquela de ter devolvido um pouco de esperança aos que não tinham mais esperança, ajudando-os, após tanto sofrimento e opressão, a enxergar uma luz de igualdade no fim do túnel.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421781402943375631-6325781746433538910?l=annacarletti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://annacarletti.blogspot.com/feeds/6325781746433538910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421781402943375631&amp;postID=6325781746433538910' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6325781746433538910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421781402943375631/posts/default/6325781746433538910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://annacarletti.blogspot.com/2008/09/ditadura-das-castas.html' title='A ditadura das castas'/><author><name>Anna Carletti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15463159460043430896</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421781402943375631.post-5825902811711994382</id><published>2008-08-27T18:28:00.000-03:00</published><updated>2008-12-07T18:29:50.586-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='China'/><title type='text'>Olimpíadas de Pequim - a China ganhou muito mais que medalhas de ouro</title><content type='html'>&lt;p&gt;Concluiu-se, no domingo passado, a XXIX edição das Olimpíadas, sediada em Pequim.&lt;br /&gt;Hospedar este evento assumiu, para a China, um significado que ultrapassou as fronteiras esportivas. Por meio dos Jogos Olímpicos, a China pôde celebrar triunfalmente a
